Diretor da Odebrecht diz que Santo Cristo é mais seguro do que Botafogo | Diário do Porto


Empreendedorismo

Diretor da Odebrecht diz que Santo Cristo é mais seguro do que Botafogo

Diretor de Investimentos da Odebrecht diz que a ocupação da região por empresas, festas e eventos está combatendo a percepção de insegurança e vazio.

1 de novembro de 2018



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Armando Iazzetta, diretor da Odebrecht
Armando Iazzeta (reprodução de vídeo)

A ideia de que bairros da Zona Portuária, como o Santo Cristo, são mais violentos do que a Zona Sul não encontra respaldo nas estatísticas, nem na rotina das empresas que estão se mudando para o Porto Maravilha. É o caso da Odebrecht, uma das que mais apostaram na região. O diretor de Investimentos da empresa, Armando Iazetta, em entrevista a Luís Leão, do ‘Clube do Empreendedor’, disse que, em termos de segurança, o Santo Cristo “é melhor que Botafogo, Flamengo e região central do Rio”.

A despeito da dificuldade na ocupação do principal empreendimento da Odebrecht na Zona Portuária, o Porto Atlântico, Iazzetta se mostrou otimista. Para quem pensa em investir na região, mas não se sente confortável com os espaços ainda vazios e com a velha fama de desordem e violência, vale a pena assistir à entrevista do diretor da Odebrecht no Canal do Empreendedor (clique aqui)

O DIÁRIO DO PORTO destacou alguns pontos:

1 – Iazzetta disse que a crise mudou o conceito de desenvolvimento do mercado imobiliário. No jeito velho, de antes de 2013, os empresários faziam a oferta dos imóveis, e a demanda vinha atrás. Hoje é preciso estimular a demanda, pelo estímulo ao empreendedorismo e geração de emprego. E, então, aparece a demanda por áreas locáveis. Por isso, é tão importante a atuação de instâncias como o Clube do Empreendedor’, no qual ele representa a Odebrecht.

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2 – A própria Odebrecht adotou a estratégia de promover o desenvolvimento do entorno do prédio que passou a ocupar, o Novocais, e também nas comunidades dos morros da Providência e do Pinto, com apoio a projetos de promoção do empreendedorismo local.

3 – Nos últimos meses, apesar da escalada da violência no Rio de Janeiro em geral, a região do Santo Cristo apresentou indicadores estáveis ou em queda.

Novocais, sede da Odebrecht no Santo Cristo

4 – A segurança é composta de percepção e estatística. “Na estatística, a despeito de tudo que se vê e sente, é melhor que Botafogo, Flamengo e região central do Rio”. Ele diz que parte dos bons resultados se deve ao trabalho de base feito pelas empresas, como a Odebrecht, de contratar mão de obra local, por exemplo.

5 – Durante muito tempo, a região esteve desocupada ou com “ocupação secundária” pelo crime. Esta imagem ainda não saiu do subconsciente de quem passava só para ir à Rodoviária ou pegar a Ponte Rio-Niterói, a Avenida Brasil. A desocupação ainda traz “essa percepção de vazio, que amedronta e afugenta”, mas muitas ações têm combatido esse vazio. Há festas, eventos e movimentações que promovem segurança. “Em dois anos já circularam nessa região mais de 500 mil pessoas”, estimou.

6- Há um feed back muito positivo nas redes sociais, em relação à segurança, por parte dos frequentadores dos eventos na região. “Em cinco anos que estou aqui, só tivemos um caso de assalto. Em Botafogo, era ao menos um caso por mês. Essa é a estatística. A percepção a gente tem que trabalhar junto com toda as empresas para combater.”

7 – O prédio Novocais tem 200 vagas para carro, mas são bem menos utilizadas do que quando a empresa estava em Botafogo. A ida para o Porto melhorou muito a logística dos funcionários porque é bem mais perto para quem vem da Baixada, da Barra, de Niterói e muitas áreas da Zona Norte. A integração do VLT com barcas, rodoviária, aeroporto, metrô e SuperVia ajuda muito no deslocamento. Os executivos e funcionários que vêm de São Paulo e descem no Aeroporto Santos Dumont nem pegam táxi mais – usam o VLT, quatro vezes mais barato. “Nesse tempo todo não me lembro de nenhum assalto no VLT”, ressalta.

8 – Há uma forte vocação da região para a indústria criativa, que são empresas com potencial de crescimento rápido. Muitas delas começam com uma sala e, em quatro ou cinco anos, já estão ocupando um andar ou mesmo um prédio.

Opinião do DIÁRIO DO PORTO:

O exemplo vem de cima. A decisão da Odebrecht de se mudar para o Santo Cristo deveria inspirar a Caixa Econômica Federal, que controla a maior parte do potencial construtivo do Porto Maravilha. Recentemente, o banco anunciou que mudará sua sede do Largo da Carioca para a Rua das Marrecas, descartando a transferência para o Porto Maravilha. Com a decisão, a Caixa contribuiu para desvalorizar seu patrimônio e o dos investidores que acreditaram em seu projeto.


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