Ditadura é a moldura de novo livro de Fernando Molica | Diário do Porto


Literatura

Ditadura é a moldura de novo livro de Fernando Molica

“Elefantes no Céu de Piedade” (ed. Patuá) é o quinto romance do escritor e jornalista Fernando Molica. Porto Maravilha foi o endereço da noite de autógrafos

14 de outubro de 2021

Fernando Molica lança "Elefantes no céu de Piedade" (Thaís Velloso/divulgação)

Compartilhe essa notícia:


Neste livro, Molica nos faz lembrar duas grandes virtudes da literatura: uma delas é que a literatura pode encantar seus leitores; a outra, é que a literatura não nos deixa nunca esquecer.”

Cíntia Moscovich, escritora

Escritor e jornalista com passagens por grandes veículos de imprensa, o carioca Fernando Molica lança seu quinto livro, “Elefantes no céu de Piedade” (ed. Patuá). O romance se passa no início dos anos 1970 e tem como núcleo central uma família suburbana, moradora do bairro de Piedade (RJ), defensora da ditadura de 1964. É narrado em primeira pessoa por Francisco, filho de Jorge e Eneida.

O primeiro capítulo narra uma grande conquista familiar: a compra do carro novo, um Opala, aquisição que simboliza o progresso da classe média durante o chamado “milagre econômico” da primeira metade dos anos 70 que, na avaliação do casal, havia trazido ordem e prosperidade para o país: “(…) as verdades nos chegavam de maneira evidente, segura e grandiosa, como o Opala e a nova casa. A vida era feita de certezas, não havia espaço para dúvidas.”

A aparente harmonia é interrompida pela chegada de um primo capixaba, universitário que, motivos de saúde, precisa passar uma curta temporada na casa dos parentes. Depois de alguns dias, Francisco descobre que o rapaz não está doente, mas saiu de seu estado por ser procurado pela polícia política. A presença de Carlos Alberto mexe com a estrutura da família, provoca conflitos e ajuda a mudar a percepção sobre o que ocorre no país.

Criado no bairro de Piedade, cenário do livro, Molica é autor de cinco romances, sendo o mais recente, “Uma selfie com Lenin” (Record, 2016). Foi duas vezes finalista do Prêmio Jabuti. Dois de seus livros – “Notícias do Mirandão” (Record) e “Bandeira negra, amor” (Objetiva) – foram lançados na Alemanha e na França. Também publicou o livro-reportagem “O homem que morreu três vezes” (Record) e o infantojuvenil “O misterioso craque da Vila Belmira” (Rocco). Tem contos editados nas antologias “O livro branco” (Record), “Conversas de botequim” (Mórula), “Dicionário amoroso da língua portuguesa” (Casa da Palavra) e “Antifascistas” (Mondrongo).

Elefantes de Molica na Prainha do Vidal

Livrarias no Centro ou elegantes bares na Zona Sul? Nada disso. O Bafo da Prainha, no agitado Largo São Francisco da Prainha, para muitos “a nova praia carioca”, foi o lugar escolhido pelo autor para a noite de autógrafos de sua nova obra. E com direito até ao escritor atacando de DJ e botando a plateia para mexer com um playlist montada por ele e repleta de hits dos anos 70, época em que se passa a ação do livro. O badalado botequim de Raphael Vidal é uma das estrelas da Saúde, recentemente eleito pela “Time Out” como o bairro mais legal do Brasil. A porta de entrada do Porto Maravilha ficou em 24º lugar no ranking dos 49 locais mais bacanas do mundo. Detalhe. É o único brasileiro da lista. Como se trata de uma publicação anglo-americana, aqui cabe o desgastado, jeca e banalizado anglicismo “Sorry”, Leblon e Jardins. Ou, em bom carioquês, desculpa aê.

ELEFANTES NO CÉU DE PIEDADE

Editora Patuá

168 pgs

R$ 45,00 (preço sugerido)

Livro à venda no site www.editorapatua.com.br .