Porto Saúde

Entenda a fratura do braço do pianista Nelson Freire

Porto Saúde: Luciana Medeiros escreve sobre a fratura do braço de Nelson Freire. Ele caiu no calçadão da Barra. Agora, é fisioterapia e determinação

2 de novembro de 2019
O pianista Nelson Freire fraturou o braço em Copacabana

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Porto Saúde

Luciana Medeiros

Luciana Medeiros

 

Na quarta-feira passada, dia 30, chegou a notícia de que o pianista Nelson Freire havia levado um tombo no calçadão da praia da Barra da Tijuca. O brasileiro, um dos maiores artistas do piano, havia quebrado o braço! Foi uma polvorosa no mundo musical e no universo dos fãs pelo mundo todo. Nelson acabou de fazer 75 anos em meio a festas e mantém uma agenda intensíssima de concertos. Foi operado no Rio pelo cirurgião Geraldo Motta.

Um pianista de primeiro escalão quebrar o braço é como Picasso ficar temporariamente cego, ou Usain Bolt romper os ligamentos do tornozelo. Pânico? Não precisa. Conversei com o ortopedista Serafim De Almeida Costa, com larga experiência em Medicina Esportiva – é especialista pela UFRJ – e foi médico da Confederação Brasileira de Voleibol. Afinal de contas, um pianista é um atleta dos braços, da mão, dos dedos.


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Nelson quebrou o úmero direito, o osso grande do braço, que faz parte da articulação do cotovelo e do ombro. Segundo as informações, a fratura foi na parte superior articular, onde o osso do braço se encaixa na escápula. “A fratura do úmero e do colo do úmero não é tão rara”, diz ele. “A idade mais avançada traz a possibilidade de um osso com menor densidade, mais osteoporótico, e o risco é maior, claro. Há diversas abordagens cirúrgicas, que dependem da localização e do caráter da fratura”.

O cirurgião Serafim De Almeida Costa
O cirurgião Serafim De Almeida Costa

O boletim médico divulgado na sexta, 1º de novembro, fala em “fratura multifragmentar do úmero direito”, e a cirurgia foi de “artroplastia do ombro e substituição da articulação”. “É o que se chama fratura colminutiva, em que o osso se parte em vários fragmentos”, explica o ortopedista, que chefe do serviço de Ortopedia do Hospital São Francisco na Providência de Deus (RJ). “Segundo o boletim, houve a substituição parcial da articulação, ou seja, foi colocada uma prótese.

Há muitos recursos na redução das fraturas, com uso de placas, parafusos e até hastes intramedulares, ou seja, por dentro do osso”. Nosso pianista vai ficar de tipoia e, depois da alta, segue para uma fisioterapia intensa. Serão pelo menos três meses de trabalho fisioterápico diário. A recuperação é possível, Dr Serafim? “Em princípio, não há por que duvidar. A fisioterapia trata de recuperar o movimento e, em seguida, restaurar a força muscular. Apesar da idade ser um fator que dificulta, Nelson, grande pianista, deve ter uma determinação e uma disciplina impressionantes.”