Moinho Fluminense entra em 2020 sem futuro definido | Diário do Porto


Imóveis

Moinho Fluminense entra em 2020 sem futuro definido

Ainda sem obras ou demolições, projeto do Moinho Fluminense para seus 27 mil metros quadrados, no coração da Gamboa, segue indefinido

13 de janeiro de 2020

Fábrica Moinho Fluminense é a grande esperança de movimentar o bairro da Gamboa (Foto: DiPo)

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“Ainda existe? Pensei que tivesse morrido o projeto”, questiona Cláudio Santiago, 36, morador da Gamboa, sobre o futuro dos imóveis gigantescos do Moinho Fluminense. Ainda com projetos incertos e com o futuro a ser decidido pela Autonomy Investimentos & Affiliates, atual proprietária, o Moinho segue sendo uma incógnita para a população. A empresa não deu qualquer satisfação à vizinhança sobre seus planos para o maior ícone arquitetônico da Gamboa, que liga a charmosa Praça da Harmonia à Orla Conde.

A empresa Método Engenharia, contratada para realizar a demolição das áreas não tombadas do Moinho, só conseguiu realizar a limpeza da fábrica. A Prefeitura do Rio ainda não permitiu que as demolições fossem iniciadas, e a empresa aguarda a decisão de nova reunião, marcada para esta semana.

O contrato com a Método Engenharia vence em abril, segundo funcionários ouvidos pelo DIÁRIO DO PORTO, mas espera-se que as demolições sejam feitas antes disso. Os funcionários, entretanto, tampouco sabem o que será construído no terreno. Muitos deles acreditam que a definição do projeto e as novas construções só acontecerão em 2021.

Enquanto isso, o terreno de 27 mil metros quadrados, que ocupa quatro quarteirões na Gamboa, permanece como um gigante adormecido. Bem localizado, o Moinho tem potencial para alavancar a revitalização da região, hoje restrita à Orla, e fazer mais pessoas circularem pela Região Portuária como um todo.


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A falta que faz um mercado

Para o morador Cláudio Santiago, seria importante para o bairro trazer mais pessoas e alavancar os estabelecimentos já existentes: “Se fosse um centro comercial, talvez fosse bom para aquecer o mercado dos restaurantes da região. Se fosse algo voltado para educação e saúde, seria maravilhoso. Seria bom trazer empresas para cá, gerar empregos e movimentação para a área.”

A dona de casa Edenia Alves, 52 anos, também moradora da Gamboa, sente falta de empreendimentos básicos e torce para que o Moinho supra essa carência: “O bairro está necessitando mesmo é de um mercado. Também de uma farmácia bem popular, porque aqui tem uma, mas não tem outra para competir. Se fosse um shopping e residências, também seria bom.”

Região sem vida

O turista francês Pierre Stanlley, 30, não ficou muito animado com a região da Gamboa, pois esperava mais agitação. Ele afirma que um dos inconvenientes é que os motoristas de aplicativo não aceitam as corridas pedidas para a região por não se sentirem seguros. “Pedi minha estadia pela internet, via Air BNB, mas está muito parado, não tem atividades. Meus amigos estão preocupados com a segurança, eu também. Não gostei do bairro, mas cheguei há dois dias e ainda não fui aos museus ou às praias”.

Vindo de Porto Alegre, Pierre sente falta das atividades e dos ambientes que a cidade gaúcha disponibiliza. Em sua viagem, o turista também passou por Brasília e São Paulo, mas ainda não se animou com o Rio: “Aqui não tem vida, parece que não tem vida. Eu não sei, vou passear mais para ver, mas não gostei.”

A sensação do turista ilustra a expectativa, hoje frustrada, gerada pelos investimentos bilionários na Orla Conde. A revitalização do Porto Maravilha não se espalhou pela parte interna de Saúde, Gamboa e Santo Cristo. A supervalorização dos imóveis revelou-se uma bolha, levando ao fechamento de muitos estabelecimentos comerciais sem que os novos investidores se tornassem empreendedores. Muitos imóveis são mantidos fechados à espera de valorização, o que torna a região sem vida, como notou – e não gostou – o turista francês.


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