Porto Saúde

Viver com dor crônica, sofrimento de muitos

A coluna Porto Saúde de hoje é dedicada ao tema da dor crônica. Luciana Medeiros conversou com o geriatra Thiago Bicalho sobre o assunto

9 de novembro de 2019
Segundo a SBED, a dor crônica é uma questão de saúde pública (Deposit Photos)

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Porto Saúde

Luciana Medeiros

Luciana Medeiros

Há uma doença genética e hereditária chamada Síndrome de Riley-Day, que provoca, entre outros sintomas, a completa insensibilidade à dor. Antes que alguém ache ótimo não sentir dor, já adianto: é péssimo. A dor é uma sentinela, o sinal de que uma lesão aconteceu ou que alguma coisa não vai bem.

Mas nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Viver com dor é excruciante. Estamos falando, claro, da dor crônica, termo aí que define a persistência da sensação dolorosa, contínua ou intermitente. E se a dor se mantém por mais de 30 dias, é considerada dor crônica.

Neste sábado, dia 9 de novembro, 9h30, o Hospital Pasteur, no Méier, levantou essa bola com uma palestra do geriatra Thiago Bicalho: “É Possível Superar a Dor Crônica?”. Ele integra um programa de atenção aos idosos e a dor persistente é bastante presente nessa faixa etária.

O geriatra Thiago Bicalho
O geriatra Thiago Bicalho

“Considero a dor o quinto sinal vital”, explica ele, listando pulsação, pressão arterial, respiração e temperatura como os outros quatro. “Se a dor aguda representa proteção, a dor crônica já é caso diferente. Com a persistência da dor, na estimulação repetida da célula nervosa, a abordagem precisa ser diferente.”

Uma das situações mais extremas é a da fibromialgia, uma síndrome de amplificação dolorosa cujo sintoma principal é… dor. No corpo todo. Muito mais comum do que se imagina, acomete principalmente as mulheres e não existe exame, a não ser o clínico, que a detecte. Há entendimentos de que a dor pelo corpo da FM teria origem em alterações nos níveis de neurotransmissores como serotonina e noradrenalina. “Dor crônica é como uma ferida que não cicatriza”, prossegue o geriatra. “Artrite cumulativa e lúpus com manifestação articular trazem dor crônica”.


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O medo de sentir dor coloca mais um aditivo nesse bolo indigesto. O ciclo de dor se soma aos transtornos de ansiedade e o quadro fica mais complicado. “Às vezes a pessoa com dor para de se movimentar, a inatividade traz mais ansiedade, insônia e a depressão pode se instalar. A dor crônica, aliás, é irmã da depressão”.

O que fazer? Segundo a SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor, essa é uma questão de saúde pública, pela incidência aumentada em população de menores renda e escolaridade. Sabemos também que aqui no Brasil a saúde mental – e aí se inclui o alcoolismo – não tem sido atendida como deveria. O site deles tem pesquisas impressionantes e até uma chamada para campanha muito bem feita, com bastante informação (clique aqui).

 “Para tratar a dor crônica, a abordagem holística é indispensável”, conclui o geriatra Thiago Bicalho. “O médico precisa fazer a avaliação biossocial do paciente e lançar mão, sim de medicamentos como os analgésicos, anti-inflamatórios, até os opioides. O essencial é abordara dor crônica em conjunto com a psicologia, as terapias como acupuntura, a prática do exercício físico”. E o canabidiol? “Ainda há pouca pesquisa a respeito, embora haja protocolos em andamento. Vamos acompanhar”.

Dentro do seu programa Atenção Total ao Idoso, o Hospital Pasteur, no Méier, promoveu, no dia 9 de novembro (sábado), em seu auditório, a palestra “É Possível Superar a Dor Crônica?”, com o geriatra Thiago Bicalho. Os telefones para informações são 2104-4402 e 2104-3853.