Eleições: o que o novo governador vai fazer pelo Centro do Rio? | Diário do Porto


Segurança

Eleições: o que o novo governador vai fazer pelo Centro do Rio?

Segurança, emprego e despoluição da Baía de Guanabara: o que o novo governador vai fazer para promover o crescimento econômico e melhorar a qualidade de vida no Centro e no Porto Maravilha?

27 de outubro de 2018

Wilson Witzel e Eduardo Paes

Compartilhe essa notícia:


Quais são as ideias e as propostas do futuro governador sobre a região central da cidade do Rio de Janeiro? O que ele pode fazer para superar os maiores desafios do coração do estado? Durante a semana, longe da troca de críticas e acusações que marcou o segundo turno das eleições no RJ, o DIÁRIO DO PORTO recebeu e publicou as respostas dos candidatos Eduardo Paes (DEM) e Wilson Witzel (PSC) a perguntas sobre a retomada do crescimento, com novos negócios e mais moradias, segurança pública e despoluição da Baía de Guanabara.

São questões que afetam a todo o estado, pela influência sobre a qualidade de vida e a geração de empregos. No Centro e no Porto Maravilha, onde todas as regiões do Estado se encontram, são cruciais. Hoje, véspera da eleição, reproduzimos, na íntegra, as respostas de Witzel e Paes. Ambos receberam as mesmas perguntas e cumpriram o limite de espaço para seus argumentos.

O futuro do Rio de Janeiro estará, neste domingo 28 de outubro, nas mãos de cada cidadão do estado. Boa leitura e bom voto.


1. Desenvolvimento econômico

DIÁRIO DO PORTO: Empreendedores que investiram na região portuária por acreditar no projeto do Porto Maravilha passam por um momento difícil, com uma taxa recorde de vacância de imóveis. O que o governo do estado pode fazer para reverter a perspectiva pessimista e fomentar a ocupação da área por novos moradores e novos negócios?

Wilson Witzel:

Candidato Wilson WitzelPrimeiramente, temos que criar um ambiente que atraia o mercado para aquela região, e para o Rio como um todo, e isto perpassa em garantir a segurança, através de medidas que tomaremos como reforço policial e trabalho de investigação e de inteligência.

Vamos também ajudar a Prefeitura do Rio a mudar o foco da região, para atrairmos projetos habitacionais e, em conjunto, criar a infraestrutura de serviços públicos para fixar moradores na área, como escolas e UPA.

As reformas legislativas e administrativas para atração de investimentos também terão papel fundamental nesse processo e a contínua transferência de sedes de secretarias estaduais para a região não está descartada.

Eduardo Paes:

Candidato Eduardo Paes (DEM)

A revitalização da zona portuária promoveu uma profunda transformação em uma área imensa e de grande importância do Rio. Todas as obras de infraestrutura planejadas foram executadas. Na Prefeitura, requalificamos uma área de 5 milhões de metros quadrados para que a região virasse um polo de negócios, cultura, habitação e lazer.

Isso incluiu a demolição do viaduto da Perimetral, a construção de três túneis, de 70 quilômetros de vias novas, 700 quilômetros de redes de água, esgoto, gás e drenagem. Construímos um extenso passeio público, a Orla Luiz Paulo Conde, e dois museus. Toda esta transformação já tornou a área um ponto turístico da cidade. O que era uma promessa de décadas se tornou realidade porque me empenhei para tirar o projeto de revitalização da Zona Portuária do papel.

Hoje o Rio, como todo o país, enfrenta uma grave crise econômica que atinge a todos, governos e empresas. Houve uma retração de negócios no Brasil, que impactou os empreendimentos privados no Porto. Mas toda a infraestrutura e melhorias a que nos dispusemos a fazer para a área foram realizadas.

A região merece toda a atenção dos governos municipal e estadual porque é uma área fundamental para o desenvolvimento da cidade e de todo o estado. Tenho a certeza de que com a retomada da economia brasileira e fluminense, a região portuária terá o seu processo de atração de negócios privados alavancados. Esse é um processo que naturalmente demoraria 10, 15 anos, mas foi acelerado por todos os investimentos em infraestrutura feitos em cerca de 5 anos.


2. Segurança Pública

DIÁRIO DO PORTO: A violência é um dos entraves à ocupação da região central da cidade, especialmente a Zona Portuária. Quem mais sofre são os moradores das favelas, como a da Providência, em função dos tiroteios. Como melhorar a segurança na área?

Wilson Witzel

Wilson WitzelVamos criar o Distrito Policial do Porto, com comando integrado e alternado entre a Polícia Militar e a Polícia Civil, aproximando as instituições para maior uniformidade, integração operacional e colaboração entre todos.

Estenderemos o programa Segurança Presente para o Porto e criaremos a Universidade da Polícia, para formação e aperfeiçoamento entre todos os operadores da segurança pública.

Vamos criar a operação Lava-Jato do Estado do Rio: trabalho conjunto de cooperação entre Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Federal, para impedir a entrada de drogas e armas ilegais no estado e investigar a lavagem de dinheiro do narcotráfico.

Daremos aos policiais civis garantias e investimentos para aprofundar a capacidade de investigação e garantir aos policiais militares o respaldo jurídico para combater a criminalidade e, se for necessário, com uso de força letal. Entre outras medidas, vamos incorporar a guarda municipal no esforço de segurança.

Eduardo Paes:

Candidato Eduardo Paes (DEM)A Segurança será um fator primordial no meu governo. Precisamos trazer tranquilidade não só para a população, mas para os investidores também. O problema de violência, infelizmente, não está localizado só na região central da cidade. Hoje, atingiu a todo o estado. Por isso, a minha política será formada por ações que privilegiem a integração das forças policiais para a resolução do problema em todo o estado e não só em uma região específica.

O estado do Rio tem hoje cerca de 44 mil policiais, e muitos não estão nas ruas. Parte do efetivo está afastada, cedida ou em atividades administrativas. É preciso remanejar pessoal, aumentar o efetivo que faz o patrulhamento das ruas para reduzir os roubos e os homicídios.
Queremos reduzir a violência nas ruas de forma significativa já no primeiro ano, implantando um novo modelo operacional para o patrulhamento territorial. Vamos criar os Centros de Operações Policiais (C.O.P.) para integrar as atividades das forças de segurança, coordenando a vigilância nas ruas, o patrulhamento
tático-ostensivo e as atividades de investigação criminal.

Vamos instituir também a Força da Paz, uma força-tarefa de inteligência e operação integrada contra o Crime Organizado. Terá participação da Polícia Civil, da Receita Federal e da Secretaria de Fazenda. O foco do trabalho é levantar e cruzar informações para asfixiar as fontes de financiamento do tráfico e da milícia.

O maior investimento em inteligência vai nos permitir atuar de forma mais cirúrgicacontra as organizações criminosas e, com isso, evitar esse número absurdo de tiroteios nas comunidades. Tem muito policial, morador, gente inocente morrendo.
Por fim, quero dizer que, no meu governo, a segurança pública voltará a ficar sob a autoridade do governador. A intervenção acaba em dezembro, mas eu vou lutar para manter o apoio das forças armadas na segurança pública – sob o meu comando e com uma nova estratégia.


3. Despoluição da Baía

DIÁRIO DO PORTO: A poluição da Baía de Guanabara segue como um dos maiores desperdícios de potencial turístico e econômico do mundo, além do dinheiro investido em projetos fracassados de despoluição. Se eleito, o que o sr. fará para aumentar o saneamento da Região Metropolitana e reduzir o despejo de esgoto nos rios que desembocam na Baía?

Wilson Witzel:

Wilson WitzelVamos apresentar um plano de despoluição do rio Paraíba do Sul e da Baía de Guanabara, incluindo a atração de investimentos no setor de saneamento com a abertura do mercado para competidores da Cedae. Também vamos revitalizar a Cedae para retomada de investimentos estatais.

Além disso, investiremos em projetos para exploração econômica dos recursos naturais que não agridam o meio-ambiente. Iremos premiar economicamente a compensação ambiental praticada pelo setor privado e incentivar a substituição das tecnologias poluentes, através da abertura de crédito de fácil acesso.

Nosso objetivo é priorizar as soluções do tratamento dos resíduos sólidos para geração de energia, por meio de usinas específicas a serem construídas e geridas de maneira privada ou por PPPs.

Vamos reformar o processo ambiental administrativo para que se tenha a análise e as licenças ambientais emitidas em até 45 dias como meta ideal, garantindo agilidade e clareza. Também iremos reativar e atualizar os dados de Atividades Potencialmente Poluidoras e gerar consórcios entre municípios limítrofes, para construção de aterros sanitários, acabando com lixões clandestinos, entre outras medidas.

Eduardo Paes:

Candidato Eduardo Paes (DEM)A solução para a Baía de Guanabara é o saneamento dos municípios do entorno. Vamos dar prioridade ao saneamento em São Gonçalo e na Baixada. Isso afeta diretamente a despoluição das águas da Baía. Faremos o que fizemos na Zona Oeste do Rio, ampliando a coleta e o tratamento de esgoto através de Parcerias Público-Privadas.

Adotaremos no estado o mesmo empenho com que tratamos o tema na Prefeitura. Com o Plano municipal de Saneamento, garantimos a ampliação da cobertura de esgoto em 21 bairros da Zona Oeste, que representa 48% do território da cidade e onde moram 1,7 milhão de habitantes.

Celebramos com a iniciativa privada uma concessão que poupou um gasto público de R$ 2,6 bilhões na construção de 10 novas estações de tratamento de esgoto, 2.100 quilômetros de redes coletoras, 142 elevatórias e aproximadamente 600 mil ligações domiciliares de esgoto.
Mas deixo claro que não vou privatizar a Cedae, que vai se manter como companhia pública. É possível fazer investimentos e trabalhar com PPPs (Parcerias Público-Privadas), concessões. A própria Cedae tem estudos nessa direção.

Temos de fazer coisas que são estruturantes. Estruturante em saneamento é botar um tubo de esgoto na porta da casa das pessoas, levar para uma estação de tratamento, que leva para um emissário. Sem isso, a gente vai continuar fingindo que está limpando a Baía.
Tem que ter saneamento na Baixada, em São Gonçalo, ao redor da Baía, não só pelo ativo econômico que ela representa, mas também pela saúde pública de quem vive nessas regiões. Todos se beneficiam, aí incluindo a Zona Portuária, que ganhou de volta sua frente marítima.


/