Exigências da PM podem inviabilizar blocos tradicionais | Diário do Porto


Carnaval

Exigências da PM podem inviabilizar blocos tradicionais

Sebastiana e Zé Pereira, que reúnem blocos mais tradicionais do Rio, criticam exigências de última hora e criticam a PM por falta de critérios na liberação

27 de fevereiro de 2019

Blocos se sentem ameaçados por regras dúbias da PM. Na foto, o Casrmelitas, de Santa Teresa (Fernando Maia/Riotur)

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Os principais blocos de rua do Rio de Janeiro, representados pelas ligas Sebastiana e pelo Zé Pereira, protestam contra exigências de última hora e subjetividade na forma com que a Polícia Militar vem liberando ou proibindo as apresentações. A novidade, segundo as duas agremiações, pode levar ao cancelamento dos desfiles de muitos dos mais tradicionais blocos da cidade.

Veja a nota:

“As ligas carnavalescas Sebastiana e Zé Pereira vêm tornar público sua indignação com o que pode se tornar o cancelamento dos desfiles de muitos dos mais tradicionais blocos da cidade do Rio de Janeiro.

Apesar de termos nos esforçado arduamente para tentar cumprir as regras impostas a partir da publicação da portaria 229 de 02/01/2019, chegamos ao esgotamento de todas as possibilidades razoáveis para cumprir o que se tornou uma “gincana do impossível”. Estamos diante da inexequibilidade de algumas exigências feitas de forma intempestiva, e menos de uma semana do carnaval.

Passamos os últimos dias nos revezando em diferentes batalhões, quartéis e salas de reuniões. Estivemos também no Ministério Púbico do Rio de Janeiro, que muito nos tem ajudado na tentativa de interlocução com os representantes do Estado. No entanto, quando acreditávamos que tínhamos vencido todos os obstáculos, surge um fato novo que pode jogar por terra os esforços empreendidos até agora e retirar das ruas diversos dos blocos já anunciados.

O indeferimento e a não entrega do documento de nada a opor por parte da Polícia Militar, com a alegação de que os blocos estão fora do prazo, não pode ser motivo para que agremiações com 10, 20 e até 30 anos sejam impedidas de desfilar. Lembramos que até 2018 havia apenas a necessidade de uma comunicação para ciência da PMERJ. E que os blocos que assinam esta nota já fazem parte do calendário oficial da cidade, amplamente divulgado.

Estamos nos deparando com controversas interpretações dos próprios batalhões sobre a necessidade de um nada a opor da corporação. Há blocos sendo deferidos enquanto outros não, segundo interpretações de cada unidade da PM. Ou seja, estamos vendo que não há isonomia nas decisões apresentadas.

 


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Por isto, não podemos aceitar que haja favorecimento de alguns grupos em detrimento de outros. O tratamento terá que ser igual para todos, considerando que vários blocos inclusive já desfilaram nos fins de semana passados com acompanhamento e ciência da própria PM. Cabe ao poder público prover a estrutura para todos, igualmente. O princípio da igualdade de tratamento e democracia nas decisões deve ser mantido para que o carnaval de 2019 se realize.

Esperamos que a PMERJ reveja sua posição e agilize os processos ainda pendentes e indeferidos para que o carnaval de rua possa acontecer como sempre foi: como o mais importante marco do calendário da cidade.

Assinam este documento os seguintes blocos:

A Rocha
Ansiedade
Barbas
Carmelitas
Céu Na Terra
Escravos da Mauá
Gigantes da Lira
Imprensa que eu gamo
Laranjada
Meu Bem Volto Já
Que Merda É Essa
Quizomba
Orquestra Voadora
Simpatia é quase amor
Suvaco do Cristo
Toca Rauuul!
Último Gole
Vagalume, o Verde
Virtual”


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