Empregos

TI Rio: empresas enfrentam pandemia com confiança no futuro

Pesquisa do TI Rio mostra pouca adesão a medidas de exugamento permitidas por MPs. Dirigente diz bancos devem fazer menos propaganda e dar mais suporte

7 de maio de 2020
Pesquisa TI Rio apontou rescisão do contrato de trabalho por 11% das empresas

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Apesar do aumento da inadimplência, dificuldades para obtenção de crédito e perda de mais de 30% dos clientes, uma pesquisa com empresas de informática do Rio mostra confiança no crescimento após a pandemia. É o resultado da segunda sondagem do TI Rio (Sindicato das Empresas de Informática do Rio de Janeiro).

Foi pequena a adesão aos procedimentos permitidos pelas MP 936/2020, baixada pelo governo federal para flexibilizar salários e direitos trabalhistas. Feita entre 30 de abril e 5 de maio com 122 empresas, a pesquisa tem o objetivo de acompanhar as consequências da pandemia do Covid 19.

O presidente do TI Rio, Benito Paret, destacou que, das regras incluídas nas medidas provisórias do governo federal, só o teletrabalho teve adesão de 100% dos consultados. “As medidas do governo que permitem suspender os contratos de trabalho em parte ou integral não tiveram impacto no setor. Porém, continuam tendo impacto o trabalho a distância, em função da característica da atividade.”

Gráficos TI Rio
Pesquisa TI Rio apontou adesão de 100% ao home office e otimismo com pós Covid

No que se refere à MP 936/2020, 64% das empresas disseram não ter adotado nenhum dos procedimentos previstos. Já 27% optaram pela redução da jornada e dos salários até três mínimos; 16%, a redução de jornada e salários acima de três mínimos, e 13% suspenderam contratos de trabalho.

O teletrabalho/home office contou com adesão de 100% das empresas. O ajuste no banco de horas foi feito por 16%; rescisão do contrato de trabalho por 11%, e antecipação de férias coletivas por 9%.

Dificuldade de crédito

O acesso a novos créditos no sistema bancário não tem sido conseguido por 56% das empresas consultadas, enquanto também se acumulam dívidas. Cinquenta e oito por cento indicaram ter débitos tributários que precisam de parcelamento.

Do ponto de vista das relações com os clientes, 54,5% disseram que enfrentam inadimplências, e 20% renegociam valores. Já 37% perderam clientes. Na comparação com o mesmo período do ano passado, 40% disseram que houve decréscimo no volume de negócios. Para 49% o mercado ficou estagnado. Dez por cento afirmaram ter havido crescimento.

Expectativa de crescimento

Cerca de metade dos pesquisados (53%) disse esperar crescimento de seus negócios quando as atividades normalizarem, após as severas restrições da pandemia. Para 34%, ficará estagnado, e, para 13%, queda.


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Entre as empresas que responderam à sondagem, 53% foram desenvolvedoras de sistemas, 20% consultorias de TI; 8% comercializadoras de software; 7% da área de suporte,e 12% foram agrupadas como “outros”. Quanto ao porte, 55% têm entre onze e 99 empregados; 29% até dez; 7% entre cem e 199 e 9%, mais de 200.

A próxima sondagem está prevista para junho, segundo Benito Paret. “Estas sondagens nos permitem entender como o setor está enfrentando a crise e nos indicam caminhos para atuação. Vemos, por exemplo, ser imprescindível que o sistema bancário deixe de fazer propaganda e atue com efetividade para dar suporte aos negócios.”