Carnaval

Entenda os enredos do Carnaval 2019

O DIÁRIO DO PORTO reuniu os 14 enredos do Carnaval 2019 do Grupo Especial para você ficar por dentro do que vai acontecer no Sambódromo

20 de janeiro de 2019
RIO DE JANEIRO - FEBRUARY 10:Dancers at carnival at Sambodromo in Rio de Janeiro February 10, 2013, Brazil. The Rio Carnival is biggest carnival in world.

Compartilhe essa notícia em sua rede social:

Na contagem regressiva para as duas noites do “maior espetáculo da Terra”, quem gosta de samba já anda por aí com o fone de ouvido plugado nos sambas das escolas do Grupo Especial. Afinal, tudo fica bem mais interessante para quem sabe as letras e pode cantarolar com os protagonistas da grande festa.

Os marinheiros de primeira viagem, os ruins da cabeça ou doentes do pé costumam dizer que, na Sapucaí, tudo é igual. Isso acontece quando o visitante enxerga e escuta apenas o que há em comum entre as escolas. Como se fosse possível dizer que todo rock é igual pela presença da guitarra.

Um dos itens que mais diferenciam a apresentação de uma escola é o enredo. É como se ele fosse a alma dos foliões daquela agremiação, o elo entre alegorias, fantasias, intérprete, torcida, samba, tudo. O DIÁRIO DO PORTO deu uma geral nos enredos em busca das novidades e polêmicas que vão esquentar a Sapucaí este ano.

Mangueira, o Salgueiro e a Paraíso do Tuiuti são algumas das escolas que decidiram falar alto com os carnavalescos mais politizados. Mas há temas para todos os gostos. Vamos a eles:

A primeira noite

Império Serrano – O carnavalesco Paulo Menezes abre os trabalhos do Sambódromo com uma quase unanimidade. Promete, então, homenagear um dos maiores clássicos da MPB, “O Que é o que é?“, de Gonzaguinha. É aquela que nos ensinou em 1982 (álbum Caminhos do Coração) a “viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz”. (Saiba mais sobre a Império)

Viradouro – O ousado Paulo Barros está de volta à escola de Niterói. Agora, “Viraviradouro” se inspira nas transformações mundiais e no momento que a escola vive, com nova diretoria. Por isso, Barros quer abordar o Renascimento e outras rupturas da civilização. Quer promover, então, “um misto de feitiço e magia” nas histórias de superação que encantam a humanidade. (Saiba mais sobre a Viradouro)

Grande Rio – A dupla dinâmica Renato Lage e Márcia Lage desenvolveu para a escola de Caxias o enredo “Quem nunca… Que atire a primeira pedra!”. Provocação, aliás, é o que não falta, assim como a pergunta que não cala: “quem nunca saiu dos trilhos, perdeu o prumo, deu detalhe, rodou a baiana, chutou o balde e o pau da barraca, armou um barraco ou mesmo deu uma virada de mesa?” Assim, vai sobrar crítica para os maus hábitos de quem expressa impaciência, egoísmo, descuido, intolerância e o famoso “jeitinho”. (Saiba mais sobre a Grande Rio).

Salgueiro – A escola que explode corações volta a inundar a Sapucaí com expressões de origem africana do enredo “Xangô!“, sob o comando de Alex de Souza. “Abram alas ao homem que nasce do poder e morre em nome do poder”, anuncia o enredo. Aliás, a polêmica segue: “Apelamos ao supremo tribunal, com seus doze Obás- Ministros de Xangô do Axé Opó Afonjá. Todos serão julgados sem privilégios! Presidido pelo Grande Juiz, que bate o martelo e dá seu veredicto: Chega de impunidade! Seus filhos pedem justiça. Cumpra-se!” (Saiba mais sobre o Salgueiro)

 


LEIA MAIS:

Inscrição para ambulante no Carnaval só vai até sexta

Carnaval em janeiro! Veja roteiro de blocos no Porto e no Centro

Carnaval 2019: tire dúvidas sobre o Sambódromo


 

Beija-Flor – A escola de Nilópolis apresenta “Quem não viu, vai ver … as fábulas do Beija-Flor”, celebração aos seus 70 anos. É uma releitura contemporânea de desfiles de uma das agremiações mais premiadas do Sambódromo. Assim, preparada por uma comissão de carnavalescos, a apresentação será conduzida pelo voo do beija-flor, o narrador-personagem dos enredos. (Saiba mais sobre a Beija-Flor)

Imperatriz Leopoldinense – Mário Monteiro e Kaká Monteiro apresentam “Me dá um dinheiro aí“. Vão transformar em carnaval a relação do ser humano com o vil metal desde a sua invenção. Para isso, vai resgatar figuras conhecidas, como Robin Hood, por exemplo. Ele estará dando aos pobres o dinheiro roubado da nobreza, que explora o povo com impostos e taxas extorsivas. (Saiba mais sobre a Imperatriz)

Unidos da Tijuca – A escola fecha a primeira noite. “Cada macaco no seu galho. Ó, meu Pai, me dê o pão que eu não morro de fome!” é o nome comprido do enredo. Ele será tocado por uma comissão de 5 integrantes, entre eles Laíla. A escola leva uma mensagem de esperança em dias melhores por meio da história do pão, alimento mais popular do planeta e fio condutor das sociedades. Aliás, olha a polêmica aí de novo: se cada um fizer a sua parte, “cada um no seu quadrado”, consequentemente o mundo será mais justo. (Saiba mais sobre a Tijuca)

A segunda noite

São Clemente – Abre a noite de segunda-feira, com a releitura do enredo “E o Samba Sambou…“, de 1990, que deu à escola sua melhor colocação no Carnaval: o sexto lugar. Então, o carnavalesco Jorge Silveira renova a crítica impiedosa da escola à fama e à vaidade, que corrompem a tradição do samba. (Saiba mais sobre a São Clemente)

Vila Isabel – Rende homenagens à cidade imperial de Petrópolis: “Em nome do pai, do filho e dos santos – a Vila canta a cidade de Pedro”. É, portanto, uma gratidão à princesa que deu nome à escola de Noel. “Encantem-se com a história que vamos contar, pois ela começa com Pedros, dos céus à terra, para criar uma cidade em uma serra”, diz o enredo de Edson Pereira. São Pedro de Alcântara é o padroeiro da cidade-enredo. Por isso, além dele e do São Pedro apóstolo, teremos “o Pai Pedro de Alcântara, Rei Soldado Dom Pedro I, quem sonhou com a cidade no alto” e “o Filho Pedro de Alcântara, Magnânimo Dom Pedro II, que realizou o legado”. (Saiba mais sobre a Vila Isabel)

Portela – A escola costuma emocionar o público só com o primeiro grito de sua águia-símbolo. Mas este ano as lágrimas vão rolar mais. Rosa Magalhães prepara homenagem a Clara Nunes: “Na Madureira moderníssima, hei sempre de ouvir cantar uma Sabiá”. Sambas-canção, sambas-enredo, partidos-altos, marchas-rancho fazem parte do repertório. Além disso, forrós, xotes, afoxés, repentes e canções de influência dos pontos de umbanda e do candomblé também são trazidos pela musa. (Saiba mais sobre a Portela)

União da Ilha – A escola quer levar à Sapucaí a brasilidade de dois gigantes, os cearenses Rachel de Queiróz e José de Alencar. Por isso, o carnavalesco Severo Luzardo Filho criou uma proposta lúdica para o enredo “A peleja entre Rachel e Alencar no avarandado do Céu”. O mundo verá, então, saberes que povoam o imaginário de uma terra banhada pelo mar, “embalada em oração e festejada ao som da sanfona e do cordel”. Afinal, Alencar ensinou que Ceará vem de “cemo”, significa “cantar forte, clamar”. (Saiba mais sobre a Ilha)

 


Unidos do Tuiuti – Já chega causando no anúncio de um enredo que expõe a confusão da política. Assim, começa “O Salvador da Pátria“, do carnavalesco Jack Vasconcelos: “Vocês que fazem parte dessa massa irão conhecer um mito de verdade: nordestino, barbudo, baixinho, de origem pobre, amado pelos humildes e por intelectuais. Incomodou a elite e foi condenado a virar símbolo da identidade de um povo. Um herói da resistência!” Essa é a história do bode Ioiô, que virou mascote de milionário, caiu na boemia e foi até eleito vereador pelo povo cansado de sua elite exploradora. “O bode mitou”, diz o enredo, lembrando que “votar em animais é e sempre será possível”. (Saiba mais sobre o Tuiuti)

Estação Primeira de Mangueira – Certamente vai ‘causar’ com o enredo “História para ninar gente grande”, um outro olhar sobre episódios cruciais da Brasil. É uma narrativa, s0egundo Leandro Veira, baseada nas “páginas ausentes”. “A história do Brasil foi transformada em uma espécie de partida de futebol na qual preferimos ‘torcer’ para quem ‘ganhou’. Esquecemos, porém, que na torcida pelo vitorioso, os vencidos fomos nós”, explica o carnavalesco. O enredo arrasa alguns heróis, portanto, como os bandeirantes e Dom Pedro I. Além disso, homenageará Marielle Franco e protestará contra ditadores do regime militar de 1964. Momentos fortes na festa. Em outras palavras, polêmica. (Saiba mais sobre a Mangueira)

Mocidade Independente – Alexandre Lousada desenvolveu o enredo “Eu sou o Tempo. Tempo é Vida.” Brinca com o nome de uma escola sempre jovem, então promete ser bem onírico: “As batidas do meu coração marcam o compasso no tambor do samba, quando ecoa o apito da partida do trem da vida. Nos trilhos do tempo, caminho infinito. Riscado no espaço pela cauda de luz da estrela-guia, que cria um vácuo de sonho que a ciência desafia e que invade a morada de Cronos. A antimatéria que brilha, magia, e que se comprime e se expande, se dobra, retrocede e avança.” (Saiba mais sobre a Mocidade)

 

Compartilhe essa notícia em sua rede social: