Fantasia de atriz levanta polêmica do 'couro sintético' | Diário do Porto

Indústria criativa

Fantasia de atriz levanta polêmica do ‘couro sintético’

Centro das Indústrias de Couro do Brasil protesta contra uso da palavra “couro” para a fantasia de material sintético de Deborah Secco

28 de fevereiro de 2020
Deborah Secco no Carnaval 2020 (Instagram)

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A fantasia usada pela atriz Deborah Secco no Carnaval deste ano no Sambódromo não agitou só os fãs e o público. O minimalismo de tiras do chamado “couro sintético” despertou também as atenções do mercado de exportação, especialmente o Centro das Indústrias de Couro do Brasil (CICB). A entidade lembra que, desde 1965, a Lei nº 4.888 proíbe utilizar a palavra “couro” para produtos que não sejam de origem animal.

Material sintético, na maioria das vezes, vem do petróleo, danoso ao meio ambiente. Muitos ambientalistas, no entanto, apontam a criação de gado como uma das piores atividades para o ao meio ambiente. O rebanho bovino brasileiro emite cerca de 17% do gás carbônico no Brasil, considerando apenas as emissões diretas, sem contar o desmatamento para a implantação de pastagens, segundo o SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa).

Heroínas inspiraram as belas fantasias da atriz no Carnaval do Sambódromo. A de segunda-feira, feita com as tiras em questão, ainda tinha uma capa preta, mas não teve inspiração em uma personagem específica. “É uma heroína que defende que a mulher pode ser o que ela quiser”, simplificou a rainha do camarote Allegria.


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O presidente do CICB, José Fernando Bello, argumenta que os curtumes são positivos para a preservação do meio ambiente. “Se não fosse a indústria de couro, os frigoríficos teriam que enterrar milhões de peles de boi, causando um desastre ambiental sem precedentes nos lençóis freáticos” diz Bello. As exportações de couro geraram US$ 1,2 bilhão em 2019. A indústria de curtume brasileira processa 40 milhões de peles por ano, 79% para o mercado externo. “Além de gerar divisas, o setor não agride a natureza”, diz Bello.

 

O presidente do CICB, José Fernando Bello
O presidente do CICB, José Fernando Bello

Ele acrescenta que o Brasil tem um selo de qualidade (Certificação de Sustentabilidade do Couro Brasileiro – CSCB) que credencia o couro brasileiro nos mercados mais exigentes. De acordo com os dados do CICB, 72% dos curtumes têm profissional próprio e consultoria terceirizada que se ocupam exclusivamente em melhorar as questões ambientais.