Emenda de Kigali: Arthur Lira pode melhorar 'clima' com EUA | Diário do Porto

Sustentabilidade

Emenda de Kigali: Arthur Lira pode melhorar ‘clima’ com EUA

Se Arthur Lira levar plenário a aprovar Emenda de Kigali, indústria tem acesso a US$ 100 milhões para substituir gases em aparelhos de refrigeração

9 de fevereiro de 2021
Câmara de Lira pode ratificar Emenda de Kigali e acenar para Biden

Compartilhe essa notícia:


O gás mais utilizado nos aparelhos de ar-condicionado à venda no Brasil tem potencial de aquecimento global (GWP, na sigla em inglês) duas mil vezes maior do que o gás carbônico. O nome dele é R410A, e sua substituição já vem sendo feita em diversos países. No Brasil, o Congresso Nacional ainda precisa ratificar a Emenda de Kigali, que já passou por todas as comissões da Câmara e durante um ano esperou pela inciativa do então presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, de enviá-lo ao plenário.

Segundo o site O Antagonista, o novo presidente da Câmara, Arthur Lira, avalia tirar o projeto da gaveta, em um aceno diplomático positivo para o novo presidente dos Estados Unidos. Joe Biden anunciou em seu site a intenção de aderir à Emenda Kigali nos primeiros 100 dias de governo. Dezesseis estados americanos já aprovaram ou estão mexendo na legislação regional para impor limites aos hidrofluorcarbonetos (HFCs), que têm alto potencial de aquecimento global (GWP, na sigla em inglês). O R410A é um tipo de HFC.

Emenda de Kigali abre R$ 100 milhões para a indústria

Clauber Leite - Idec
Clauber Leite, do Idec: inovação para a indústria brasileira

Os HFCs são usados como fluido refrigerante em equipamentos como geladeiras, freezers e aparelhos de ar condicionado, em substituição a gases clorados (CFCs e HCFCs). A Emenda de Kigali inclui os HFCs na lista de substâncias controladas pelo Protocolo de Montreal, um tratado para reduzir as substâncias que afetam a camada de ozônio. Embora não causem danos à camada de ozônio, esses gases têm elevado potencial de aquecimento global.

– A ratificação da Emenda de Kigali vai alinhar a indústria brasileira às tendências do mercado internacional, aumentar a competitividade e colocar o Brasil na rota da inovação – afirma Clauber Leite, coordenador do Programa de Energia e Sustentabilidade do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

Um relatório de novembro de 2020 do Observatório do Clima revelou que o Brasil é o quinto maior emissor de gases de efeito estufa do planeta e que, em 2019, as emissões registraram o maior aumento desde 2003. Com a ratificação da Emenda de Kigali pelo Congresso, a indústria brasileira teria acesso a uma verba de cerca de US$ 100 milhões, a fundo perdido, para adotar processos produtivos de equipamentos com fluidos refrigerantes de menor potencial de efeito estufa.

Rodolfo Gomes, do IEI Brasil
Rodolfo Gomes, do IEI Brasil: baixo carbono e competitividade

– Com a aprovação do Congresso, o país dará uma sinalização positiva aos investidores sobre seu compromisso com uma economia de baixo carbono, com a inovação e a competitividade – defende Rodolfo Gomes, diretor executivo do International Energy Initiative – IEI Brasil.

Mais de 100 países já ratificaram Emenda de Kigali

A Emenda de Kigali já obteve mais de 100 ratificações das nações signatárias, o que permitiu sua entrada em vigor em janeiro de 2019. Hoje, 100% do mercado japonês e a maior parte dos países europeus já adotam condicionadores de ar com fluidos de baixo potencial de aquecimento global. Essas tecnologias começam a dominar os mercados chinês, americano e indiano. Ao alinhar o Brasil com as tendências globais, a Emenda de Kigali impede ainda que o país se torne destino de tecnologias ultrapassadas, fenômeno conhecido como dumping tecnológico.


LEIA TAMBÉM:

Escola Chinesa, no Rio, tem equipamentos da Huawei

Self storage: depósito para móveis cresce na pandemia

Coppe UFRJ alerta contra desmonte da ciência no Brasil


A questão da eficiência energética torna-se mais relevante diante do crescimento no consumo de ar-condicionado no Brasil. Hoje, estima-se que o território nacional tenha mais de 28 milhões de aparelhos instalados, com tendência de crescimento anual de 10%.

Entenda a Emenda de Kigali

A Emenda ao Protocolo de Montreal foi aprovada em 2016 em Kigali, capital de Ruanda, estabelecendo um cronograma de redução gradual no consumo dos HFCs, para as quais já há alternativas seguras para a indústria. Criada para defender a aprovação da Emenda pelo governo brasileiro, a Rede Kigali reúne as entidades International Energy Initiative – IEI Brasil, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Instituto Clima e Sociedade (iCS), Engajamundo e Projeto Hospitais Saudáveis (PHS).

Para conscientizar a população, a Rede Kigali lançou a campanha Se liga na conta do ar-condicionado: bom para o seu bolso, bom para o planeta. Os objetivos são alertar os consumidores sobre os benefícios de aparelhos com maior eficiência energética e orientá-los para escolher e usar de forma adequada os equipamentos.