Seis projetos de instituições científicas de estados da Amazônia Legal foram selecionados no edital Projetos de Pesquisa em Economia Sustentável na Amazônia, lançado pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), em parceria com o Bezos Earth Fund. As iniciativas, escolhidas entre 221 inscritas, receberão R$ 10 milhões no total para serem desenvolvidas.
Os recursos serão utilizados em pesquisas aplicadas que contribuam diretamente para o aprimoramento de políticas públicas e privadas, focadas na implementação de economias que conservem ou restaurem florestas na Amazônia.
Entre os selecionados estão instituições de cinco estados da Amazônia Legal: Acre, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima. As pesquisas vencedoras abordam as temáticas de desenvolvimento rural sustentável; bioeconomia e desenvolvimento socioeconômico; e segurança pública. Cada projeto tem uma rede expandida de pesquisadores e técnicos de diferentes instituições que serão parceiras na execução, envolvendo ao menos 95 pesquisadores e 70 bolsas de pesquisa. Dessa forma, além das seis instituições proponentes, os projetos terão o envolvimento de 84 organizações, de dez unidades federativas (RR, PA, MT, RO, AC, AM, MA, DF, SP e BA), e dois países (EUA e Alemanha).
“Estamos muito satisfeitos com o resultado do edital e a qualidade das propostas recebidas. Elas têm um potencial enorme de produzir, sistematizar e consolidar dados e informações de qualidade baseados em evidências para subsidiar a melhor tomada de decisões e impulsionar o desenvolvimento econômico sustentável da Amazônia”, afirmou a diretora executiva do Instituto Clima e Sociedade (iCS), Maria Netto. “Ter a oportunidade de apoiar pesquisadores locais que conhecem profundamente a região, inclusive os mais jovens, fortalecendo a comunidade científica amazônica em um contexto de COP na Amazônia, cumpre os principais objetivos dessa iniciativa”, disse.
“Recorremos às pessoas que mais conhecem a Amazônia para liderar o caminho rumo a economias que protegem a floresta — e elas estão entregando resultados”, disse Daniel Schensul, assessor para desenvolvimento econômico sustentável do Bezos Earth Fund. “Essas coalizões de pesquisa baseadas na Amazônia recorrem a um profundo reservatório de conhecimento e inovação que muitas vezes foi ignorado. O trabalho delas ajudará formuladores de política pública, comunidades e investidores a construir economias prósperas, que ofereçam resultados para as pessoas e preservem esse território essencial”.
A expectativa é iniciar os projetos no princípio de 2026 e consolidar a Rede de Pesquisa para uma Economia Sustentável da Amazônia (RESA)* nos próximos anos. Cada pesquisa tem um prazo de duração que varia de 12 a 36 meses. Haverá entregas específicas ao longo da implementação, objetivando influenciar melhorias em políticas públicas e o ecossistema de negócios, como artigos científicos, documentos técnicos, policy briefs, recomendações técnico-científicas apresentadas a órgãos públicos, formação e capacitação de jovens pesquisadores.
“Os planos para a RESA envolvem ainda a realização de eventos e diálogos com tomadores de decisão, prospecção de novas oportunidades de apoio e financiamento às pesquisas não contempladas neste edital, além de articulação com outras iniciativas relevantes e sinérgicas em andamento”, informou o especialista em Uso da Terra e Agricultura Sustentável do iCS, Pedro Zanetti.
Conheça os projetos selecionados:
1 – Governança em Territórios em Disputa: Investimentos Públicos e Segurança na Amazônia
> Proponente: Universidade Federal de Roraima
> Tema: Segurança pública
>> O projeto tem como objetivo mapear e analisar iniciativas públicas voltadas ao desenvolvimento social comunitário na Amazônia Legal, especialmente em territórios indígenas, quilombolas, reservas extrativistas e centros urbanos estratégicos. A pesquisa buscará identificar ações que promovam inclusão socioeconômica e redução da influência do crime organizado, articulando segurança pública, proteção ambiental e mitigação das mudanças climáticas. A partir da sistematização de dados sobre investimentos federais, pretende-se apontar padrões, lacunas e oportunidades para fortalecer a governança e fomentar economias sustentáveis e territórios mais seguros.
2 – Rede de pesquisa em contas regionais e bioeconomia da sociobiodiversidade da Amazônia (Rede BioContas Regionais da Amazônia)
> Proponente: Universidade Federal do Pará
> Tema: Bioeconomia e desenvolvimento socioeconômico
>> A proposta visa preencher lacunas a partir da formação de uma rede de pesquisa inter e multidisciplinar, com a participação de laboratórios das mais importantes instituições de pesquisas da região. O objetivo principal é a produção de conhecimento regular e sistemático sobre a realidade da economia regional em sua dimensão mais ligada ao bioma e aos processos de conservação da sociobiodiversidade amazônica. O projeto tem foco em três campos: a) produção de conhecimento em rede e fortalecimento do ecossistema de produção e difusão de informações e metodologias de pesquisa para o mapeamento da bioeconomia da sociobiodiversidade na Amazônia; b) a melhoria no acesso a informações, comunicação e compreensão do modo de funcionamento da bioeconomia na Amazônia; c) a construção de métricas, indicadores e análises de políticas públicas aprofundadas com o objetivo de auxiliar o poder público na elaboração, monitoramento e avaliação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento da bioeconomia da sociobiodiversidade na Amazônia.
3 – Viabilidade Econômica de Assentamentos Rurais nos Três Biomas de Mato Grosso: Análise Integrada de Sustentabilidade, Carbono e Dinâmica Territorial
> Proponente: Universidade do Estado de Mato Grosso
> Tema: Desenvolvimento rural sustentável
>> O projeto visa demonstrar e operacionalizar a viabilidade ecossistêmica e socioeconômica da agricultura familiar de baixo carbono, com foco na manutenção da floresta em pé na Amazônia. Será estudado um assentamento rural representativo em cada uma das três ecorregiões-chave de Mato Grosso (Amazônia, Cerrado e Pantanal). O objetivo é analisar, de forma integrada, a gestão dos processos de fluxo de carbono nesses contextos e as inter-relações entre práticas produtivas rurais, a dinâmica de uso e ocupação do solo e seus impactos nos fluxos biogeoquímicos de carbono (emissões/mitigações), e na geração de emprego e renda. O projeto vai investigar a integração de pequenos produtores em mercados de crédito de carbono (voluntários e regulados) e a viabilidade de mecanismos de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), buscando modelos de negócio replicáveis que harmonizem prosperidade econômica e conservação da floresta.
4 – Contribuições da cacauicultura na sociobioeconomia sob mudanças climáticas na Amazônia: agriculturas familiares em adaptação agroflorestal para o desenvolvimento territorial sustentável
> Proponente: Universidade Federal do Pará
> Tema: Desenvolvimento rural sustentável
>> A produção e o mercado de cacau estão em transformação na Amazônia. Diante de mudanças climáticas pouco compreendidas, é urgente acompanhar a evolução dessa economia em ascensão. Do Pará ao Acre, o projeto visa fortalecer uma rede de pesquisa para monitorar e influenciar políticas públicas e privadas voltadas aos Sistemas Agroflorestais-cacau (SAF), conciliando o desenvolvimento rural sustentável e a conservação florestal. A partir das diversidades locais e suas demandas reais, o objetivo é caracterizar os arranjos produtivos e analisar suas implicações socioeconômicas para as agriculturas familiares, sob a perspectiva da agrobiodiversidade e da sociobioeconomia. O projeto investigará os processos que orientam adaptações estratégicas, resiliência e inovações nesses territórios, buscando restaurar a proteger florestas em pé.
5 – Benchmarking e Eficiência Operacional de Agroindústrias Brasileiras de castanha-da-amazônia: Inovação e Competitividade na Bioeconomia Amazônica
> Proponente: Embrapa Rondônia
> Tema: Bioeconomia e desenvolvimento socioeconômico
>> A pesquisa propõe a criação do primeiro sistema de benchmarking do beneficiamento da castanha-da-amazônia, uma iniciativa inédita que preenche lacuna crítica na bioeconomia da floresta. O esforço baseia-se na coleta de dados primários confidenciais de beneficiadoras do Pará, Amazonas, Rondônia e Mato Grosso, permitindo calcular indicadores padronizados de eficiência, como taxa de corte da matéria-prima, rendimento de produção e percentual de amêndoas quebradas. A iniciativa visa identificar gargalos na cadeia de produção, propor melhorias e ampliar gradualmente o alcance do benchmarking a outras regiões da Amazônia. O projeto irá mapear a cadeia de valor, analisar políticas públicas incidentes, articular com órgãos estratégicos como ApexBrasil e MDIC, e contribuir cientificamente com publicações e dados primários inéditos que podem alimentar pesquisas futuras. Com isso, pretende-se elevar a competitividade setorial, promover a organização coletiva, formar jovens pesquisadores e influenciar políticas de bioeconomia, aumentando o valor econômico de cada castanheira mantida em pé na floresta.
6 – Monitoramento de impactos socioeconômicos e ambientais dos sistemas de produção agroextrativistas de base familiar em Resex e Assentamentos no Acre: contribuições do cooperativismo para a sociobioeconomia e gestão territorial
> Proponente: Universidade Federal do Acre
> Tema: Desenvolvimento rural sustentável
>> A pesquisa tem como objetivo central analisar os modelos de produção que compõem o sistema agroextrativista na Resex Chico Mendes, compreendendo como o cooperativismo pode impulsionar o fortalecimento de arranjos produtivos que promovam prosperidade, bem viver e valorização das identidades tradicionais, assegurando a conservação da floresta e de seus recursos. Para isso, a pesquisa incorporará a valorização dos produtos e serviços ambientais oferecidos pela floresta e realizará análises comparativas entre as cadeias produtivas da pecuária e do agroextrativismo baseado em uma Rede de Cooperativas das famílias agroextrativistas. Parte-se do reconhecimento do cooperativismo como um eixo estruturante da sociobioeconomia amazônica, pois organiza a produção de base comunitária, gera renda e inclusão, transforma produtos da sociobiodiversidade em negócios sustentáveis, viabiliza agregação de valor em cadeias responsáveis e conecta territórios de floresta a mercados, políticas públicas e mecanismos econômicos e financeiros, incluindo instrumentos de remuneração por serviços socioambientais.
- * A Rede de Pesquisa para uma Economia Sustentável da Amazônia (RESA) é um projeto desenvolvido pelo iCS, com financiamento do Bezos Earth Fund. A iniciativa tem como objetivo apoiar a comunidade científica amazônica, a partir do fomento de pesquisa aplicada liderada por pesquisadores e especialistas em economia que vivem e atuam na Amazônia Legal. Desta forma, a RESA contribui para a criação e implementação de novos modelos econômicos sustentáveis, com soluções específicas para a região, e para a consolidação desta comunidade científica amazônica forte, influente e duradoura.
Sobre o iCS
O Instituto Clima e Sociedade é uma organização filantrópica que apoia o enfrentamento das mudanças climáticas com foco no Brasil, por meio do emprego de um rol amplo de abordagens e ferramentas. Estas compreendem desde o suporte institucional e financeiro a organizações sem fins lucrativos ao apoio ao desenvolvimento de pesquisas técnicas e científicas, passando pela formação de redes e capacitação em diferentes segmentos econômicos.
Sobre o Bezos Earth Fund
O Bezos Earth Fund está ajudando a transformar a luta contra a mudança climática com o maior compromisso filantrópico de todos os tempos com foco na proteção do clima e da natureza. Jeff Bezos comprometeu-se a investir US$ 10 bilhões para proteger a natureza e enfrentar as mudanças climáticas. Ao fornecer financiamento e conhecimento especializado, nós formamos parcerias com organizações para acelerar a inovação, derrubar barreiras ao sucesso e criar um mundo mais equitativo e sustentável. Junte-se a nós em nossa missão de criar um mundo onde as pessoas prosperem em harmonia com a natureza. Para saber mais sobre o Bezos Earth Fund, acesse: bezosearthfund.org.
