Força da Bahia no trio de ouros com gosto de fim de festa | Diário do Porto


Nas esquinas de Tóquio

Força da Bahia no trio de ouros com gosto de fim de festa

Pela primeira vez na história, Brasil conquista três medalhas de ouro no mesmo dia. Vitórias têm uma coisa em comum: a Bahia

7 de agosto de 2021

Isaquias com um dos ouros que o Brasil faturou em menos de 24 h (Miriam Jeske/COB)

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Nas esquinas de Tóquio

Vicente Dattoli

No início, era o remo.

Quando os Jogos Olímpicos retornaram na Era Moderna, em 1896, o Brasil era o país das regatas. Todos os grandes grêmios associativos de então, os clubes, eram voltados para as práticas do remo.  Clubes de regatas, apenas.

Mas com a chegada da bola trazida por Charles Miller começaram aos poucos pipocar times de futebol por aí. No Rio, Oscar Cox decidiu unir alguns amigos e criar o  Fluminense Football Club, em 1902, na então capital da República. Claro que não poderia imaginar o que viria a partir daí.

Hoje, o Brasil é o único país do planeta que participou de todas as Copas do Mundo e conquistou cinco títulos mundiais. De quebra, agora, é duas vezes campeão olímpico masculino.

Sim… Se por anos ouvimos que faltava a medalha de ouro olímpica para fechar nossa coleção de títulos, agora podemos dizer que ganhamos duas vezes. E em seguida.

Daniel Alves e cia comemoram Bi campeonato olímpico do Brasil (Lucas Figueiredo/CBF)

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Bahia neles!

Com a vitória deste sábado, sobre a Espanha, na prorrogação, o Brasil iguala os feitos da Grã-Bretanha (1908/1912), Uruguai (1924/1928), Hungria (1964/1968) e Argentina (2004/2008), que também faturaram o ouro olímpico duas vezes consecutivas.

E se esta medalha de ouro tem um nome, não há como ignorar o baiano Daniel Alves, veteraníssimo, o homem com mais títulos na história do futebol. Um baiano que deixou sua terra para conquistar o mundo.

Cox e Miller, definitivamente, estavam certíssimos ao afastar o Brasil das águas e colocar a bola para rolar.

E escrevo isso no dia em que Isaquias Queiroz conquistou sua quarta medalha olímpica – a primeira de ouro. Mas não foi no remo, não. Foi na canoagem, no C1, mil metros…

Isaquias, baiano bom da gota serena como Daniel Alves, ganhara três medalhas na Rio 2016. Nenhuma de ouro, então. Agora, já tem seu o também.

E ele mesmo dissera, dias antes, que estava seco por esse tom dourado na sua história olímpica.

Herbert Conceição faz história e mostra a força da Bahia em Tóquio (Wander Roberto/COB)

Como dourada é a medalha que preenche o peito de outro baiano, Hebert Conceição, no boxe.

Ao bater o ucraniano Oleksandr Khyzhniak, com um nocaute no terceiro round da final dos pesos médios, esse “nobre guerreiro” (ele assim se define) provou que nossos caminhos estão no povo, na superação, no grito da torcida, nos punhos, nos braços e nas pernas.

Uma vontade de vencer tipicamente brasileira, que, infelizmente, parece ter ficado distante dos meninos do vôlei nesta edição olímpica. Que as meninas façam diferente mais tarde contra as velhas rivais americanas.


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