Editorial

Porto Maravilha é assombrado por esqueleto e desprezo

Crivella despreza o Porto Maravilha e anuncia moradias para servidores municipais, na Barra. Prefeitura e Caixa não priorizam levar moradores para o Porto

8 de agosto de 2020
Porto Maravilha precisa de moradores para ter sucesso. Obras do Porto Vida estão paralisadas desde 2014 (Foto: Reprodução / Google Maps)

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Editorial

Desde 2014, permanecem paralisadas as obras do Porto Vida, o empreendimento residencial destinado a servidores da Prefeitura, que iria ser o ponto de partida para que mais pessoas fossem morar no Porto Maravilha. Agora, o prefeito Marcelo Crivella, demonstrando desprezo pelo projeto que requalificou a Região Portuária, acaba de anunciar a construção de apartamentos para o mesmo público, mas dessa vez na Barra da Tijuca.

O Porto Vida, no bairro do Santo Cristo, fica a 15 minutos de caminhada até a sede da Prefeitura, na Cidade Nova. Teria 1.300 apartamentos, uma gigantesca área de lazer, várias salas comerciais e a linha do VLT, na porta. Sua obra foi paralisada porque não houve acordo entre a Prefeitura e a Caixa Econômica Federal sobre a forma de financiamento das unidades para os servidores.

Porto Maravilha precisa de moradores

Ao lançar o empreendimento da Barra, Crivella está prometendo que nessa nova versão haverá o financiamento da Caixa. Caso as duas partes realmente tenham chegado a um acerto, é uma contradição de ambas, que vão contra aquilo que deveria ser do interesse das duas e é do interesse da cidade.

Ocupar residencialmente o Porto Maravilha é fundamental para que o projeto de requalificação urbana da região tenha sucesso. Ali estão, em 5 milhões de metros quadrados, cerca de 35 mil moradores. A Tijuca, com área um pouco maior, tem 5 vezes mais habitantes.

Dependendo de quem faz o cálculo, Prefeitura ou Caixa, as obras e os serviços já realizados no Porto Maravilha consumiram de R$ 5,5 bilhões a R$ 8,5 bilhões de recursos do FGTS, a poupança compulsória de todos os trabalhadores formais brasileiros.

Fazer esse investimento dar resultados deveria ser prioridade para as duas partes. Dez em cada dez especialistas em mercado imobiliário afirmam que a região precisa de moradias para se viabilizar. 

No lugar de trabalharem juntas pela consolidação do Porto Maravilha, Prefeitura e Caixa vivem em conflitos intermináveis por causa do projeto, e já estão em litígios até na Justiça. Numa das ações, o banco cobra do Município algo em torno de R$ 2 bilhões por supostos prejuízos que teria sofrido. Nenhum dos dois lados reconhece as próprias contribuições para o insucesso do projeto.

Crivella chamou seu lançamento imobiliário de “Minha Casa, Meu Servidor” e prometeu o início das obras até o fim do ano, ali perto das eleições.

De concreto mesmo, literalmente, há até agora só as obras inacabadas do Porto Vida, um esqueleto que denuncia a falta de compromisso da Prefeitura e da Caixa para tornar possível novas moradias no Porto Maravilha.

Um esqueleto que não podem esconder no armário.


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