Empresária investe em tecnologia para vender hambúrgueres | Diário do Porto


Empreendedorismo

Empresária investe em tecnologia para vender hambúrgueres

Da concepção do negócio ao atendimento, foram mais de dois anos para a Hummburg se transformar em realidade em plena crise econômica

18 de setembro de 2018



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Huumburg
Ambiente descontraído e decoração moderna são um convite à degustação (Foto: Divulgação)

Por Rosayne Macedo

Parece um restaurante, mas não serve exatamente refeições e sim hambúrgueres, que valem por uma refeição ou muito mais. A hamburgueria artesanal, instalada em um casarão de 200 metros quadrados, com pé direito alto e fachada preservada na tradicional Rua da Quitanda, no Centro Histórico do Rio, chama a atenção de quem resolve ter essa ‘experiência gastronômica’. Da concepção do negócio ao atendimento, foram mais de dois anos para a Hummburg se transformar em realidade, em plena crise econômica.

Aliada à proposta de imprimir a marca da família, a tecnologia exerce papel fundamental no negócio com sugestivo nome. Em 2015, a jovem advogada e empresária Mariana Spíndola, então com 28 anos, deixou o Direito para tocar o novo xodó da família. A ideia surgiu do irmão, Marco Spíndola, que frequentava o Beco do Hambúrguer e tomou o empreendimento como base de estudo, criando alguns diferenciais.

O principal deles é que não há garçons para servir o público. O cliente vai direto ao caixa e faz seu pedido ou usa um dos totens de atendimento no próprio local. Em média em cinco minutos é possível degustar uma das mais de mil combinações possíveis do cardápio. Quem passa por ali no horário de almoço às sextas-feiras tem que esperar um pouquinho mais: é que nestes dias chegam a ser vendidos 300 hambúrgueres em uma hora e meia. A média nos demais dias é de 240 hambúrgueres.

Clientes aprovam ‘experiência’

Mariana contou com apoio do Sebrae para formatar o projeto. Além de oferecer produtos feitos na casa, com receitas exclusivas e atendimento de qualidade, a proposta é “proporcionar uma experiência de entretenimento com a tecnologia”. Para isso, a casa oferece a opção de fazer o pedido totalmente personalizado em modernas estações de autoatendimento.

“Alguns clientes fazem questão de usar, talvez pela liberdade que dá no atendimento. É uma forma de diversão”, conta a empresária. Segundo ela, mesmo os clientes que têm mais dificuldade com a tecnologia não ficam inibidos e podem contar com funcionários no salão para ajudar no atendimento. “Os que sabem mexer gostam de mostrar sua habilidade. As pessoas ficam satisfeitas por dominar a tecnologia”, ressalta.

A empresária acredita que a boa experiência com a tecnologia tem relação com o perfil do público que frequenta a casa, com boa escolaridade, nível intelectual e familiaridade em usar totens de autoatendimento em aeroportos. Segundo ela, o uso da tecnologia pelos clientes é bom para o negócio. “O tíquete no autoatendimento é cerca de 14% maior que o pedido feito no caixa”.

Mariana: cada detalhe é pensado com carinho (Foto: Rosayne Macedo)

Hamburgômetro e prêmios

Outra atração da casa é o hamburgômetro, que vai contabilizando os sanduíches vendidos (mais de 52 mil até julho deste ano) e, de tempos em tempos, premia o cliente da vez com um vale hambúrguer para a próxima visita. “Queremos que, além de consumir um produto de qualidade, com um bom atendimento, as pessoas tenham a sensação de que é possível ganhar, como quando se vai a Las Vegas”, compara.

Mariana Spíndola conta que os sorteios são uma forma divertida de envolver a clientela com o ambiente: “A cada compra o cliente ganha um cupom e ainda corre o risco de ser sorteado. Quem não conhece a promoção fica surpreso. Quem já sabe, fica torcendo para ser na sua vez. Às vezes o pessoal brinca, ‘ah, ele furou a fila, agora era eu”, conta ela.

Os sorteios acontecem, em média, a cada 20 hambúrgueres vendidos. O prêmio é um vale-hambúrguer, no valor de R$ 22 (equivalente à metade do valor máximo de 44 reais). O sorteado pode incluir outros acompanhamentos, como queijo extra, bacon, cebola caramelizada e picles, pagando por fora.

A tecnologia também marca presença na Hummburg na grande televisão do salão, que passa quatro vídeos qua contam a história do hambúrguer, de forma mais lúdica, na tentativa de fisgar o público que se interessa por cultura e história na Região Portuária.  A decoração usa ainda peças criadas em ferro fundido exclusivamente para a loja. As artes foram criadas por designer especializado.

Já nos bastidores, a tecnologia tem um papel importante através do sistema de vendas, que permite gerar relatórios para acompanhar os resultados do negócio. “Analisando os relatórios mensais, passamos a fazer um melhor controle de estoque, da lucratividade dos produtos e até fizemos trocas em sabores de milkshake”, enfatiza a empresária.

Ambiente foi cuidadosamente criado por uma arquiteta no antigo casarão (Foto: Divulgação)

Vínculo afetivo na origem da família

Apesar da alta carga tecnológica do negócio, a essência da Hummburg mantém sua origem afetiva na família do pai de Mariana, que fez história nas décadas de 70 e 80 na gastronomia em Minas Gerais, onde teve padarias, restaurantes e boates na cidade de Juiz de Fora.

Essa história, aliás, está fortemente presente na decoração da nova loja, que tem uma máquina registradora de 1968, usada na primeira padaria da família,misturando-se com outros objetos lúdicos. O projeto que deu ao antigo casarão um toque de modernidade é assinado pela arquiteta Fernanda Carminate.

“Me formei em Direito, tirei a carteira da OAB, fiz pós-graduação. Mas sempre gostei de empreender. E resolvemos voltar à área de base da família”, conta Mariana, que responde pelo marketing e administração. Ela conta ainda com ajuda do irmão, que atua no mercado financeiro e se tornou seu sócio no negócio, e com a mãe, Rejane, sempre presente no dia a dia da operação da Hummburg.

O pai, que também é advogado e chegou a ser diretor jurídico da Odebrecht, deu força a Mariana e, sempre que possível, está na loja para “dar uma mãozinha”. “Todos nós sempre gostamos de cozinhar. E fazíamos nossas experimentações em casa”, entrega.

 

Pratos artesanais e mais de 1 mil combinações

Tempo é dinheiro e num negócio de fast food, é vital. Com a casa cheia, o tempo de atendimento pode chegar a 10 minutos, mas em média, não passa de cinco minutos e já chegou a apenas 50 segundos. “É possível criar mais de 1 mil combinações com os ingredientes do cardápio, vai depender da criatividade de cada um”, diz Mariana.

Sobre as comparações com a rede de restaurantes fast food de comida italiana, ela faz questão de frisar:  “Não é o Spoleto dos hambúrgueres, é mais artesanal – a maionese, o molho, o blend de carnes, o pão… tudo é feito na casa. O cliente pode confiar”, explica Mariana.

Segundo ela, os ingredientes seguem critérios rigorosos de qualidade. Não são usados aditivos químicos, nem emulsificante (produto usado para deixar a maionese mais cremosa), e o pão, produzido na casa, tem validade de três dias. A casa oferece quatro tipos de pão, todos fabricados no local: pão de requeijão, de batata baroa, crocante (estilo francês) e australiano.

As receitas dos hambúrgueres foram desenvolvidas por chef com experiência internacional. Os nomes são criativos, como Áiói (alho e óleo), Borogodó, OMG (Oh My God) e Gengis Khan (homenagem à origem do hambúrguer). Os milk shakes exclusivos da casa são outra atração, nos sabores torta de limão, morango, chocolate crocante e paçoca.

Para atender aqueles que se preocupam em engordar com o pão, a casa oferece opções de salada para acompanhar o disco do hambúrguer. Há ainda a opção vegetariana, que deve ser encomendada de véspera. “Precisamos de 24 horas para produzir o hambúrguer vegano, retirando todos os ingredientes de  origem animal”, destaca a empresária.

Para Mariana, o toque personalizado é o segredo do negócio. “Cada vez que como acho mais gostoso porque me envolvo. Passo mais tempo aqui do que em casa, é nossa nova paixãozinha e fazemos tudo com muito cuidado. Isso vai da compra dos ingredientes até o feedback final do cliente, não acaba quando os pratos descem”, conta, empolgada.

Porto Maravilha, hub de tecnologia e inovação

A escolha do ponto também foi fundamental. O imóvel ocupa um prédio com a fachada preservada e tem capacidade para 75 lugares, numa das regiões mais promissoras da cidade, recém-revitalizada, com muitas opções de museus e centros culturais, VLT e atrativos para população e turistas. Tudo isso motivou Mariana a abrir o negócio em pleno período de recessão no país, ainda mais visível no Rio de Janeiro.

Na época, empresas saíram das ruas, fechando suas portas, e prédios inteiros foram desocupados, principalmente no Centro do Rio. Hoje a recuperação de um antigo imóvel ao lado da Huumburg, que está sendo reformado para receber pelo menos 800 novos funcionários, anima a empresária.

Pensando no futuro da região como um grande hub de tecnologia e inovação, Mariana acredita no forte potencial de crescimento da região. “Aqui é o lugar. Além da parte cultural, você vê todos os investimentos feitos em melhorias em um lugar que também tem acesso a uma grande malha de transporte”, diz Mariana.

“O resultado da revitalização não deixa dúvidas do potencial da Região Portuária, e, agora, com incentivos para criar um polo de tecnologia, atraindo um público que tem o perfil de nosso cliente, tem tudo para dar certo”, aposta.

Meta agora é focar na qualidade e ampliar movimento

Segundo ela, a empresa foi escolhida por intermédio de avaliações e indicações para participar do projeto do Sebrae no Porto, recebendo um ano inteiro de consultoria gratuita de gestão financeira e marketing, para tornar a empresa mais saudável. “Foi um aprendizado muito grande. Me sinto totalmente preparada para gerir meu negócio com a base que o Sebrae me deu”, conta Mariana.

A troca de experiências com outros empresários do projeto também foi enriquecedora, segundo ela, permitindo, por exemplo, trocar indicações de fornecedores, indicações de mão de obra e outras informações importantes para a gestão do negócio.

Hoje, segundo Mariana, a grande preocupação é manter a qualidade e cuidar da boa imagem da marca nas redes sociais.  “Agora é esperar o mercado aquecer e montar uma loja menor, para abastecer com o que é produzido aqui”, planeja a empresária, que garante não ter projeto de abrir filiais ou transformar o negócio em franquia. “Queremos crescer de forma orgânica. Se abrir, será loja própria”, diz ela.

A ideia, revela, é desenvolver uma operação mais compacta, focada apenas na expedição, com menos funcionários, em que é possível comer na calçada, como na Z. Deli, nos Jardins, em São Paulo. “Primeiro queremos alavancar o movimento, depois pensar em nova unidade”, garante.

Perguntada sobre a concorrência com os food trucks, que também cresceram bastante na Região Portuária, especialmente no período da Olimpíada, ela não vê problema.

“Foi um chamariz para outras empresas empreenderem nesta área. A febre uma hora passa. A crise vai peneirar e vão ficar as boas. Muitos, inclusive, já fecharam. O público se encarrega de filtrar. Queremos agora administrar bem para manter a casa sadia, num exercício diário de conseguir sobreviver à crise”.

Huumburg

De segunda a sexta-feira, das 11h30 às 18h

Rua da Quitanda 202 – Centro Rio de Janeiro
Telefone: (21) 3199-1202

Fonte: Sebrae, com redação

 


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