Carnaval

Desfile das Campeãs: as escolas e seus sambas

As 6 primeiras escolas de samba colocadas se reapresentam na Sapucaí no sábado, no Desfile das Campeãs. Conheça os detalhes do espetáculo

7 de março de 2019
Campeã do Grupo Especial de 2019 será conhecida hoje (Fotos Aziz Filho)

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Depois da apuração dos votos que definiu a Mangueira como a Campeã do Carnaval do Rio de Janeiro, as seis melhores escolas do Grupo Especial voltam ao Sambódromo neste sábado. O Desfile das Campeãs começará às 21h15 com a Mocidade Independente de Padre Miguel, a 6° colocada. 

As escolas desfilam em ordem de colocação decrescente, fechando a noite com a campeã. Viradouro, Vila Isabel, Portela e Salgueiro também participam do espetáculo.

A verde e rosa comemora o 20° título com o samba-enredo que contou outra História do Brasil na Sapucaí, com o enredo “História pra ninar gente grande”, assinado pelo carnavalesco Leandro Vieira. Em 24 alas e cinco alegorias, a escola deu destaque para heróis da resistência negros e indígenas em vez dos personagens tradicionais dos livros didáticos.

Os ingressos para assistir ao espetáculo estão à venda e custam entre R$ 280,00 e R$ 2.998,00. Eles podem ser adquiridos no site da Liga Independente das Escolas de Samba aqui.

 Confira a ordem das escolas de samba no desfile:

 

21:15Mocidade
22:20Salgueiro
23:25Portela
00:30Vila Isabel
01:35Viradouro
02:40Mangueira

Viradouro

Recém retornada para o Grupo Especial após 4 anos afastada, a escola reexibe neste sábado o enredo “ViraViradouro”, que lhe rendeu o segundo lugar. O carnavalesco Paulo Barros, que já assinou 5 desfiles campeões em outras escolas, retornou à Viradouro deixando sua marca. Alegorias com fumaça, água, luzes e outros recursos foram usados para encantar a Sapucaí.

Neste sábado, princesas, bruxas e diversos personagens de contos infantis, como Alice no País das Maravilhas e A Bela e a Fera, voltarão para recontar a história que encantou a Avenida.

Confira o samba-enredo:

Quem me viu chorar
Vai me ver sorrir
Pode acreditar, o amor está aqui
Viraviradouro iluminou
O brilho no olhar voltou

Se tem magia, encanto no ar
Eu vou viajar ouvindo histórias
De um livro secreto
Mistérios sem fim
Vovó desperta a infância em mim
Em cada conto sou mais um menino
Que muda a sorte e sela o destino
Lançado o feitiço pra vida virar
Pro bem ou pro mal, é carnaval
E na fantasia
A minha alegria é um sonho real

No reino da ilusão
O amor seduz o vilão
Num conto de fadas, a felicidade
Encanta o meu coração pra cantar
Deixando a tristeza do lado de lá

E quem ousou desafiar a ira divina
Vagou no mar
Cego pela sede da ambição
Carregando a sina dessa maldição
Seres da sombria madrugada
O medo caminhou na escuridão
Mas a coragem que me faz lutar
É a esperança, razão de sonhar
Imaginar e renascer
No Sol de cada amanhecer
Das cinzas voltar
Nas cinzas vencer

Vila Isabel

Um dos desfiles mais luxuosos de 2019 retornará à Avenida para contar a história de Petrópolis. O desfile abordou desde antes do período imperial no Brasil até os dias atuais da charmosa cidade da Região Serrana.

O enredo “Em nome do Pai, do Filho e dos Santos, a Vila canta a cidade de Pedro”, do carnavalesco Edson Pereira, impressionará mais uma vez o público. No desfile de segunda-feira, alguns carros alegóricos da escola ganharam notoriedade, como o “Paraíso coroado”, que retratou o meio ambiente e os índios antes da construção da cidade. O abre-alas foi um dos mais impressionantes, reproduzindo uma carruagem imperial de 60 metros de comprimento, com três carros acoplados.

Viva a princesa e o tambor que não se cala
É o canto do povo mais fiel
Ecoa meu samba no alto da serra
Na passarela, os herdeiros de Isabel

Viva a princesa e o tambor que não se cala
É o canto do povo mais fiel
Ecoa meu samba no alto da serra
Na passarela, os herdeiros de Isabel

Vila, te empresto meu nome
Fonte de tanta nobreza
Por Deus e todos os santos
Honre a tua grandeza
E subindo, pertinho do céu
A névoa formava um véu
Lembrei de meu pai, minha fortaleza
Esculpida em pedras, pedros e coroados
Os seus guardiões, protetores de raro esplendor
Luar do imperador

Meu olhar lacrimejou
Em águas tão cristalinas
Uma cidade divina
Bordada em nobre metal, a joia imperial

Meu olhar lacrimejou
Em águas tão cristalinas
Uma cidade divina
Bordada em nobre metal, a joia imperial

Petrópolis nasce com ar de Versalhes
Adorna a imensidão
A luz assentou o dormente
Fez incandescente a imigração
No baile de cristal, o tom foi redentor
Em noite imortal, floresceu um novo dia
Liberdade, enfim, raiou

Não vi a sorte voar ao sabor do cassino
Segundo o dom que teceu o destino
Meu sangue azul no branco desse pavilhão
O morro desce em prova de amor
Encontro da gratidão

Viva a princesa e o tambor que não se cala
É o canto do povo mais fiel
Ecoa meu samba no alto da serra
Na passarela, os herdeiros de Isabel

Viva a princesa e o tambor que não se cala
É o canto do povo mais fiel
Ecoa meu samba no alto da serra
Na passarela, os herdeiros de Isabel

Portela

A Portela volta a celebrar Clara Nunes na Sapucaí neste sábado. Com homenagens à cantora mineira e portelense, revivida em performance de Emanuelle Araújo, a carnavalesca Rosa Magalhães investiu em fantasias unindo Madureira, Minas Gerais e religiosidade africana.

Carlinhos de Jesus assinou a coreografia da comissão de frente, que abordou espiritualidade e natureza. Os 3.400 componentes da Portela também se dedicaram a mostrar as raízes africanas da Portela e de Clara.

Axé, sou eu
Mestiça, morena de Angola, sou eu
No palco, no meio da rua, sou eu
Mineira, faceira, sereia a cantar, deixa serenar
Que o mar de Oswaldo Cruz a Madureira
Mareia a brasilidade do meu lugar
Nos versos de um cantador
O canto das raças a me chamar
De pé descalço no templo do samba estou
É rosa, é renda pra Águia se enfeitar
Folia, furdunço, ijexá
Na festa de Ogum beira-mar
É ponto firmado pros meus orixás, Eparrei!

Eparrei Oyá, Eparrei
Sopra o vento, me faz sonhar
Deixa o povo se emocionar
Sua filha voltou, minha mãe

Eparrei Oyá, Eparrei
Sopra o vento, me faz sonhar
Deixa o povo se emocionar
Sua filha voltou, minha mãe

Pra ver a Portela tão querida
E ficar feliz da vida
Quando a Velha Guarda passar
A negritude aguerrida em procissão
Mais uma vez deixei levar meu coração
A Paulo, meu professor
Natal, nosso guardião
Candeia que ilumina o meu caminhar
Voltei à Avenida saudosista
Pro Azul e Branco modernista eternizar
Voltei, fiz um pedido à Padroeira
Nas Cinzas desta Quarta-feira, comemorar

Nossas estrelas no céu estão em festa
Lá vem Portela com as bênçãos de Oxalá
No canto de um Sabiá, sambando até de manhã
Sou Clara Guerreira, a filha de Ogum com Iansã

Nossas estrelas no céu estão em festa
Lá vem Portela com as bênçãos de Oxalá
No canto de um Sabiá, sambando até de manhã
Sou Clara Guerreira, a filha de Ogum com Iansã

Salgueiro

Salgueiro recontou na Sapucaí a história de Xangô, divindade cultuada pelas religiões de matriz africana. Os 3.500 componentes da escola defenderam um enredo que misturou justiça e religião.

Foram, ao todo, 30 alas. A primeira delas deu destaque ao fogo, com uma dança feita para o orixá. Os ritmistas também batucaram para Xangô, vestidos como oujubás, os sacerdotes do culto ao orixá. Ao lado da bateria, Viviane Araújo desfilou pela 11ª vez como rainha. O enredo foi assinado por Alex de Souza.

Mora na pedreira, é a lei da Terra
Vem de Aruanda pra vencer a guerra
Eis o justiceiro da Nação Nagô
Samba corre gira, gira pra Xangô

Mora na pedreira, é a lei da Terra
Vem de Aruanda pra vencer a guerra
Eis o justiceiro da Nação Nagô
Samba corre gira, gira pra Xangô

Olori Xango eieô
Olori Xango eieô
Kabesilé, meu padroeiro
Traz a vitória pro meu Salgueiro

Olori Xango eieô
Olori Xango eieô
Kabesilé, meu padroeiro
Traz a vitória pro meu Salgueiro

Vai trovejar!
Abram caminhos pro grande Obá
É força, é poder, o Aláàfin de Oyó
Oba Ko so! Ao rei maior
É pedra quando a justiça pesa
O Alujá carrega a fúria do tambor
No vento, a sedução (Oyá)
O verdadeiro amor (Oraiêiêô)
E no sacrifício de Obà (Obà Xi Obà)
Lá vem Salgueiro!

Mora na pedreira, é a lei da Terra
Vem de Aruanda pra vencer a guerra
Eis o justiceiro da Nação Nagô
Samba corre gira, gira pra Xangô

Mora na pedreira, é a lei da Terra
Vem de Aruanda pra vencer a guerra
Eis o justiceiro da Nação Nagô
Samba corre gira, gira pra Xangô

Rito sagrado, ariaxé
Na igreja ou no candomblé
A bênção, meu Orixá!
É água pra benzer, fogueira pra queimar
Com seu oxê, chama pra purificar
Bahia, meus olhos ainda estão brilhando
Hoje marejados de saudade
Incorporados de felicidade
Fogo no gongá, salve o meu protetor
Canta pra saudar, Opanixé kaô!
Machado desce e o terreiro treme
Ojuobá! Quem não deve não teme

Mocidade

Última escola a desfilar no grupo especial, a Mocidade apresenta novamente o enredo “Eu sou o Tempo, Tempo é Vida”, do carnavalesco Alexandre Louzada. A 6° colocada abre o Desfile das Campeãs no sábado mostrando as formas como o tempo foi tratado ao longo da história.

A cantora Elza Soares, que ganhará homenagem da escola no próximo ano, foi um dos destaques do carro abre-alas. A alegoria era sobre o deus grego do tempo Cronos e a criação dos astros. Na comissão de frente, a escola utilizou uma máquina do tempo para viajar ao passado. A escola também relembrou 3 de seus 6 títulos no final de seu desfile, defendendo que as lembranças são a melhor forma de derrotar o tempo.

Senhor da razão, a luz que me guia
Nos trilhos da vida escolhi amar
Estrela maior, paixão que inebria
Eu conto o tempo pra te ver passar

Senhor da razão, a luz que me guia
Nos trilhos da vida escolhi amar
Estrela maior, paixão que inebria
Eu conto o tempo pra te ver passar

Olha lá, menino tempo
Tenho tanto pra contar
Era eu guri pequeno
Pés descalços, meu lugar
Quando um toco de verso, ôôô
Semeou a poesia, ê láiá
Eu colhi a flor da idade
Vi na minha Mocidade
O raiar de um novo dia
Eu colhi a flor da idade
Vi na minha Mocidade
O raiar de um novo dia

Baila no vento, deixa o tempo marcar
Nas viradas dessa vida vou seguir meu caminhar
Ah, quem me dera o ponteiro voltar
E reencontrar o mestre na Avenida

Baila no vento, deixa o tempo marcar
Nas viradas dessa vida vou seguir meu caminhar
Ah, quem me dera o ponteiro voltar
E reencontrar o mestre na Avenida

Desmedido coração
No contratempo dessa ilusão
Ora machuca, ora cura a dor
Do meu destino, compositor
Tempo que faz a vida virar saudade
Guarda minha identidade
Independente relicário da memória

Padre Miguel
O teu guri já não caminha tão depressa
Mas nunca é tarde pra sonhar
Vamos lá, a hora é essa!

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