Imóveis

Donos do Moinho Fluminense vão lançar projeto multiuso no Porto

Autonomy, que comprou o Moinho Fluminense em 2019, disse ao DIÁRIO DO PORTO que deseja diversificar uso do local. Partes não tombadas estão sendo derrubadas

26 de agosto de 2020
Moinho Fluminense foi comprado pela Autonomy Investimentos em julho do ano passado (Foto: DiPo)

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A Autonomy Investimentos & Affiliates, que comprou o Moinho Fluminense em julho do ano passado, disse ao DIÁRIO DO PORTO que pretende lançar no imóvel um projeto com vários usos. Embora não tenha detalhado a ideia, um empreendimento multiuso permite pensar em áreas comerciais, formando um shopping, escritórios e hotel. Se houver área residencial, será uma novidade no portfólio dos investidores.

A empresa, com sede em São Paulo, não especificou uma data para o lançamento, porém afirmou que vem realizando a limpeza e manutenção das edificações protegidas, “de acordo com as diretrizes dos órgãos de preservação do patrimônio”. O Moinho completou 133 anos, neste 25 de agosto.

Uma das especialidades da Autonomy é justamente essa: adquirir prédios antigos para reformar. No Centro do Rio, a empresa já realizou projetos desse tipo, como o da Standard Oil e o Ouvidor 107, todos retrofitados. No Porto, a companhia é dona do edifício comercial Vista Guanabara, vizinho do Moinho, na Avenida Venezuela. Nesse caso, porém, a obra foi erguida do zero.

Em setembro do ano passado, a Prefeitura autorizou a demolição das áreas do Moinho que não estão protegidas por tombamento. Em outubro, as partes começaram a ser derrubadas. O imóvel possui 53 mil m² de área construída em um terreno de 27 mil m², ocupando 4 quarteirões do Porto Maravilha, entre a Rua Sacadura Cabral e a Avenida Venezuela.

Moinho: 133 anos de história

Fachada do Moinho Fluminense
Fachada do Moinho Fluminense, na Praça da Harmonia, foi restaurada em 2011 (Foto: DiPo)

Inaugurado em 25 de agosto de 1887, o Moinho Fluminense foi a primeira fábrica de moagem de trigo do Brasil e tem seu nome marcado na história não só do Rio, mas do país. Seu alvará de funcionamento foi concedido pela princesa Isabel no século 19. O local ainda serviu, por exemplo, como refúgio de Rui Barbosa, então ministro da Fazenda, durante a Revolta da Armada de 1893, quando marinheiros se rebelaram contra o então presidente Floriano Peixoto.

Além disso, o Moinho também foi cenário importante durante a Revolta da Vacina, em 1904. O povo montou barricadas em frente ao local para fugir da vacina obrigatória instituída por Oswaldo Cruz, então diretor-geral de Saúde Pública.


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Dez anos depois, em 1914, a Bunge Brasil, multinacional de alimentos e agronegócios, assumiu o Moinho Fluminense, local de rara beleza arquitetônica e que teve seu tombamento decretado pela Prefeitura em 1987. Sua fachada, na Praça da Harmonia, foi reformada em 2011 e é considerada um exemplo clássico de uma bela arquitetura industrial inglesa.

Em 2014, a Bunge negociou a venda da área para a Carioca Engenharia e Vinci Partners, por aproximadamente R$ 180 milhões. O projeto previa um shopping, hotel, centro médico e salas comerciais, mas o negócio, que custaria até R$ 1 bilhão, não saiu do papel. A empresa funcionou no local até outubro de 2016, quando se transferiu para Duque de Caxias. O Moinho, então, ficou fechado até o meio de 2019, quando a Autonomy adquiriu o imóvel.