Sustentabilidade

Floresta do Camboatá: STF autoriza audiência para autódromo no Rio

Ambientalistas querem proteger Floresta do Camboatá e pedem autódromo em outro local. Audiência virtual é parte do processo que pode autorizar a obra

19 de julho de 2020
Floresta do Camboatá tem mais de 200 mil árvores e é a última área plana de Mata Atlântica na cidade (foto: SOS Floresta do Camboatá / Facebook)

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Mais um passo foi dado no projeto que visa derrubar a Floresta do Camboatá, no bairro de Deodoro, Zona Oeste do Rio, para a construção de um autódromo. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, cassou a liminar obtida pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ) que impedia a realização de audiência pública virtual sobre os impactos ambientais da construção.

A audiência pública é parte obrigatória dos procedimentos legais para autorizar a construção do autódromo, que a Prefeitura do Rio e a Rio Motorsports, empresa realizadora do projeto, querem que seja a sede do GP do Brasil de Fórmula 1 e de competições de motovelocidade.

Prevista para março como uma reunião presencial, a audiência pública foi adiada por causa da pandemia do novo coronavírus. Como alternativa, foi programado um evento virtual, que foi suspenso pela contestação do MP-RJ na Justiça. Agora, a decisão do STF permite que o evento seja realizado.

A aprovação de um estudo de impacto ambiental (EIA-Rima) na audiência pública, na qual participam todas as partes envolvidas, inclusive representantes da sociedade, é fundamental para a continuidade do contrato entre a Prefeitura e a Rio Motorsports. Agora, falta marcar a data da audiência.

Floresta do Camboatá tem 200 mil árvores

A Floresta do Camboatá é descrita como a última grande área plana remanescente da Mata Atlântica na cidade do Rio, contendo cerca de 200 mil árvores.

Ativistas que defendem a floresta dizem que não são contra o autódromo, mas que ele deve ser construído em outro lugar, no próprio bairro, em áreas utilizadas durantes os Jogos Olímpicos ou em campos de exercícios militares do Exército.

Em fevereiro passado, lançaram um vídeo para reforçar o posicionamento do grupo. Veja em https://www.youtube.com/watch?v=7Jn_uY3lw68


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A concorrência para a concessão e construção do autódromo foi realizada em maio de 2019 e só teve um concorrente, a Rio Motopark, atual Rio Motorsports. Essa empresa se disse capaz de realizar o projeto a tempo de receber a corrida de Fórmula 1, no próximo ano, com uma pista de 5 km adequada para automobilismo e motociclismo.

Pelas regras da concorrência, coube à própria empresa contratar uma empresa especializada para a confecção do EIA/Rima, o que foi feito pela consultoria Terra Nova.

Espécies ameaçadas de extinção

No ano passado, o Ministério Público Federal moveu uma ação civil pública contra a construção do autódromo na Floresta do Camboatá, dizendo que a vegetação encontrada lá está entre as mais ameaçadas de extinção.

O próprio relatório da Terra Nova mostra que na Floresta do Camboatá são encontrados exemplares extremamente raros de árvores como jequitibá, jacarandá, braúna e grápia, além de animais como mão-pelada, saira-sapucaia, trinca-ferro, capivara e jacaré-do-papo-amarelo.