Donos de food trucks torcem por reaquecimento dos negócios no Rio | Diário do Porto


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Donos de food trucks torcem por reaquecimento dos negócios no Rio

Os food trucks chegaram com força total às ruas brasileiras entre 2014 e 2015. No Rio, foi no coração da Zona Portuária, a Praça Mauá, que muitos deles se instalaram. Com a proximidade das Olimpíadas, a área vivia lotada. Este ano, porém, o movimento já não é o mesmo.

26 de maio de 2018



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Donos de caminhões reclamam do baixo movimento e da limitação no número de mesas. Fotos: Letícia Amorim

Por Letícia Amorim (CoCriato)

Um tipo de empreendimento que começou nos Estados Unidos chegou com força total às ruas brasileiras entre 2014 e 2015: os food trucks. No Rio de Janeiro, foi no coração da Zona Portuária, a Praça Mauá, que muitos deles se instalaram. A época era propícia, com a reforma da praça, a proximidade das Olimpíadas e muitos eventos culturais. Este ano, porém, o movimento de clientes e a quantidade de caminhões oferecendo refeições já não é o mesmo.

Maxence Oran, francês de 33 anos que é dono do Le Petit Paris, que tem cardápio inspirado na culinária de seu país, empreendeu pela primeira vez no ramo há três anos. Segundo Max, “os brasileiros comem muito fora”, e isso foi o que o motivou a investir no negócio. Hoje, porém, sente saudade de 2016, ano das Olimpíadas: “O turismo fez com que muitas pessoas estivessem por aqui, então as vendas eram muito boas, o que não ocorre agora”.

Ele também lamenta a determinação da Prefeitura do Rio, do final de 2017, que estipulou limite de no máximo cinco mesas e 20 cadeiras para cada caminhão. “Eles alegaram que os food trucks estavam prejudicando os pisos da praça”, conta. Segundo o comerciante,  o resultado foi a queda de 19 para cinco no número de food trucks no local. “Com esse limite fica complicado. Muita gente desiste de consumir por falta de lugar para se sentar”, afirma.

Lucas, do Gastronomia Itinerante (à esquerda), e Max, do Le Petit Paris, persistem na região.

A Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), órgão municipal responsável pela área, explicou que a determinação surgiu porque os proprietários começaram a avançar sobre a área do boulevard. O órgão afirma ainda que a regulamentação foi feita pela Cdurp para evitar que mesas e cadeiras impedissem ou criassem obstáculos à passagem de pedestres.

A Cdurp também explicou que, no fim de 2016, a Prefeitura do Rio havia concedido, com isenção de taxas e validade de um ano, um alvará único: havia vários food trucks sob um só CNPJ. Segundo o órgão, a atual administração verificou que a medida feria a legislação municipal e decidiu fazer uma adequação para o modelo atual, no fim do ano passado. A prefeitura então cassou o alvará único e passou a conceder licenças individuais para cada food truck, cobrando as taxas necessárias para utilização do solo. Dos 19 caminhões do primeiro alvará, somente cinco se interessaram em permanecer no local. Eles precisam renovar a autorização mensalmente.

Lucas Lima, 21 anos, está à frente do Gastronomia Itinerante, projeto de seus pais. O jovem gaúcho conta que o empreendimento surgiu no começo de 2017, quando “o movimento turístico ainda era muito bom e chegavam a formar fila para comprar as nossas comidas”. Com a queda nos negócios nos últimos meses, ele arrisca um palpite: “Eu acredito que essa baixa seja pela falta de eventos frequentes na região”. Mesmo com pouco movimento, principalmente durante a semana, para Lucas trocar de ponto não é uma opção, já que há um receio de sair do local e este voltar a “bombar”.

Nômade foi um dos primeiros food trucks do Rio de Janeiro.

Andréia Constantino, paulista de 52 anos, também apostou no Porto Maravilha. Formada em Gastronomia e fundadora do Nômade Truck, primeiro caminhão do Rio, em atividade há quase cinco anos, ela conta ter montado o empreendimento na Praça Mauá a convite da Secretaria Municipal de Turismo. Ela se instalou lá antes mesmo da reforma da Praça Mauá, em setembro de 2015.  “A cidade estava investindo em ter food truck por aqui”, lembra. Aceitar o local como seu ponto fixo foi uma escolha focada no que o futuro poderia trazer, segundo ela. Hoje, porém, a queda no movimento preocupa.

Há alternativas para que a Praça Mauá volte a receber atenção? Como uma opção, Lucas aposta no retorno de eventos e mais divulgação do local para os turistas. “O Veste Rio (evento de moda que ocorreu de 11 a 15 de abril) foi uma ótima coisa para a gente, porque as pessoas acabavam vindo aqui comer, mesmo com o evento oferecendo lugares para almoço e lanche”, diz.

Andréia concorda. “Quando há eventos culturais e shows gratuitos por aqui e no próprio Pier Mauá, é legal para a gente. Eles tinham que acontecer com mais frequência”, afirma. Para a chef, que também foi presidente da Associação de Food Truck do Rio de Janeiro por dois anos, há um diferencial em investir nessa área: “Estamos num ponto turístico muito bacana e interessante. Depois da obra, mudou tudo. É um um passeio diferente e agradável. Mas ainda faltam estruturas, principalmente que ofereçam mais sombras”.

A Cdurp diz manter diálogo permanente com os donos de food trucks, que, além da colocação de estruturas que gerem sombra, pedem a instalação de banheiros químicos e pontos de eletricidade. Contudo, segundo o órgão municipal, o projeto da Orla Conde não prevê esses equipamentos. Em relação ao número de eventos, a Cdurp afirma que não houve alteração na comparação com o passado. A Companhia e os outros órgãos municipais da administração pública direta, responsáveis pela aprovação de eventos, mantêm rotina de autorizações.

 


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