Museus

Esquerda e direita se unem na Alerj pelo Museu Nacional

Witzel sanciona lei que autoriza Alerj a repassar R$ 20 milhões para restauração do Museu, que deve começar este ano. Previsão é de R$ 300 milhões

11 de agosto de 2020
Antes da tragédia, a imponência do Museu Nacional (Deposit Photos)

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A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) está autorizada a repassar R$ 20 milhões do Fundo Especial do Parlamento Fluminense à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para revitalização e reforma do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista. A Lei 8.971/20 foi sancionada pelo governador Wilson Witzel.

Em setembro de 2018, um incêndio destruiu o Museu Nacional, que guardava o maior acervo de história natural e de antropologia da América Latina. A instituição é da UFRJ, que este mês completa 100 anos. Para receber os recursos, a direção precisa apresentar à Alerj um plano de trabalho executivo e se comprometer a divulgar todas essas informações em seu site eletrônico oficial, garantindo a transparência e favorecendo a fiscalização.

O diretor do Museu, Alexander Kellner, prevê que as obras comecem este ano. O projeto inicial já foi enviado para Casa e aprovado. Felizmente, segundo ele, “tudo está tramitando como o esperado”. Falta detalhar o uso dos recursos e arqueologia do Museu durante as obras. “Muita gente não se dá conta, mas ele é um site arqueológico. Toda vez que se faz uma escavação no espaço é necessário que tenham arqueólogos no local. Quando fecharmos esses pontos, vamos encaminhar o projeto ao Parlamento e começar o processo licitatório”, explicou Kellner.

A reitora Denise Carvalho agradeceu pela concessão de R$ 20 milhões pela Alerj, afirmando que “é muito importante que possamos voltar a mostrar a história do Brasil através do nosso museu”.

Reconstrução custará R$ 300 milhões

A ação deverá integrar o Plano Plurianual (PPA) do Estado do Rio de Janeiro.  Originalmente, o texto é de autoria dos deputados André Ceciliano (PT), presidente da Alerj, Waldeck Carneiro (PT), Flávio Serafini (Psol) e Renan Ferreirinha (PSB).

“O museu vem sofrendo com a falta de recursos e ainda não recebeu parte das verbas prometidas por alguns órgãos”, disse o presidente da Alerj. Segundo Ceciliano, o custo estimado da reconstrução do palácio é de R$ 300 milhões, sendo que a instituição recebeu desde a tragédia R$ 160 milhões para obras emergenciais, construção de um novo campus acadêmico e administrativo,  resgate do acervo atingido pelo fogo e reformas de outros prédios.

Esquerda e direita pelo Museu

Para Kellner, com o aporte da Alerj será possível começar as obras de restauração da fachada e dos telhados este ano. “É justamente com essa verba da Alerj que a gente chega perto da metade da nossa necessidade. Temos certeza de que esse exemplo do Parlamento Fluminense será seguido por outras instituições”, afirmou o diretor.

Kellner também antecipou que o Museu deverá ser reaberto parcialmente em 2022, quando se comemora os 200 anos de independência do Brasil. “É inconcebível não termos aberto, pelo menos, parte do local onde tudo aconteceu. Vamos trabalhar para isso e a nossa projeção de abertura definitiva e total está para 2025”, concluiu.


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A causa da recuperação do mais importante museu do país une esquerda e direita. Também assinam o texto como coautores os deputados Franciane Motta (MDB), Carlos Minc (PSB), Dani Monteiro (PSol), Bebeto (Pode), Gustavo Tutuca (MDB), Samuel Malafaia (DEM), Chiquinho da Mangueira (PSC), Mônica Francisco (PSol), Brazão (PL), Subtenente Bernardo (PROS), Danniel Librelon (REP), Lucinha (PSDB), Renata Souza (PSol), Martha Rocha (PDT),Rosenverg Reis (MDB), Marcus Vinícius (PTB), Márcio Canella (MDB), Rodrigo Bacellar (SDD), Capitão Paulo Teixeira (REP), Dionísio Lins (PP), Val Ceasa (patriota), Enfermeira Rejane (PCdoB), Delegado Carlos Augusto (PSD), Jorge Felippe Neto (PSD), Coronel Salema (PSD), Léo Vieira (PSC), Marcelo Dino (PSL), Pedro Ricardo (PSL), Giovani Ratinho (PROS), André Corrêa (DEM) e Vandro Família (SDD).