Empresas reclamam que bancos dificultam empréstimos na crise | Diário do Porto

Economia

Empresas reclamam que bancos dificultam empréstimos na crise

Varejistas e setor imobiliário dizem que bancos elevaram os juros em 50%. Só em 2019, os 4 maiores bancos do país tiveram lucro de R$ 81,5 bilhões

7 de abril de 2020
Os bancos estariam aumentando os juros e dificultando os empréstimos, segundo os empresários (foto: Agência Brasil / Marcelo Camargo)

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Só em 2019, os 4 maiores bancos do país tiveram 18% de aumento do lucro líquido, somando R$ 81,5 bilhões. Ano a ano, o setor bancário bate recordes no Brasil, beneficiando-se do excelente ambiente que encontram para seus negócios. Era de se esperar que numa crise como a da pandemia do novo coronavírus dessem sua parcela de contribuição. Não é o que está acontecendo.

Nos últimos dias, representantes do setor varejista e das incorporadoras imobiliárias tornaram públicas suas reclamações contra os bancos, principalmente porque estariam aumentando as taxas de juros e dificultando as operações de crédito. Essa atuação coloca ainda mais dificuldades à sobrevivências das empresas, condição essencial para que evitem um desemprego em massa.

O presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz França, disse ao jornal O Estado de S. Paulo que os bancos põem cada vez mais obstáculos para as empresas obterem financiamentos para capital de giro. A associação representa as 38 maiores incorporadoras do País, que erguem mais de 60 mil imóveis por ano.

Na semana passada, 5 associações nacionais do setor varejista, que reúnem os milhões de lojistas de micro a grande porte do país, enviaram uma carta ao Ministério da Economia e ao Banco Central com várias reclamações contra os bancos, entre elas a denúncia de que as taxas de empréstimos bancários subiram, em média, 50%.


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As associações dos varejistas cobram do Governo Federal uma maior fiscalização da atuação do setor bancário, que parece querer lucrar ainda mais durante a crise.

A carta foi assinada pelos presidentes da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), Associação Brasileira de Franchising (ABF), Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL).

Diante das reclamações, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) não se manifestou diretamente. Em seu site, a entidade incluiu uma publicação com dados que mostrariam uma atuação positiva do setor, dizendo que os bancos estão trabalhando “com o Banco Central e governo, para prover liquidez e crédito para quem precisa”.