Diário do Porto

De quem é o Honda Civic que não é vendido no Brasil e está abandonado no estacionamento do Galeão desde 2020?

Honda Civic Coupé dos EUA, nunca vendido no Brasil

@exoticsdiplomatics e @abandonadosptobr

Quem transita pelo estacionamento do Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, inevitavelmente esbarra em um enigma sobre quatro rodas. Um raro Honda Civic EX-L Coupé 2008, de cor azul escura e sem placas, repousa silenciosamente em uma das vagas há pelo menos seis anos. Coberto por uma grossa camada de poeira e com as rodas travadas, o veículo desperta a curiosidade de passageiros e funcionários, enquanto a identidade do seu proprietário e os motivos do esquecimento permanecem em absoluto segredo.

Uma rota de 20 mil quilômetros pelas Américas

O abandono por si só já atrai olhares, mas os detalhes visíveis no automóvel aprofundam ainda mais o mistério de sua chegada ao Brasil. O carro foi fabricado no Canadá e possui registros originais de Nova York (EUA). Segundo um levantamento do portal Uol Carros, citado em reportagem do jornal O Globo, é provável que o veículo tenha percorrido cerca de 20 mil quilômetros cruzando as Américas até estacionar em definitivo no Rio de Janeiro.

Essa teoria ganha força graças a adesivos colados de forma visível no para-brisa. As etiquetas atestam que o Honda Civic passou por um controle aduaneiro na Guatemala e possui o selo do seguro obrigatório exigido em Belize, dois países da América Central.

O silêncio da administração e a degradação pelo tempo

Selos americanos do estado de NY no carro abandonado

Apesar da grande repercussão do caso e das imagens que circulam frequentemente nas redes sociais, o destino do carro e de seu dono segue sem respostas oficiais. Procurada pelo jornal O Globo, a Estapar, empresa responsável por administrar o estacionamento do Galeão, afirmou que não fornece informações ou dados sobre o veículo.

Enquanto isso, a ação implacável do tempo cobra o seu preço. Os pneus estão completamente ressecados e imóveis no chão do aeroporto. A carroceria, que um dia ostentou o brilho da pintura azul original, hoje serve de lousa para que curiosos escrevam mensagens irônicas como “me lave” na poeira acumulada na lataria.

Potência, luxo e design esquecidos na garagem

Se hoje o carro é visto como um objeto descartado, em 2008 ele representava o auge do design e do conforto automotivo. O Honda Civic EX-L Coupé é a versão de duas portas da aclamada oitava geração da montadora japonesa, um modelo importado e bastante raro de ser visto circulando pelas ruas do Brasil.

O automóvel esportivo é equipado com um motor 1.8 i-VTEC de quatro cilindros, capaz de entregar 140 cavalos de potência e atingir 100 km/h em menos de 10 segundos. Além da famosa confiabilidade mecânica, essa versão topo de linha se destacava pelo interior sofisticado, contando com bancos de couro, teto solar elétrico, ar-condicionado, sistema de som premium e um inovador painel de instrumentos desenhado em dois níveis. Hoje, toda essa tecnologia repousa empoeirada nas sombras do principal aeroporto carioca.

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