Cultura e Lazer

Escolas do Grupo A compram briga com prefeitura por falta de verbas

Após anúncio de corte de verba para agremiações, Lierj acusa secretário da Casa Civil, Paulo Messina, de mentir sobre pedido de R$ 250 mil do grupo

26 de dezembro de 2018
Corte de verbas ameaça o brilho do Carnaval carioca (foto DiPo)

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Bateria da Mangueira no Sambódromo
Corte de verbas ameaça o brilho do Carnaval carioca (foto DiPo)

O clima entre a Prefeitura do Rio e as escolas de samba esquenta cada vez mais, no mau sentido, com a proximidade do Carnaval. Primeiro, foi o anúncio de corte na verba para o Grupo Especial quando as escolas mais precisavam, em função da desistência do patrocínio da Uber. Agora é a Lierj (Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro), das agremiações da Série A, que reage com indignação ao corte de verbas. A entidade acusa o secretário da Casa Civil, Paulo Messina, de mentir sobre reivindicação do grupo.

Em entrevista ao jornal O Dia, Messina havia declarado que o valor de R$ 250 mil para cada escola da Série A teria sido acordado em reuniões da Prefeitura com a Lierj. De acordo com o secretário, a Liga teria pedido metade do valor destinado às agremiações do Grupo Especial da Liesa, que receberá R$ 500 mil. A Lierj nega a informação.

“Tal quantitativo, se confirmado, será o menor da história da Série A”, afirmou a Lierj em comunicado à imprensa. “Em documento entregue ao secretário em outubro, a Lierj reiterou que o dinheiro recebido para o Carnaval de 2018 já foi insuficiente para a produção dos desfiles, uma vez que a verba municipal corresponde a aproximadamente 80% da receita total de cada agremiação.”

 


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Neste ano, a verba do município, 50% menor do que a de 2017, foi repassada 10 dias antes das apresentações na Sapucaí. O atraso prejudicou o desenvolvimento das escolas de samba na Avenida. Assim, segundo a Lierj, foi pedido à prefeitura o restabelecimento do valor de R$ 8.623.460 recebido em 2015.

Na entrevista ao DIA, Messina chegou a afirmar, referindo-se ao desfile do Grupo Especial, que “a Prefeitura não é babá de evento comercial” e que “a prioridade é usar dinheiro público para a saúde e educação”. A Lierj combateu a declaração argumentando que o Carnaval deveria ser visto como um importante elemento de valorização cultural, de inserção social e de investimento para o turismo da cidade.

“Segundo estudo do Ministério da Cultura (Minc), em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Carnaval do Rio foi responsável pela movimentação de R$ 3 bilhões em 2018″, diz a nota oficial. “Ainda assim, a cerca de dois meses para os desfiles, as escolas de samba estão sendo despejadas dos barracões, sem qualquer orientação ou apoio municipal para que um novo espaço seja destinado para uma produção digna das fantasias e alegorias”.

O DIÁRIO DO PORTO procurou a assessoria de imprensa da Casa Civil, mas ainda não obteve resposta.

 

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