Exposição

Fotos revelam tempos de infância na terra do poeta Casimiro de Abreu

Em exposição gratuita no Centro Cultural Justiça Federal, fotógrafo José Diniz expõe lembranças vividas em Barra de São João, litoral norte fluminense

26 de novembro de 2018

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Foto de José Diniz mostra imagens que foram cenário para quadros de Pancetti (Foto: Divulgação)

Desde a infância, o niteroiense José Diniz, de 64 anos, se relaciona com o mar e com a fotografia. As pinturas marítimas de seu pai, os passeios de canoa em Barra de São João, terra do poeta Casimiro de Abreu no litoral fluminense ao norte da Região dos Lagos, ou as câmeras presenteadas pelos seus dois avós fundamentam seu imaginário. Essas lembranças estarão expostas a partir desta terça-feira (27), no Centro Cultural Justiça Federal.

A exposição inédita ‘Entre as Margens do Rio’, reúne trabalho visual e poético em que memória e o passado são traduzidos numa especial homenagem do artista para o seu pai. A mostra apresenta 51 obras entre fotografias, pinturas, instalações, objetos e vídeo, em que o fotógrafo reconstitui lembranças da infância às margens do Rio São João.

Com curadoria do fotógrafo Joaquim Paiva, um dos mais importantes colecionadores de fotografia do Brasil, a exposição é organizada em vários ensaios na parede como “Rio São João”, “Quadros do meu pai”, “canoas” e “Cacos”. Três vitrines mesclam trabalhos do fotógrafo e de seu pai. A entrada é gratuita e a mostra ficará ambientada até o dia 3 de fevereiro de 2019, no CCJF.

A mostra é o resultado das vivências do fotógrafo José Diniz com o seu pai José Maria Diniz, artista plástico e professor de desenho e geometria na Universidade Federal Fluminense, ambientadas às margens do Rio São João, rio que deságua em Barra de São João, onde navegar era uma obsessão. Além de   berço do poeta Casimiro de Abreu, a cidade bucólica que tem rio e mar é cenário de quadros de Pancetti.

“Frequentei Barra de São João desde muito pequeno. Vivi com os pés na água pescando, andando de canoa ou simplesmente vagando à beira-rio. Gostava de visitar um cemitério localizado na foz do rio. Restos de objetos, moedas, cacos de porcelana e até algemas foram encontrados enterrados nessa área. Fazer atividades de arqueologia era o meu divertimento. Todas estas experiências afetivas estão enfatizadas nesta exposição, revisando coisas que estão na minha memória em forma de poesia visual”, conta o fotógrafo.

 

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Obra retrata também peças que representam a memória afetiva do fotógrafo (Foto: José Diniz)

Pinturas e desenhos nostálgicos relembram o pai

José Maria Diniz produziu grande parte de sua obra neste lugar, transmitindo as possibilidades artísticas e exercendo forte influência na trajetória do filho José Diniz. A exposição é organizada em vários ensaios ‘na parede como “Rio São João”, “Quadros do meu pai”, “Canoas” e “Cacos”. Três vitrines mesclam trabalhos do fotógrafo e de seu pai.

“O que José Diniz explica sobre o seu trabalho nos ajuda, claro, a melhor entendê-lo e apreciá-lo. Mas a sua visualidade poética, a força e beleza de suas imagens dispensariam maiores explicações”, afirma Joaquim Paiva. “Arte tem a ver com obsessão, muito trabalho, disciplina, intensidade, a passagem do tempo. Há artistas que fazem o melhor da sua obra quando jovens, outros na maturidade”, afirma Joaquim Paiva.

Para o curador, “arte é coisa mental, inteligência, muita emoção, muita história pessoal, muita criação com a realidade e com os sonhos, com o mergulho nas nossas experiências e lembranças”. E Diniz soube traduzir muito bem o que é arte.

“É uma satisfação compartilhar com o público as imagens tão bem feitas, delicadas, silenciosas desta exposição. A ela se acrescentam as pintura e desenhos nostálgicos do pai deste artista sensível e dedicado a sua arte. Que estas imagens todas nos embalem a cada um de nós como na mente de Zé Diniz”, registra o curador.

VIDA E OBRA DO ARTISTA

José  fez o curso de pós-graduação em Fotografia na Universidade Candido Mendes-RJ e participou de cursos no MAM-Rio, EAV Parque Lage e no Ateliê da Imagem. O artista resolveu se dedicar à fotografia profissional em 2007. Rapidamente ganhou destaque no mercado de arte.

“Aprendi muito sobre composição, observando as técnicas de perspectiva no desenho e na pintura. O meu trabalho na fotografia é um reflexo da minha vida. Talvez por ter iniciado tardiamente a minha carreira nas artes visuais, quero compensar obsessivamente esse ‘gap’ revisando coisas que estão na minha memória em forma de poesia visual”, afirma o fotógrafo.

Publicou mais de uma centena de livros de artista, além das edições de arte “Literariamente” e os coletivos “SAARA Carioca” e “VAI-E-VEM”. Participou de exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior.

Em 2013 foi indicado pelo British Journal of Photography como “Ones to Watch in 2013”. Em 2012 foi contemplado com o Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia e em 2011 participou da III Bienal International Discoveries em Houston – Texas onde curadores do FOTOFEST escolheram 12 novos fotógrafos em vários países durante 2010/2011.

As imagens de Diniz fazem parte de várias importantes coleções particulares e estão no acervo de significativos museus como Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro/Coleção Joaquim Paiva e Museum of Fine Art of Houston.

“Os seus conjuntos fotográficos anteriores a esta exposição – Periscópio, Cerrado, Botafogo (Esquina e Voluntários) – são o contrário daquilo que a fotografia algumas vezes se presta a cumprir em alguns circuitos – o papel de mera ilustradora de um discurso, sim, teórico, mas não visual”, afirma o curador.

SERVIÇO:

ENTRE AS MARGENS DO RIO – José Diniz

Abertura: 27 de novembro, terça-feira, 19 horas

Período: 28 de novembro de 2018 a 3 de fevereiro de 2019, 12:00 às 19:00

CCJF – Centro Cultural Justiça Federal

Av. Rio Branco, 241 – Centro, Rio de Janeiro – RJ – (55 21) 3261-2550

De terça-feira a domingo, de 12h às 19h

 

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