Exposição

Ermanno Stradelli tem exposição no Museu Histórico Nacional

Com cerca de 50 ampliações fotográficas, a exposição evidencia o caráter pioneiro do trabalho de Stradelli ao registrar os primeiros contatos entre índios isolados no Brasíl

28 de novembro de 2019
Moradores da região do rio Purus fotografados por Stradelli, em 1889 (Divulgação)

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Ao chegar à cidade de Manaus em 1879, o jovem conde italiano Ermanno Stradelli deu um passo decisivo para a vida de aventuras que teria pela frente. Novas perspectivas sobre a figura e a obra do viajante e pesquisador, que dedicou sua existência ao estudo das culturas indígenas da Amazônia brasileira, serão reveladas pela exposição fotográfica e documental “Ermanno Stradelli – fotógrafo pioneiro na Amazônia”. A mostra está aberta ao público na galeria da Casa do Trem do Museu Histórico Nacional (MHN).

Com cerca de 50 ampliações fotográficas, a exposição evidencia o caráter inovador do trabalho de Stradelli, que realizou uma obra monumental no século XIX. O conde foi um precursor no estudo dos idiomas e das narrativas míticas indígenas ao registrar contatos entre índios isolados no Brasil.

Stradelli foi o responsável pela primeira versão escrita do mito de Jurupari e transcreveu os vocabulários nheengatu-português. Nas suas contribuições etnográficas, destaca-se a modernidade de sua abordagem, com valores humanistas. No século XIX, marcado pelo eurocentrismo, ele considerou costumes e saberes tradicionais como alternativos, e nunca inferiores, aos ocidentais.


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As condições de produção fotográfica eram complexas na época de Ermanno Stradelli, com câmeras pesadas e processos de revelação trabalhosos e experimentais. Stradelli superou as limitações e fez as primeiras fotografias de que se tem notícia de indígenas em seu habitat natural.

A exposição é enriquecida por documentos originais do acervo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), como um mapa do Amazonas de 1901. “Trata-se de uma oportunidade especial para chamar atenção para a história da Amazônia e de suas comunidades indígenas, contribuindo para pensar o Brasil dos dias de hoje”, enfatiza o diretor do MHN, Paulo Knauss.

Para a curadora Lívia Raponi, a abordagem de Errmmano Stradelli ainda hoje impressiona pela atualidade. “Ela é correta do ponto de vista antropológico e baseada em valores humanistas, que o leva a considerar costumes, saberes e modos de vida dos índios como alternativos e nunca inferiores aos ocidentais. Para as concepções da sua época, era uma posição inovadora”, aponta.

 

Brasileiros e indígenas Whapichana e Macuxi do Rio Branco
Brasileiros e indígenas Whapichana e Macuxi do Rio Branco, 1888 (Divulgação)

Serviço

Horario: Terça a Sexta, das 10h às 17h30; Sábados, Domingos e Feriados, das 13h às 17h

Local: Museu Histórico Nacional – Praça Marechal Âncora – Centro

Exposição: de 29 de novembro de 2019 até 28 de fevereiro de 2020

R$ 10 reais (inteira)/R$5 reais (meia). Aos domingos a entrada é gratuita.

Informações: (21) 3299 – 0324