Filhote de anta nasce na Reserva Ecológica de Guapiaçu | Diário do Porto

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Filhote de anta nasce na Reserva Ecológica de Guapiaçu

Com 6 meses, filhote de anta é o primeiro a nascer livre na reserva, em Cachoeiras de Macacu. Projeto reintroduz a espécie, extinta no Rio há 100 anos

19 de julho de 2021


Anta filhote se alimenta na Reserva Ecológica Guapiaçu, em Cachoeiras de Macacu (foto: Divulgação)


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por Daniela Matta

A suspeita já estava no ar com fortes indícios e uma enorme expectativa. A confirmação, no entanto, veio apenas no final de junho. A anta Flora realmente havia tido um bebê que agora, com aproximadamente 6 meses, foi flagrado pela primeira vez na floresta passeando ao lado da sua mãe. Um momento de muita comemoração para os pesquisadores. O nascimento do filhote de anta representa a confirmação de que o processo de recuperação da Reserva Ecológica de Guapiaçu (REGUA), em Cachoeiras de Macacu, é um caso de sucesso na recomposição da Mata Atlântica.

Veja o video, com o passeio do filhote de anta, aqui.

“O nascimento de um novo filhote é sinal de que a reintrodução está no caminho certo. A equipe ficou muito feliz e torce para que todo ano sejamos surpreendidos com o nascimento de novos filhotes”, comemora Maron Galliez, professor do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) e coordenador do projeto.

O novo morador da Regua é filhote da Flora e do Júpiter, antas reintroduzidas na natureza em 2018, vindas do Parque Ecológico Klabin, no Paraná. Ele foi flagrado pelo sistema de monitoramento das antas, realizado de forma remota por meio de “armadilhas fotográficas”. Esse sistema é fundamental para os pesquisadores que, assim, podem acompanhar e avaliar a condição dos animais. Em abril, uma parceria do Projeto Guapiaçu (que é patrocinado pela Petrobras) com o Projeto Antropopausa, (apoiado pelo National Geographic Society) ampliou a área de monitoramento. Hoje, são 38 os pontos de monitoramento espalhados pela reserva e por áreas do entorno.

“Nossa meta é continuar reintroduzindo antas na floresta para que, assim, tenhamos segurança de que estamos estabelecendo uma população viável, que não precisa da intervenção humana para se alimentar” afirma Maron Galliez.

Anta foi extinta no Rio há mais de 100 anos

O trabalho de reintrodução envolve uma temporada em área cercada na reserva para o período de aclimatação. As antas foram extintas no Estado do Rio de Janeiro há mais de 100 anos devido à caça predatória e ao desmatamento e sua reintrodução na Reserva Ecológica de Guapiaçu teve início em 2018, com a soltura de 3 animais. Ao todo, já foram devolvidos ao seu habitat natural 11 antas, com nascimento de um filhote em 2020. Apesar de 4 animais terem morrido, os remanescentes estão aclimatados e contam com o apoio, inclusive, dos moradores do entorno da reserva.

O Projeto Guapiaçu tem como objetivo o fortalecimento do ecossistema da bacia dos rios Guapi-Macacu. Por meio das ações de restauração florestal, reintrodução de fauna, educação ambiental e monitoramento da água, demonstra-se a relação entre a restauração ecológica e o serviço de provisão de água de qualidade na bacia hidrográfica.


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