Fliperamas vão invadir a Praça Mauá em festival high tech

Primeiro festival de arte generativa e creative coding do país apresenta no domingo (16) mais de dez atrações em um circuito expositivo ao ar livre. O evento, embalado pelo DJ Bruno Eppinghaus, contará com instalações interativas, performances e intervenções artísticas presenciais

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O Flipper de Rua é uma das atrações do festival Multiverso na Praça Mauá (Foto: Divulgação)

A Praça Mauá vai ser “invadida” no próximo domingo (16), das 15h às 21h, por máquinas de fliperamas, criando uma verdadeira arena de jogos em praça pública. O objetivo é conectar as diferentes gerações, reavivar as memórias dos antigos fãs do gênero arcade, e ao mesmo tempo, proporcionar novas experiências para os jogadores mais novos por meio de uma seleção de jogos independentes que discutem a realidade brasileira e que resgatam a rica estética de jogos eletrônicos clássicos.

Criado por Marlus Araujo e Caio Chacal, com colaboração dos artistas André Anastácio, Diego Leal, Raissa Laban, Alan Fecury e Jonathan Menezes, Flipper de Rua é uma das novidades do Multiverso, um festival que mostra como códigos de programação e novas tecnologias podem ser transformados em arte e soluções criativas para o espaço público.

Entre os trabalhos, há uma escultura luminosa inspirada na lenda do boitatá, pipas paramétricas, jogos ressignificados em praça pública e arte cinética. A coordenação geral do festival é da produtora cultural Gisele Andrade e a curadoria é de Igor Abreu.

Mas o que é arte generativa? O termo refere-se às obras de arte sintetizadas e construídas a partir de sistemas previamente definidos, sejam eles analógicos ou digitais, e isso inclui, por exemplo, a sofisticada tessitura realizada pelo bicho-da-seda. Os algoritmos de software de computadores, processos químicos, físicos e biológicos (como a fermentação), ou ainda o crochê são outros exemplos.

Esse modelo de criação artística tem como suporte um sistema autônomo, que pode determinar de forma independente os resultados do trabalho, sem interferência do artista. No caso, um conjunto de regras processuais é que gerará a obra. A arte generativa costuma servir aos artistas como meio de evitar a intencionalidade. Em alguns casos, o criador humano pode afirmar que o sistema gerador representa a sua própria ideia e, em outros, que o sistema assume o papel de autor. É a cessão do controle parcial ou total do resultado estético para o sistema que o realiza.

A dupla explica que o Multiverso é um projeto carioca pioneiro dedicado a um eixo temático da cultura digital ainda pouco explorado no Brasil: a interseção entre arte generativa e creative coding, tipo de programação computacional de cunho mais lúdico e artístico, voltado à criação de softwares criativos e expressivos, e não somente funcionais.

“Tendo como principais pilares arte, tecnologia e sociedade, o festival pretende debater como os códigos de programação e as novas tecnologias podem ser transformados em arte e soluções criativas, a fim de tornar o espaço público mais funcional e acolhedor. A intenção da iniciativa é promover experiências imersivas focadas em democratizar o acesso e estimular tanto a produção criativa, quanto a pesquisa nesse segmento das artes visuais”, explicam.

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Ludotecnia é uma das atrações do festival Multiverso (Foto: Divulgação)

Confira as atrações do festival na Praça Mauá

Imagine poder vestir uma estrutura robótica que dialoga com pedestres na rua sobre questões filosóficas e sociais, a partir de sua inteligência artificial pautada nas ideias de Platão e Sócrates. Imagina ainda a cidade como um grande quadro a ser pintado coletivamente, em tempo real, por meio da sobreposição constante de cores e pixels. Ou um aplicativo que envia poesia por mensagem, enquanto os usuários transitam por pontos estratégicos da cidade. Confira as atrações:

Platron – Uma escultura robótica que dialoga com pedestres na rua sobre questões filosóficas, sociais e cotidianas por meio de sua inteligência artificial, que foi programada a partir do pensamento de grandes pensadores da história da Humanidade. O trabalho foi desenvolvido por Marlus Araujo e Caio Chacal, tendo como colaboradores os artistas Frado Monteiro, Gabriel Jorge dos Santos, Lala Costa, Joyce Fernandes, Alberto Harres e André Anastácio.

Bicho – De Igor Abreu, com os artistas colaboradores Beatrice Catarine, Brisa Lima, Cassia Lyrio, Saulo Rocha, Caio Chacal, Tainá Simões. É uma escultura luminosa criada por eletrônica criativa e inspirada no mito do Boitatá, serpente de fogo do folclore brasileiro. A performance é acompanhada de uma trilha musical e faz a condução do público entre os outros números.

Trançado – Criado por Tainá Simões, com apoio de Wendel Anthuny Ribeiro de Amorim e Leandro Belém de Assis, trata-se de uma projeção mapeada sobre uma composição feita em bordado sobre uma tela. A composição dialoga com o histórico e a identidade negra relacionados ao Cais do Valongo.

O Kinectic Lab é uma das atrações do festival Multiverso na Praça Mauá (Foto: Divulgação)

PixelBattle – Imagine a cidade como um grande quadro a ser pintado coletivamente, em constante transformação por meio da sobreposição contínua de pixels e cores. A batalha é uma provocação sobre o quanto conseguimos ser colaborativos”, explicam seus criadores Carlos Oliveira, Chris Lima e Cristian C. Mello.

Vevir – Criado por Harrison Mendonça, é um pequeno ser que habita nas árvores e responde aos sentidos da visão e da audição para demonstrar o algoritmo genético usando holografia e som.

Banco de dados – Buscando materializar o invisível por meio de uma escuta que exercita a cidadania, esta obra torna audíveis leituras da cidade por meio da voz e da vivência de moradores de rua da cidade do Rio de Janeiro. As histórias compartilhadas por personagens das ruas serão amplificadas em peças do mobiliário urbano (como, por exemplo, um banco de praça). A instalação é de André Anastácio, Caio Chacal e Carlos Meijueiro, tendo como colaboradores Alberto Harres e Victor Zanon.

Aeroscópio – Muitas relações geométricas presentes em padrões da natureza são analisadas e colocadas em prática nas formas experimentadas neste projeto desenvolvido por  Gabriela Castro e Marcos Spindola. As pipas tridimensionais trazem uma visualização inusitada de formas paramétricas para os visitantes, ao mesmo tempo em que jogam com a imprevisibilidade de sua performance no ar, já que também dependem de fatores naturais locais.

Motor – O aplicativo criado por Igor Abreu possibilita que poetas convidados associem versos a pontos geolocalizados da cidade. O público que instalar o aplicativo poderá revelar os versos escondidos conforme for transitando pela cidade, recebendo-os através de uma notificação.

Controle – Criada por Alberto Harres e Companhia Volante, a instalação leva o público a uma sequência de experimentações cênicas, explorando o corpo no espaço urbano por meio de dispositivos tecnológicos, seguindo veículos em trânsito na busca das rotas de fuga da sociedade de controle.

TechnoLab – Formado pelo artista Tom Huet e os integrantes da TechnoBrass, TechnoLab é um laboratório de criação experimental que se caracteriza por atuar na rua ou em espaços inusitados. Interagindo com obras de artes visuais, sopros seguem o beat pulsante de percussões em liberdade total, criando melodias e dinâmicas a partir da interação com o público e o espaço alcançável.

 

 

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