Cultura e Lazer

Façanhas de Rosa Magalhães ganham exposição

Exposição no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica homenageia a carnavalesca Rosa Magalhães a partir do dia 8. Mostra conta com mais de 30 artistas

5 de fevereiro de 2019
Rosa Magalhães é a maior campeã do Carnaval na era do Sambódromo (foto EBC)

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Entre os carnavalescos, nomes como Jorge Silveira e Jack Vasconcelos estão confirmados na produção de objetos inéditos para a exposição. Já nas artes plásticas, Leila Danziguer e Thiago Santana mostrarão as obras “Balangandãs” e “Refino”, que dialogam sobre a História do Brasil. 

Além disso, a grande homenageada aproveitará a mostra para autografar seus livros lançados pela editora NovaTerra. Um deles é o mais recente “E vai rolar a festa”. O carnavalesco Fernando Pamplona, quem a levou ao carnaval, também ganhará homenagem: um desenho de sua autoria para um enredo do Salgueiro de 1990 está entre a lista de obras.


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Para completar o time de peso, profissionais que trabalharam com Rosa Magalhães, como aderecistas, figurinistas e projetistas, têm presença garantida. Entre eles, o coreógrafo Fábio de Mello, responsável por marcantes Comissões de Frente na década de 1990. Lícia Lacerda, com quem Rosa dividiu a assinatura dos seus desfiles na década de 1980, também participará.

Por fim, um último destaque da mostra será a exibição de figurinos da Portela para o carnaval deste ano, dentro do enredo “Na moderníssima Madureira, sempre hei de ouvir cantar um sabiá”, em homenagem a Clara Nunes.

“É vital eventos que busquem valorizar as escolas de sambas entre as instituições e os espaços artísticos, ainda mais num período de crise para os desfiles. Homenagear Rosa Magalhães fala de sua importância não só na folia, mas nas artes plásticas como um todo, visto sua atuação em diversas manifestações, como a TV, o teatro e diversas outras linguagens. Mais do que carnavalesca, ela é um dos maiores nomes em atividade da arte brasileira”, diz Leonardo Antan, curador da mostra.

As conquistas de Rosa

Rosa Lúcia Benedetti Magalhães é professora, artista plástica, figurinista, cenógrafa, carnavalesca e papa-prêmios na Sapucaí. É a maior detentora de títulos na era Sambódromo. Foi campeã em 1982 (antes do Sambódromo),1994, 1995, 1999, 2000, 2001 e 2013. Atualmente, está na Portela.

A arte e o refinamento estão no DNA de Rosa Magalhães. Afinal, ela é filha do escritor e acadêmico Raimundo Magalhães Júnior e da autora teatral Lúcia Benedetti. Formada em Pintura pela Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro e em Cenografia pela Escola de Teatro da Uni-Rio, foi professora na Escola de Belas Artes da UFRJ e da Faculdade de Arquitetura Benett.

Rosa começou no carnaval em 1971, com o Salgueiro dos mestres Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues. Ao seu lado estavam os novatos Maria Augusta, Lícia Lacerda e Joãosinho Trinta. Desenhou para a Beija-Flor, trabalhou na Portela e assumiu, em 1982, o carnaval do Império Serrano com Lícia Lacerda. Foi o ano do estrondoso enredo “Bumbum Paticumbum Prugurundum”.

Em 1984, a dupla colocou a Imperatriz Leopoldinense em quarto lugar, e em 1987 fizeram o “Tititi do sapoti”, na Estácio de Sá. Ficou na escola em 1988 e 1989. De volta ao Salgueiro como titular, conquistou o terceiro lugar em 1990 e o vice-campeonato em 1991.

De 1992 a 2009, atingiu o ápice, conquistando cinco dos oito campeonatos que a Imperatriz Leopoldinense ostenta. Aliás, é dela o primeiro tricampeonato da Era Sambódromo (1999, 2000 e 2001).

Vencedora do Prêmio Emmy

Alguns dos desfiles lendários: “Marquês que é marquês do saçarico é freguês” (vice-campeã, 1993), “Catarina de Médicis na corte dos Tupinambôs e Tabajeres” (campeã, 1994), “Mais vale um jegue que me carregue que um camelo que me derrube, lá no Ceará” (campeã, 1995), “Leopoldina, Imperatriz do Brasil” (vice-campeã, 1996), “Quem descobriu o Brasil, foi seu Cabral, no dia 22 de abril, dois meses depois do carnaval” (campeã, 2000) e “João e Marias” (6º lugar, 2008).

Em 2010, Rosa Magalhães assumiu a União da Ilha, conseguindo mantê-la no Grupo Especial. No ano seguinte, tomou conta da Vila Isabel, que ela faria campeã em 2013 com o enredo “A Vila canta o Brasil celeiro do mundo – água no feijão que chegou mais um…”. No ano seguinte, juntou-se à Mangueira e, em seguida, ficou três anos na São Clemente.

Em 2016, Rosa Magalhães foi ainda a responsável pela cerimônia de Encerramento das Olimpíadas do Rio, no Maracanã. Ela já havia abiscoitado o Prêmio Emmy de melhor figurino pela assinatura da cerimônia dos Jogos Panamericanos de 2007. No carnaval de 2018, desenvolveu o enredo “De repente de lá pra cá e dirrepente daqui pra lá”, contando a história de judeus e europeus no Recife dos holandeses no século XVII.

SERVIÇO

“Uma delirante celebração carnavalesca: o legado de Rosa Magalhães”
Dia 08/02/2018 – A partir das 17h
Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica
Rua Luís de Camões 68, Praça Tiradentes

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