Dia da Terra: indústria e ambientalistas pedem "Kigali Já" | Diário do Porto

Sustentabilidade

Dia da Terra: indústria e ambientalistas pedem “Kigali Já”

Indústria e entidades de defesa do meio ambiente e direitos do consumidor cobram que Artur Lira coloque Emenda de Kigali em votação no Dia Mundial da Terra

22 de abril de 2021
Câmara de Lira pode ratificar Emenda de Kigali e acenar para Biden


Compartilhe essa notícia:


A crise política permanente em Brasília, agravada pela pandemia, tem travado a agenda positiva para o Brasil no Congresso Nacional. Projetos cuja aprovação poderiam acelerar o desenvolvimento político e social acabam sendo relegados a segundo plano diante das emergências. É o caso da ratificação da Emenda de Kigali ao Protocolo de Montreal, uma das pautas que serão discutidas pelas grandes potências nesta quinta-feira, 22, Dia Mundial da Terra e que, no Brasil, dorme há um ano e meio da gaveta da Presidência da Câmara dos Deputados.

Assinada por 119 países, a emenda estabelece metas para a redução do uso de gases prejudiciais ao efeito estufa em aparelhos de refrigeração. Estados Unidos e China darão um passo histórico na Cúpula de Líderes Sobre o Clima, anunciando uma união inédita por medidas para reduzir o aquecimento global. No Brasil, o Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 1.100/2018, de ratificação da Emenda, já passou por todas as comissões da Câmara, mas não foi enviada ao plenário.

O presidente da Câmara, deputado Arthur Lira, deve receber no Dia da Terra o manifesto “Pela Aprovação de Kigali Já!”, assinado por representantes da indústria e de entidades de defesa do meio ambiente e dos direitos do consumidor. A aprovação seria um importante sinal da diplomacia brasileira para os Estados Unidos e demais países da OCDE, um trunfo para o novo ministro das Relações Exteriores, Carlos França, diante das críticas à política ambiental brasileira.

“Essa modernização permitiria que a indústria brasileira ficasse alinhada às inovações já presentes em mercados como o norte-americano, europeu, chinês e indiano”, diz o manifesto a ser entregue a Lira.

Emenda Kigali
Campanha pela aprovação da Emenda de Kigali no Congresso Nacional (Reprodução)

Emenda de Kigali e os impactos econômicos

A Emenda de Kigali foi aprovada em 2016, durante conferência do Protocolo de Montreal – do qual o Brasil faz parte – e ganhou este nome em homenagem à capital de Ruanda, que sediou a reunião. O protocolo trata principalmente da proteção à camada de ozônio, mas, com a Emenda de Kigali, passou também a refletir as preocupações com as mudanças climáticas.

 


LEIA TAMBÉM

Jovens agitam cidades brasileiras pela Emenda de Kigali

Rede Kigali e nossa atitude contra as mudanças climáticas

Emenda de Kigali: Arthur Lira pode melhorar ‘clima’ com EUA


 

Os gases HFCs – limitados pela Emenda de Kigali – mais utilizados no Brasil são até 2 mil vezes mais prejudiciais ao efeito estufa do que o dióxido de carbono. Hoje, 100% do mercado japonês e a maior parte dos países europeus já adotam fluidos refrigerantes de baixo potencial de aquecimento global. Quando o Brasil ratificar a emenda, a indústria nacional de ar condicionado e geladeiras terá acesso a cerca de 100 milhões de dólares do Fundo Multilateral para a Implementação do Protocolo, a fundo perdido.

O dinheiro é para que as fábricas brasileiras produzam equipamentos mais eficientes e menos poluentes. Sem esses investimentos, o Brasil perde competitividade, e nosso mercado consumidor se consolida como destino de produtos obsoletos e de alto consumo de energia.

Aparelhos obsoletos trazem prejuízos a todos

A aprovação da emenda evitará que o Brasil se torne um dos últimos destinos de aparelhos obsoletos, que aquecem o planeta e têm baixa eficiência energética, elevando os gastos das famílias, do governo e das empresas com a conta de luz. O uso de aparelhos eficientes resultaria em economia de R$ 57 bilhões no país até 2035.

O cálculo é de um estudo do Instituto Clima e Sociedade (iCS) em cooperação técnica com o Lawrence Berkeley National Laboratory (LBNL). Do total, R$ 30 bilhões deixariam de ser gastos na geração de energia elétrica, e outros R$ 27 bilhões seriam economizados pelos consumidores na conta de luz.

 

Rodolfo Gomes, do IEI Brasil
Rodolfo Gomes, do IEI Brasil (Foto: Arquivo pessoal)

A Emenda de Kigali vai permitir que a indústria avance tecnologicamente e em recursos humanos, agregando mais valor e gerando empregos. Como também vai permitir que o Brasil continue participando do comércio internacional de HFCs. Caso contrário, não poderá comprar de países produtores que ratificaram a emenda, que será o caso dos Estados Unidos e da China”, diz Rodolfo Gomes, diretor executivo do International Energy Initiative – IEI Brasil.

Apoio de entidades de diferentes setores

A Rede Kigali, que preconiza a aprovação da emenda no Brasil, reúne o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), o iCS (Instituto Clima e Sociedade), o IEI, o Engajamundo e o Projeto Hospitais Saudáveis (PHS).

O manifestou pela ratificação da Emenda atraiu representantes da indústria e entidades que lutam pelo ambiente e pelo consumidor. Entre os signatários estão Abrava (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento),Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos), Fecomércio-SP, CBC (Centro Brasil no Clima), Climate Policy Initiative, Instituto Ethos, entre outros.

O manifesto “Pela aprovação de Kigali já” é assinado por mais de 1.200 pessoas e entidades e pode ser visto na página do Idec, clicando aqui. As hashtags que estão sendo usadas na campanha pela ratificação da Emenda de Kigali são as seguintes: #DiaMundialdaTerra #EmendaKigali #VotaKigali #MudancaClimatica