Mostra de artista indígena em cartaz no Porto | Diário do Porto


Exposição

Mostra de artista indígena em cartaz no Porto

Xadalu Tupã Jakupé explora a tensão entre as culturas indígena e ocidental nas cidades em mostra abrigada no Instituto Inclusartiz, na Gamboa

28 de dezembro de 2021

Xadalu Tupã Jakupé finalizando obra da exposição "A Terra de Tupã". Mostra entra em cartaz em dezembro, no Instituto Inclusartiz, na Gamboa (foto: Bruno Alencastro)

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Paula Pires

Toda a carga histórica e simbólica do artista mestiço gaúcho Xadalu Tupã Jakupé pode ser contemplada na exposição “A Terra de Tupã”, em cartaz no Instituto Inclusartiz, na Gamboa. A mostra, que fica em cartaz até 28 de fevereiro, ocupa os 600 m² do amplo casarão centenário que abriga a instituição e revela toda a potência da obra do artista, que se reconhece como mestiço pois tem antepassados guaranis.

“É no diálogo e na integração com a comunidade Guarani Mbyá que me permitiram fazer esse resgate”, resume.

O conjunto da obra de Xadalu destaca a sobreposição entre cidade e a comunidade indígena. Isso evidencia a capacidade do artista de mesclar as várias linguagens artísticas, partindo da ancestralidade dos Guaranis que viveram em Porto Alegre aos dias de hoje.

Segundo Xadalu Tupã Jakupé, trata-se de uma exposição multidisciplinar que apresentará ao público instalações, elementos da serigrafia, pintura, fotografia e objetos para abordar em forma de arte urbana o tensionamento entre a cultura indígena e ocidental nas cidades.

As obras luzem e reluzem na memória do observador atento e alteram significativamente a percepção que o indivíduo e a sociedade passam a ter sobre ela, como ressaltava o filósofo alemão Walter Benjamin, um dos artífices da Escola de Frankfurt.

Para Xadalu, a arte tem a potência de atingir todas as camadas da sociedade que vão reagir de diferentes maneiras. “Cada um carrega dentro de si uma bagagem cultural”. Ele reitera que o trabalho traz a memória da sua ancestralidade e abriga os territórios flutuantes de sua avó, as visões e as cosmovisões em que ela viveu na década de 40 do século passado, em Alegrete, cidade do artista no interior do Rio Grande do Sul.

“Existe uma cidade sobre nós criada pelo povo Guarani, construída sobre cemitérios indígenas. A minha arte desenterra cabeças e invocam espíritos que nunca deixarão de existir. Os verdadeiros dono do espaço”, revela.


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Da Gamboa para o mundo

É na inquietação e na manifestação reveladora que a arte de Xadalu resiste. É sobre contar um pouco do seu povo para os outros, abraçando a intensidade do mundo. Xadalu já teve 13 exposições individuais e participou de 13 mostras coletivas em diversas partes do mundo.

A argentina Frances Reynolds viaja o mundo para levar arte à Região Portuária do Rio (divulgação)

O programa de residência do Inclusartiz levou artista a se tornar conhecido no cenário artístico internacional. O encontro entre a obra do artista e o instituto localizado na Gamboa não aconteceu  por acaso. Por meio do curador Paulo Herkenhoff, o artista conheceu a historiadora de arte Frances Reynolds. Carioca de coração, a argentina radicada no Brasil está à frente da instituição. Ela percorre o mundo para, em suas palavras, “fazer a arte voar e abrir portas para artistas talentosos”.

Serviço:

“A Terra de Tupã”

Até 28/02/2022

Entrada gratuita

Instituto Inclusartiz

Rua Sacadura Cabral, 333, Gamboa

Mais informações: 21 2530-0638

Instagram: inclusartiz.org


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