Enel não deve ter concessão renovada automaticamente | Diário do Porto


Energia

Enel não deve ter concessão renovada automaticamente

Na Alerj, Wagner Victer, ex-secretário de Energia, defendeu nova licitação para distribuição de energia na área explorada pela Enel até 2026

20 de junho de 2022

Deputados debatem situação da concessão da Enel, que vence em 2026 (foto: Alerj / Rafael Wallace)

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A defesa de nova licitação para os serviços de distribuição de energia no interior do Rio foi a tônica da reunião promovida na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) por deputados federais. O ex-secretário estadual de Energia, Wagner Victer, disse que não será admissível a simples extensão do contrato da Enel, atual concessionária, que vence em 2026.

Victer, que é o atual diretor-geral da Alerj, fez uma exposição aos membros da Comissão de Trabalho e Serviços Públicos da Câmara dos Deputados, mostrando o histórico da privatização da distribuição de energia e falando da necessidade de corrigir erros na futura licitação.

Não podemos admitir uma simples renovação da atual concessão, até mesmo porque a Enel vem recebendo críticas pesadas em sua atuação. É preciso começar já a definir o que se espera na nova licitação, estabelecendo que os investimentos na qualidade dos serviços são tão ou mais importantes do que o valor que se venha a receber pela venda da concessão”, afirmou Victer.

Segundo o ex-secretário, não houve no final dos anos 90, quando se iniciou a privatização do setor de energia, uma cobrança firme quanto aos investimentos necessários a serem feitos pelas empresas. O foco estava no curto prazo, em receber pelas outorgas. Tanto foi assim, que no começo não havia nem a previsão para se criar agências reguladoras que garantissem a fiscalização das concessionárias e a entrega de bons serviços à sociedade.

Na reunião, com a presença de deputados federais, estaduais e prefeitos do interior, a Enel foi criticada por ter transferido sua sede nacional para São Paulo, deixando no Rio apenas os escritórios de operações locais. O encontro foi presidido pelo deputado federal Paulo Ramos (PDT/RJ).

“A distribuição de energia elétrica pela Enel tem representado um sofrimento muito grande para a população e um prejuízo para a economia do Estado. É preciso fazer um esforço para que haja uma nova licitação. Não pode haver a prorrogação automática de um contrato de concessão, principalmente considerando que a empresa não corresponde às expectativas dos consumidores e empreendedores”, disse o deputado federal.

Enel falou em investimentos de R$ 2,6 bilhões

Os presentes defenderam que a nova licitação deve prever investimentos do futuro concessionário sem que para isso haja aumento das tarifas aos consumidores. O que exigirá eficiência na gestão e redução dos custos operacionais da empresa.

Durante a audiência, o representante da Enel, Guilherme Brasil, apresentou dados que falam em investimentos de R$ 2,6 bilhões para os anos de 2023 a 2025. Ele prometeu apurar o mau atendimento da empresa, principalmente em suas lojas no interior. “Não temos uma solução agora, mas vamos internalizar o caso, fazer um diagnóstico e depois apresentar uma solução para a comissão”, comentou.


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