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Economia

Fórum apresenta soluções para melhorar a vida no Porto

1º Fórum do Porto Maravilha teve mais de 200 participantes. Ausência da Caixa é criticada. Presidente da Fecomercio diz que desigualdade ameaça convivência

10 de dezembro de 2019


Antonio Queiroz, ao centro, durante palestra no 1º Fórum do Porto. Ao seu lado esquerdo, o presidente do Clube Empreendedor, Luis Cláudio Souza Leão (Foto: Clube Empreendedor)


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Nos debates do 1º Fórum de Soluções para o Porto Maravilha, empresários, autoridades e empreendedores presentes chegaram a pelo menos três consensos. Os dois primeiros, sobre a necessidade de iniciativas para elevar a qualidade de vida nas comunidades da região e também de novos empreendimentos residenciais para atrair moradores e, naturalmente, consumidores.

Já o terceiro consenso foi a crítica à ausência da Caixa Econômica Federal no evento, posto que ela investiu o dinheiro dos trabalhadores brasileiros no projeto de requalificação urbana do Porto e não deveria se ausentar das discussões sobre o futuro da região. O banco havia se comprometido a enviar representantes ao Fórum, mas desistiu dois dias antes de sua realização.

O evento foi uma realização do DIÁRIO DO PORTO em conjunto com o Clube Empreendedor, edifício Novo Cais e o jornal O Fluminense, com o apoio da Fecomércio RJ e da Band Rio. Cerca de 200 pessoas compareceram ao auditório, no Novotel do Porto Atlântico.

Fecomércio RJ defende urbanização do morro

O presidente da Fecomércio RJ (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio de Janeiro), Antonio Florencio de Queiroz Junior, foi o principal palestrante do painel que encerrou o Fórum e discutiu as perspectivas do turismo, da indústria cultural e a liberação dos cassinos em resorts integrados.

A mediação do painel foi feita por Luís Cláudio Souza Leão, presidente do Clube Empreendedor. Participaram o vice-governador do Estado, Cláudio Castro; o procurador-geral do Estado, Marcelo Lopes; Paulo Protásio, presidente da Câmara Rio, e o deputado federal Hugo Leal.

Queiroz foi enfático sobre a necessidade urgente de se tomar medidas que beneficiem os moradores das comunidades, por meio de obras de urbanização. “Não existe a possibilidade de diferenças sociais tão gritantes conviverem harmoniosamente no mesmo espaço. Se não fizermos um trabalho para todos os moradores da região, vamos repetir no Porto o erro que já ocorreu nas outras áreas da cidade”, afirmou.

Luís Cláudio Souza Leão afirmou que o estímulo ao empreendedorismo é um poderoso instrumento para a geração de empregos e renda, o caminho mais consistente para a redução das desigualdades. “O Porto tem essa vocação, aponta para o futuro do Rio. Temos que aproveitar os encontros neste Fórum para traçar caminhos comuns em busca de uma sociedade melhor para todos”, afirmou.


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O Porto Maravilha é um projeto no qual foram investidos cerca de R$ 8,5 bilhões de recursos do FGTS. A Caixa é a gestora do fundo investidor. Com esse dinheiro, foram realizadas obras de requalificação urbana em cinco bairros da Região Portuária, com redes de esgoto, túneis, avenidas, iluminação e implantação de fibra ótica. Porém, pouco foi feito na maior comunidade da região e primeira favela do Brasil, o Morro da Providência, e no Morro do Pinto.

O procurador-geral do Estado, Marcelo Lopes, também enfatizou a necessidade de promover a integração dos moradores das comunidades nos grandes empreendimentos do Porto Maravilha, como forma de democratizar os investimentos públicos e privados feitos na região.

Cassinos em resorts

Procurador geral e vice-governador
Procurador geral e vice-governador em painel sobre economia criativa

O vice-governador Cláudio Castro apresentou números que mostram um crescimento da ocupação dos hotéis no Rio, o que, segundo ele, é reflexo também de ações do Governo do Estado. Entre as iniciativas para fortalecer o setor, ele declarou que a gestão Wilson Witzel é totalmente favorável à legalização dos cassinos no país.

Os modelos em discussão no Congresso para a legalização dos jogos foram apresentados pelo deputado federal Hugo Leal (PSD-RJ). Ele defendeu que a melhor solução é aprovar o projeto de lei 442/1991 da Câmara de Deputados. O projeto autoriza cassinos somente em resorts integrados, que são complexos turísticos com hotéis, centros de convenções, casas de shows e shoppings. Os estabelecimentos para jogos só podem ocupar 5% da área.

Deputado critica ausência da Caixa

O deputado criticou duramente a atitude da Caixa Econômica Federal de cancelar de véspera sua participação no Fórum. “Todos vieram trazer suas perspectivas em busca de uma sinergia. Eles deveriam ser os principais incentivadores desse encontro. Eu até fico preocupado se não estão agindo de má fé. Isso significa a desídia, ou pior ainda, para mim isso pode ser interpretado como se eles não tivessem mais interesse em recuperar os recursos que investiram aqui”, comentou Hugo Leal.

Paulo Protásio, da Câmara Rio
Paulo Protásio, da Câmara Rio

Paulo Protásio, presidente da Câmara Rio, também lamentou a ausência da Caixa e elogiou a iniciativa do DIÁRIO DO PORTO e do Clube Empreendedor de realizar o Fórum. Apaixonado pelo Rio, ele disse que o Porto Maravilha “está de frente para toda a capacidade de integração da região metropolitana” e defendeu um “pacto de responsabilidade” para integrar toda a população da Região Portuária ao progresso e transformar a Baía de Guanabara na “porta de entrada para o resto do mundo” no ano que vem, quando o Rio sedia o Congresso Mundial de Arquitetura.

Mais cedo no Fórum, durante o terceiro painel do evento, o arquiteto Marcelo Conde, da STX Desenvolvimento Imobiliário, chegou a mostrar um projeto de resort integrado no Porto Maravilha. A ideia já foi apresentada no início do ano ao megaempresário americano Sheldon Adelson, que investe em cassinos pelo mundo e manifestou interesse em fazer um empreendimento no Rio.