Firjan: monopólio da Petrobras no gás é nocivo para o Rio | Diário do Porto


Petróleo e Gás

Firjan: monopólio da Petrobras no gás é nocivo para o Rio

Aumento dos preços do gás natural coloca em risco continuidade de indústrias que geram 40 mil empregos no Estado. Alta também afeta consumidores de GNV

21 de fevereiro de 2019

Queda do preço ameaça Petrobras e acende alerta de recessão no Rio (Foto: Fernando Frazão/Ag. Brasil)

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A Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) elaborou um estudo que aponta o monopólio exercido pela Petrobras na produção e distribuição de gás natural como um fator nocivo para a economia fluminense.

Nos últimos dois anos, houve um aumento de 95% nos preços do gás para as indústrias que fazem uso intensivo desse combustível no Estado. Isso colocaria em risco a continuidade de seus negócios e de aproximadamente 40 mil empregos, com destaque para os setores de produção de aço, vidro e sal.

O coordenador de Conteúdo Estratégico da gerência de Petróleo, Gás e Naval da Firjan, Thiago Valejo Rodrigues, explica que a situação piorou desde a implementação do novo modelo contratual na região Sudeste, chamado de Contrato Renegociado, pela Petrobras, a partir de janeiro de 2016.

“Até conseguir ter um mercado dinâmico, com mais fornecedores e uma tarifa menor, a indústria precisa sobreviver”, afirma Valejo, analisando os impactos dos aumentos de preços do gás para o setor industrial.

O estudo da Firjan, “Gás natural: impactos socioeconômicos para o Rio de Janeiro”, afirma que a Petrobras usa seu poder continuamente para atender apenas as suas necessidades, sem que haja preocupação com os reflexos na cadeia produtiva. Esse modelo de precificação teria gerado nos últimos dois anos um custo de R$ 1,6 bilhão para os consumidores de gás no Estado.


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A situação afeta as atuais indústrias que dependem do gás e inibe novos investidores industriais, criando um círculo vicioso que também desestimula empresas do setor do petróleo e gás. Elas poderiam tentar competir contra o atual monopólio, mas não encontram atração em um mercado consumidor que está reduzindo de tamanho.

Os impactos negativos são sentidos de maneira semelhante pelos consumidores de GNV (Gás Natural Veicular). Segundo o estudo da Firjan, no Rio de Janeiro esse combustível teve alta de 25% nos preços cobrados nos postos de distribuição, durante o último ano, enquanto a gasolina e o diesel tiveram aumento de 8% e 4%, respectivamente.

Essa alta expressiva do gás teria sido a causa da queda de 30% na instalação de novos kits GNV para veículos, em dezembro de 2018, quando comparado com o mesmo mês em 2017.

“Comumente, dezembro é um mês de pico, pois é o último mês para que o motorista tenha direito ao benefício de desconto no Imposto Sobre Propriedades de Veículos Automotores – IPVA”, aponta o estudo, concluindo que essa redução representou perda de R$ 25 milhões no faturamento das indústrias instaladoras de Kit GNV fluminenses.

Para resolver os problemas, a Firjan afirma no estudo que é “absolutamente necessária a adoção de medidas de revisão da regulamentação atual” do setor. Essas mudanças seriam capazes de estimular novos investimentos para sustentar a “demanda firme pelo gás” no Estado do Rio, com a expansão de usinas de geração de eletricidade, plantas petroquímicas e de fertilizantes.


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