Fábrica de Startups quer capacitar 11 mil jovens de favelas do Porto

 

Instalada no Aqwa Corporate, um dos mais modernos edifícios corporativos do Porto Maravilha, construído pela Tishman Speyer, a aceleradora Fábrica de Startups pretende dar suporte e incentivar o empreendedorismo em todo o Estado do Rio de Janeiro. Com  inauguração prevista para setembro deste ano, a empresa, que tem origem em Portugal, é conhecida por contar com uma metodologia própria para impulsionar pequenas empresas e contribuir no desenvolvimento de soluções inovadoras. 

O DIÁRIO DO PORTO conversou com Héctor Gusmão (foto), presidente da Fábrica de Startups no Brasil, para saber mais sobre os planos da aceleradora. Uma das novidades anunciadas é uma escola para capacitar até 450 alunos de tecnologia por ano. O braço social da Fábrica, sem fins lucrativos, vai oferecer os cursos de forma gratuita.

“A gente acredita que esse projeto vai conseguir viabilizar que as 11 mil pessoas, de 18 a 35 anos, que moram nas regiões carentes do Porto Maravilha, possam se reinserir no mercado como uma mão de obra extremamente qualificada, que é exatamente a mão de obra tecnológica que tanto nossas startups vão precisar, quanto as corporações que a gente se relaciona precisam”, disse ele.

A Fábrica de Startups está com uma parceria promissora com a WeWork, rede global de espaço de coworkings. O programa de tutoria WeWork Labs vai oferecer educação, orientações e oportunidades de aprendizado para consolidar empresas. Ao todo, 42 startups estão participando do processo, que vai até 15 de agosto.

Confira a entrevista completa, concedida ao jornalista Pablo Vallejos:

HÉCTOR GUSMÃO: A Fábrica é uma aceleradora corporativa, mas mais do que isso, ela cria um ecossistema de inovação aberta dentro dos ambientes em que ela se instala. Nasceu há seis anos em Portugal. O fundador dela, Antônio Lucena, criou uma metodologia exatamente para aproximar grandes empresas das startups, trazendo os desafios dessas grandes empresas para que as startups pudessem apoiar, desenvolvendo soluções inovadoras.

Mais do que isso, que elas pudessem, também, ter uma cultura de inovação para poder se aproximar melhor dessas startups e, num último momento, ter um branding que fosse transversal a essas duas iniciativas de modo que ela se posicionasse como a melhor empresa dentro daquele segmento para uma startup se relacionar no mercado.

DIÁRIO: Por que escolher o Rio de Janeiro e, especialmente, a Tegião Portuária? Foi por conta dos holofotes em cima do Porto Maravilha?

HG: Quando a gente decidiu vir para o Rio de Janeiro, fizemos um estudo de onde seria o melhor lugar para instalar a Fábrica, não ela isoladamente, mas sim, pensando em um ecossistema. Qual a melhor região para que outros players desse ecossistema, como fundos de investimentos, grandes corporações, as próprias startups pudessem se instalar que funcionaria bem no Rio? Usando muito o que aconteceu no leste de Londres, no que aconteceu em algumas regiões de Portugal e em outras regiões do mundo, o Porto Maravilha era o lugar ideal para isso.

Primeiro, por conta de infraestrutura: o Porto foi, talvez, o maior investimento urbanístico dos últimos tempos no Brasil, em questão de infraestrutura. Tem aqui uma logística muito interessante, em questão de VLT, túneis que foram criados que dão fácil acesso, de tecnologia com a fibra ótica… Então, era o lugar ideal para que a gente se instalasse e talvez ancorasse esse movimento de trazer outras iniciativas para se instalar nesse lugar.

Acho que estamos começando a colher alguns frutos disso, depois de termos tomado essa decisão. Por exemplo, a própria Prefeitura do Rio tem trabalhado na Lei do Porto 21, exatamente para criar esse cluster de inovação aqui, onde empresas de inovação e tecnologia se instalassem para criar o que a gente chama de densidade, que é uma estar perto da outra e interagir. Então, estamos bem satisfeitos que o Porto foi escolhido porque tem toda a estrutura necessária para isso e, geograficamente, está bem instalado. Você está ao lado do Centro da cidade e você tem uma conexão muito rápida com a Zona Sul e com outras regiões do Rio também.

DIÁRIO: Como empreendedores e micro negócios podem ingressar e participar, de qualquer maneira, da Fábrica de Startups?

HG: A Fábrica tem um espaço, que se chama Ponto de Encontro do Ecossistema Empreendedor do Rio, em que basta se cadastrar e virar membro da Fábrica e você já tem acesso a esse ambiente. Onde você se conecta com outras pessoas, acessa nosso auditório onde tem conteúdo, eventos, discussões, etc. Então, acreditamos, de fato, que vamos disseminar a cultura empreendedora para toda a região a partir disso.

O segundo ponto, que é algo muito mais profundo, é que a Fábrica está trazendo uma escola de desenvolvimento de tecnologia da Europa. Vamos instalar, aqui no Boulevard Olímpico, uma escola para capacitar até 450 alunos de tecnologia por ano e é o braço social da Fábrica, sem fins lucrativos, tendo em vista que os alunos não serão cobrados por nada.

A gente acredita que esse projeto vai conseguir viabilizar as 11 mil pessoas, de 18 a 35 anos, que moram nas regiões carentes do Porto Maravilha possam se reinserir no mercado com uma mão de obra extremamente qualificada, que é exatamente a mão de obra tecnológica que tanto nossas startups vão precisar, quanto as corporações que a gente se relaciona precisam.

DIÁRIO: Qual é o cronograma da Fábrica para início de atividades?

HG: A inauguração da Fábrica está prevista para final de setembro e esse Ponto de Encontro que mencionei inaugura juntamente. Na questão da escola, a gente está prevendo que até o final do primeiro semestre de 2019 esse espaço já esteja totalmente construído e inaugurado para começar a operação no Rio de Janeiro.

Por Pablo Vallejos (CoCriato), especial para o DIÁRIO DO PORTO

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