Frente de Defesa do Galeão precisa do governador Cláudio Castro | Diário do Porto

Editorial

Frente de Defesa do Galeão precisa do governador Cláudio Castro

Governador do Rio e Inea podem definir o tamanho das operações no aeroporto Santos Dumont e garantir voos que fortaleçam o hub internacional do Galeão

7 de outubro de 2021


Castro e Ceciliano: salvar o Galeão é crucial para o Estado do Rio de Janeiro


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O Rio e o Galeão já foram a porta de entrada do Brasil, posição hoje ocupada por São Paulo e seu aeroporto de Guarulhos. Por vários fatores, ao longo dos anos, o Aeroporto Internacional carioca foi ficando em plano inferior. E agora corre o risco de se inviabilizar de vez, caso vingue o plano do Ministério da Infraestrutura que vai contra os interesses da cidade e do Estado. Em reação a esse desatino, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), André Ceciliano, acaba de lançar a Frente de Defesa do Galeão.

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, cotado como candidato ao governo paulista, está à frente dos planos de privatizar o aeroporto Santos Dumont até março do ano eleitoral de 2022. Para atrair compradores, o plano permite o aumento de voos no aeroporto central da cidade e até mesmo a operação de linhas para a América do Sul. Isso simplesmente impossibilita que o Galeão volte a se consolidar como um hub aéreo internacional, afetando várias cadeias econômicas do Rio. Quem ganha são os Estados vizinhos, como São Paulo e Minas Gerais.

Em Minas, as autoridades locais deram um exemplo de defesa de interesses estratégicos. O aeroporto central de Belo Horizonte, a Pampulha, acaba de ser privatizado, mas com suas operações limitadas a voos regionais e à aviação executiva. Tudo para não concorrer com o aeroporto de Confins, onde os mineiros trabalham duramente, sem curvar a cabeça, para fortalecer seu hub internacional. Pampulha foi privatizada pelo próprio Governo de Minas sem qualquer exigência além do investimento no próprio aeroporto. Já o comprador do Santos Dumont, conforme os planos de Tarcísio de Freitas, também terá que manter e investir em aeroportos de Minas Gerais!

Além de querer fortalecer Confins, um outro fator levado em conta pelo Governo de Minas para limitar as operações da Pampulha foi o fato de que esse aeroporto central produz transtornos ambientais aos moradores do entorno e sob as rotas dos voos. Quando tentaram aumentar o movimento em Pampulha, prejudicando a estratégia de desenvolvimento mineiro, o Palácio da Liberdade usou as armas que tinha, inclusive o poder de suas autoridades ambientais. Resultado: o movimento de Pampulha segue limitado, e Confins vai ser firmando com a força que o Governo Federal tenta tirar do Galeão.

No Rio, esses transtornos ambientais acontecem há muitos anos em relação ao Santos Dumont, cujas licenças de funcionamento dependem da atuação do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), órgão estadual sob a responsabilidade do governador Cláudio Castro. Não é possível imaginar que o governador possa permitir que essa situação piore, caso se efetive o plano de ampliar as operações do Santos Dumont. O Inea deve cumprir seu papel já, dizer qual é o tamanho que o Santos Dumont pode ter e estabelecer prazos para que se ajuste, com tempo para adaptações e sem surpresas, mas também sem frouxidão que permita evoluir o plano de destruição do Galeão.

O governador já mostrou empenho em relação à causa ao sancionar a lei que reduziu de 13% para 7% a alíquota de ICMS do combustível de aviação para voos que operam no Galeão. Agora chegou a vez de se juntar novamente ao presidente da Alerj e liderar um movimento decisivo para garantir os interesses do Estado do Rio, com ações concretas que incluem investimentos maciços na melhoria da segurança das vias que levam ao Galeão, especialmente a Linha Vermelha. É preciso também que o governador conjugue um esforço com todos os senadores e deputados federais para que todos, não poucos, atuem em conjunto na defesa dos interesses do Rio.

A história costuma ser grata aos estadistas e implacável com governantes omissos. Quando o Rio deixou de ser a capital federal, há seis décadas, quase não houve reação quanto às perdas que isso iria trazer à população. Hoje sabemos quanto custou para cariocas e fluminenses a decisão de Juscelino Kubitscheck e o silêncio dos políticos dos antigos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro. Depois, o Rio foi perdendo importância econômica, sofreu êxodo de empresas e bancos, viu a extinção da sua bolsa de valores. Na onda de privatizações, as sedes de antigas companhias foram para outros Estados, como a CSN que se tornou paulista. Talvez tenham faltado nesses momentos homens com coragem ou força para lutar pelo Estado. Já passou da hora de mudar essa história.

 


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