Evento no MAR traz experiência do Museu do Sexo e das Putas | Diário do Porto


Cultura e Lazer

Evento no MAR traz experiência do Museu do Sexo e das Putas

Seminário Internacional que acontece de quinta a sábado no Museu de Arte do Rio (MAR) vai trazer experiências bem diferentes, como a do museu criado pela Associação das Prostitutas de Minas Gerais. O Museu das Remoções, na Vila Autódromo, Zona Oeste do Rio, é outro exemplo na roda de conversa sobre diversidade durante o ‘Desafios dos Museus no século XXI’

23 de julho de 2018

Museu de Arte do Rio, na Praça Mauá, coração do Porto Maravilha (foto Aziz Filho)

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Se você pensa que museu é coisa do passado, é hora de rever suas ideias. Cada vez mais os museus funcionam como espaços públicos que estão engajados e conectados com a realidade atual. E até com o futuro – vide Museu do Amanhã. Para discutir o papel dos museus em novos cenários, impactados cada vez mais pela tecnologia, um seminário internacional no Museu de Arte do Rio (MAR) vai trazer experiências bem diferentes. Como a do Museu do Sexo e das Putas, em Minas Gerais. Cida Vieira (foto), presidente da Associação das Prostitutas de Minas Gerais (Aprosmig), que fundou o museu, é uma das convidadas do seminário ‘Desafios dos Museus no século XXI’, realizado de quinta a sábado (dias 26 a 28).

Segundo Cida, o Museu do Sexo e das Putas surgiu a partir dos encontros entre prostitutas, artistas e a cidade de Belo Horizonte. “O espaço recebe artistas em programa de residência e transborda sua localização física com a ocupação da região da Guaicurus no centro da cidade com trabalhos de diferentes linguagens entre: vídeo, performance, fotografia, grafite, rádio-novela entre outros”, explica a e idealizadora e fundadora do Museu do Sexo e das Putas. A roda de conversa Museus para a Diversidade acontece no sábado (28), das 14h às 15h40, mostrando como os museus se inscrevem nas discussões da sociedade em âmbito público.

Museu das Remoções conta história de famílias

Museu conta histórias de famílias removidas na Vila Autódromo (Foto Daniel de Andrade/Brasil de Fato)

Outra iniciativa que merece destaque é o Museu das Remoções, criado em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. O museu exposto a céu aberto traz as histórias dos espaços que existiam na comunidade de parte da Vila Autódromo, que conseguiu permanecer ao lado do Parque Olímpico, antes de serem removidos. Quem conta essa história é Maria da Penha, que viu sua vida ser transformada ao avesso e, com sua comunidade, presenciou por mais de duas décadas as ameaças de remoções para dar lugar a especulação imobiliária.

Nascida no estado da Paraíba, veio para o Rio de Janeiro direto para a favela da Rocinha com 7 anos, onde morou até os 27 anos, se mudando para Jacarepaguá na comunidade da Vila Autódromo onde reside até os dias de hoje. Não aceitou as pressões e ameaças do poder público e continuou lutando pelos seus direitos à moradia e o direito à cidade, se tornando uma líder comunitária.

Enquanto defendia, junto com outros moradores, uma remoção por parte da prefeitura, Dona Penha conta que acabou sendo agredida durante um confronto com a tropa choque e teve seu nariz quebrado. Sua casa demolida no dia 8 de março de 2015, Dia Internacional da Mulher. Sem ter para onde ir, teve que ir com a família para dentro da igreja católica da comunidade. No dia que sua casa foi demolida, Dona Penha foi homenageada na Assembleia Legislativa (Alerj) como mulher cidadã escolhida pela deputada estadual Enfermeira Rejane. Dona Penha recebeu sua casa na troca de chaves e com o que restou de sua comunidade urbanizada no dia 29 de julho de 2016 onde reside atualmente.

Sobre o seminário

O ‘Seminário Internacional — Desafios dos Museus no século XXI’ reúne profissionais e pesquisadores de diversos campos. O objetivo é discutir de que forma os museus e instituições culturais respondem a temas contemporâneos, como diversidade, representatividade, reestruturação de processos de experimentação e produção de conhecimento, diante das novas tecnologias e da democracia cultural. “No encontro, os participantes serão convidados a construir, imaginar e promover estratégias de sociabilidade a partir de enfrentamentos entre saberes, modos de ativação e circulação das experiências culturais”, afirmam os organizadores.

Entre as iniciativas que serão apresentadas, além do  Museu do Sexo e das Putas, do Museu das Remoções e do próprio MAR, estão Memorial da Resistência (SP), Museu Afrodigital  (UFRJ e Uerj), Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), Associação Comunitária Cultural de Major Sales (RN), Fundação Casa Grande (CE) e Acervo da Laje (BA), Centro de Artes de Maré (RJ). A entrada é gratuita e para participar basta se inscrever no site do MAR: www.museudeartedorio.org.br.

 


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