Estaleiros Caneco e Inhaúma procuram investidores | Diário do Porto


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Estaleiros Caneco e Inhaúma procuram investidores

Os dois estaleiros são símbolos da indústria naval do Rio. Caneco irá a leilão no próximo dia 15, por R$ 192 milhões. Inhaúma será alugado

6 de março de 2022

Estaleiros Caneco (foto) e Inhaúma podem voltar a operar na Baía de Guanabara, caso encontrem investidores (foto: Estaleiro Caneco / Divulgação)

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Dois grandes estaleiros podem retomar suas atividades na Baía de Guanabara, caso encontrem investidores interessados no leilão de venda do Caneco, ou em fazer propostas para alugar o Inhaúma. Ambos, no bairro portuário do Caju (Zona Norte), são símbolos da indústria naval do Rio de Janeiro, tendo construído grandes navios até serem desativados pelas sucessivas crises do setor.

O leilão do falido estaleiro Caneco está marcado para o próximo dia 15, com lance mínimo de 192,3 milhões. A venda será pela modalidade da maior oferta, a ser apresentada ao leiloeiro público Jonas Rymer, de forma on-line, conforme autorizado pela juíza Maria da Penha Nobre Mauro, da 5ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro.

Antes desse leilão, deve ser conhecida também a decisão da Petrobras, que pretende alugar para terceiros as instalações do estaleiro Inhaúma, que está sem atividades desde 2016. A estatal esperava propostas de interessados até o último dia 4, porém há expectativas de que possa ampliar o prazo.

Estaleiros Caneco e Inhaúma somam 470 mil m²

O estaleiro Caneco tem cerca de 150 mil m², com quatro cais, dique seco, oficinas, prédios e galpões. Criado em 1886, já foi um dos principais do país, mas após sucessivas crises deixou de funcionar em 2006.

Suas instalações tinham, no seu auge de produção, a capacidade para construir navios com até 2.500 toneladas. Caso seja vendido no leilão, a prioridade será o pagamento de dívidas trabalhistas, seguidas dos demais credores.

Já no estaleiro Inhaúma funcionou a Enseda Naval, uma das empresas que deixaram de funcionar atingidas pelas consequências da Operação Lava Jato, que apurou casos de corrupção envolvendo executivos da Petrobras e de grandes companhias privadas brasileiras.

A Petrobras acredita que o estaleiro Inhaúma seja ideal para empresas offshore, que são aquelas que prestam apoio para as atividades de extração de petróleo em alto mar. O estaleiro tem 321,6 m², com dois cais, dois diques (um seco e outro molhado), áreas de armazenagem e seis berços de atracação de navios de grande porte.

55% dos estaleiros do Brasil estão no Rio

O estaleiro Inhaúma era conhecido até 2010 como Ishibrás, uma empresa de origem japonesa que se instalou no Brasil na década de 1950. Em 1994, passou para o controle de um grupo brasileiro, até ser transferido para a Petrobras, numa operação que envolveu os governos da União e do Estado, numa das tentativas para estimular a construção naval no Rio.

Cerca de 55% dos estaleiros brasileiros estão no Estado do Rio de Janeiro, é o que aponta um levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) apresentado à Comissão de Indústria Naval, de Offshore e do Setor de Petróleo e Gás, da Assembleia Legislativa (Alerj), em abril do ano passado.


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