Destino de túneis do Porto ainda é incerto | Diário do Porto

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Destino de túneis do Porto ainda é incerto

Concessionária disse que entregaria os túneis do Porto dia 11, quarta, por falta de pagamento dos serviços. Situação preocupa empresas e investidores

9 de setembro de 2019


O túnel Marcello Alencar atinge 43 m de profundidade, ao lado da Baía de Guanabara (foto: Cdurp)


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O projeto do Porto Maravilha vive uma semana crucial. Quarta-feira 11 é o prazo comunicado pela Concessionária Porto Novo como seu último dia na operação dos túneis Marcello Alencar e Rio450. Os dois cruzam os bairros do Centro, Gamboa, Saúde e Santo Cristo, no Porto Maravilha.

Em 26 de agosto, a concessionária divulgou nota afirmando que, por falta de pagamento, iria transferir a operação dos túneis para a Cdurp (Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro), empresa da Prefeitura.

Procuradas nos últimos dias pelo DIÁRIO DO PORTO, a Cdurp disse que “a operação dos túneis Rio450 e Marcello Alencar é um serviço essencial à população, e a Prefeitura do Rio, via Cdurp, negocia a solução com a Concessionária Porto Novo”. Já a Concessionária não se manifestou.

A solução, segundo fontes que acompanham a crise de perto, depende do pagamento das dívidas atrasadas, não bastando apenas promessas, pois a Concessionária não teria mais condições de ficar arcando com as despesas sem receber.

A operação dos túneis envolve procedimentos constantes e complexos, com o trabalho de mais de 60 pessoas, 24 horas em todos os dias da semana. Uma das rotinas checadas com rigor é o funcionamento e manutenção do sistema que impede a inundação das galerias.

No túnel Marcello Alencar, há quatro bombas para a drenagem de uma cisterna que armazena 401 mil litros de água, o equivalente a 40 caminhões pipa (de 10 mil litros cada). Com 3.382 metros na sua maior galeria, esse é o maior túnel subterrâneo do país, atingindo 43 metros de profundidade, ao lado da Baía de Guanabara. Além dessas quatro bombas, há mais nove sob outros pontos do projeto de revitalização (cinco na Praça Mauá e quatro no antigo mergulhão da Praça 15).


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Em junho de 2018, também por falta de pagamento, a Porto Novo já havia entregue outros serviços para a Cdurp, como os de limpeza e iluminação urbana, controle de tráfego, coleta de lixo domiciliar, manutenção e conservação de ruas, calçadas e monumentos, entre outros. Frequentadores da área, especialmente na Praça Mauá, têm reclamado da falta de luz nos postes.

A transferência dos serviços da Concessionária para a Cdurp preocupa empresas que apostaram no Porto Maravilha nos últimos anos. Em recente reunião realizada com os principais investidores da região, houve manifestação também de apreensão pelo fechamento do Museu do Amanhã e Museu de Arte do Rio, além da possível paralisação do VLT. Todas essas questões dependem de decisões da Prefeitura.

O papel da Caixa

Por trás da situação crítica entre a Concessionária e a Cdurp está a Caixa Econômica Federal, a quem compete a venda de títulos imobiliários da região do Porto para financiar novas obras e a manutenção de tudo o que já foi feito.

A Caixa deixou de fazer transferências para a Cdurp há dois anos, alegando que não há recursos nos fundos imobiliários do Porto que ela administra, o que teria sido causado pela recessão do país. A crise é real, mas também foi agravada pelo pouco comprometimento da própria Caixa com o sucesso do projeto. A instituição, mesmo tendo imóveis na região do Porto Maravilha, chegou a transferir parte de seus escritórios para outra região do Centro, decisão que só está sendo parcialmente revista agora.

Na semana passada, o novo presidente da Cdurp, Tarquínio Almeida foi a Brasília para reuniões com a direção da Caixa, em busca de soluções. Ainda não sabemos os resultados.