Flup destaca feminismo negro e poesia falada | Diário do Porto


Literatura

Flup destaca feminismo negro e poesia falada

O MAR recebe a partir desta quarta 16 a Festa Literária das Periferias (Flup), que homenageará o poeta Solano Trindade. Veja a programação completa

14 de outubro de 2019

Solano Trindade: poeta homenageado pela Flup 2019

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Símbolo da herança africana no Rio de Janeiro, a Região Portuária recebe a 8ª edição da Festa Literária das Periferias (Flup). De 16 a 20 de outubro, o festival desembarca no Museu de Arte do Rio (MAR) e lança luz sobre o feminismo negro e a poesia falada na primeira e maior competição de poesia falada da América Latina. A entrada será gratuita, e as principais mesas terão tradução em Libras.

O homenageado da Flup será o poeta pernambucano Solano Trindade, pioneiro na arte “assumidamente negra” no Brasil. Artista múltiplo, Trindade foi responsável pelo I Congresso Afro-Brasileiro, em 1934, no Recife. Fundou também a Frente Negra Pernambucana e o Centro Cultural Afro-Brasileiro. O Teatro Folclórico Brasileiro, criado em 1944, teve suas digitais.

“Solano era um artista múltiplo, que ora recorria à poesia, ora ao teatro, ora às artes plásticas, sempre usando o fazer artístico para tornar esse mundo um lugar melhor para nossos filhos. Daí uma programação que foi muito além de um festival literário, namorando com o slam, a performance, a música e as artes plásticas”, destaca Julio Ludemir, um dos fundadores da Flup.

O ator e escritor Lázaro Ramos na 7ª edição da FLUP (Foto: divulgação)

Mulheres negras são destaque

Na quarta-feira 16, a Festa Literária abre a programação com a tradicional revoada de balões na Praça Mauá. A primeira mesa – “Por que umas e não outras?” – terá Cidinha da Silva, Flávia Oliveira, Giovana Xavier e Márcia Licá, com mediação de Ana Paula Lisboa. Abordará a leitura como instrumento de mobilidade social e os desafios de fazê-la chegar à periferia.

À noite, nos Pilotis do MAR, familiares de Solano Trindade apresentam suas poesias e Lenine faz show em homenagem ao centenário de Jackson do Pandeiro.

No dia 17, a partir das 14h, haverá apresentação do poeta Bruno Black (Xexelento da Peri) e a mesa “Questão de Cor”, sobre os negros no mercado das artes. Em seguida, em “Meu corpo, meus versos”, duas potentes vozes do feminismo negro, Akua Naru e Preta Rara, discutem o machismo e as mudanças no rap desde que a mulher se apropriou de suas ferramentas.

O terceiro dia de Flup chega para questionar o racismo e a discriminação. Na mesa “A carne mais barata do mercado não é mais a carne negra”, importantes integrantes dos movimentos AfropunkBlack Lives Matter, Ami Weickaane e Funmilola Fagbamila, debatem o ativismo negro.

No sábado 19, a Flup Parque tem programação infantil a partir das 10h. O sarau “Amanhã será melhor” ocupa o auditório com a declamação de poemas de Solano Trindade por estudantes da unidade Engenho de Dentro do Colégio Pedro II.

No último dia (20),  a programação infantil tem oficina em homenagem a Malala, paquistanesa que enfrentou a violência do Talibã pelo direito de estudar. Ao fim da tarde, a mesa “Ocupação do teatro negro — de repente, o main-stream” mostra que os artistas negros venceram as fronteiras do gueto, a exemplo de sucessos como Dona Ivone Lara, Cartola e Elza Soares.

A força da poesia

Realizado desde 2014, o Rio Poetry Slam é a primeira e maior competição de poesia falada da América Latina e um dos grandes destaques do festival. A sexta edição terá como novidade o fato de que seus 15 participantes serão mulheres negras, tanto nas batalhas internacionais quanto nas nacionais.

Durante os cinco dias, as batalhas de poesia falada se dividem entre a Casa Porto e o Museu de Arte do Rio, das 14h às 22h. A grande final será no domingo 20, no MAR, às 20h.

Para fechar a programação, a Festa Literária das Periferias encerra com o já tradicional “abraçaço” – inspirado na música de Caetano Veloso, propõe que equipe, artistas e troquem um emocionante abraço depois da última atividade.

A Flup é uma realização de Ministério da Cidadania, Prefeitura do Rio, Secretaria Municipal de Cultura, Lei Municipal de Incentivo à Cultura – Lei do ISS e Museu de Arte do Rio.

Serviço

Endereço: Museu de Arte do Rio (MAR) – Praça Mauá, Centro, Rio de Janeiro
Horário: das 14h às 23h30 (quarta, quinta e sexta) e das 10h às 23h30 (sábado e domingo)
Entrada: Grátis
Para mais informações, visite o site da FLUP: http://flup.net.br/

 


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