Crivella enfrenta CPI das Enchentes | Diário do Porto

Tragédia

Crivella enfrenta CPI das Enchentes

Proposta por vereador do Psol, comissão parlamentar de inquérito quer apurar responsabilidade do poder público nos danos da chuva à cidade e à população

9 de abril de 2019
Crivella em coletiva com órgãos públicos

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O prefeito Marcelo Crivella, alvo de um processo de impeachment acusado de irregularidades na prorrogação de contratos de publicidade, também enfrenta uma CPI na Câmara Municipal para investigar as enchentes no Rio de Janeiro. É a CPI das Enchentes. Oficializada no mês passado, após as chuvas que mataram sete pessoas em fevereiro, a Comissão Parlamentar de Inquérito quer apurar as responsabilidades do Poder Público nos danos causados às pessoas e ao funcionamento da cidade.

A CPI das Enchentes pode ganhar força com a chuva que desde segunda-feira 8 mergulha vastas áreas da cidade no caos. Houve mortes, alagamentos, desabamentos, interrupções de ruas e avenidas, fechando escolas e impedindo o deslocamento de milhares de trabalhadores. Segundo dados do Portal da Transparência da Prefeitura do Rio, em 5 anos houve redução de 58% nos gastos com programas e ações de prevenção aos danos das chuvas> R$ 531 milhões, em 2013, para R$ 224 milhões, ano passado.

Quando esses dados foram revelados, em fevereiro, o prefeito Marcelo Crivella identificou a crise como a causa da queda nos gastos. “A crise financeira que a cidade enfrenta é grande, tivemos queda de arrecadação e falta de empregos, além de uma dívida imensa por causa da Olimpíada. Difícil fazer investimentos que gostaríamos, mas fizemos obras de contenção de encostas”, afirmou.

Para o autor do pedido da CPI das Enchentes, vereador Tarcísio Motta (Psol-RJ), é preciso apurar a queda no orçamento de gastos, principalmente em ações de drenagem e de limpeza de bueiros, que deveriam ser rotineiras. Um dos primeiros passos da CPI é ouvir moradores dos bairros e comunidades como Rio das Pedras, Jardim Botânico, Rocinha e Vidigal. Motta afirma que os cortes realizados pela Prefeitura potencializam os impactos causados pela chuva, tornando-os muito piores para os moradores.

Equipes serão triplicadas, diz Crivella

O prefeito, por sua vez, garantiu nesta terça-feira que não faltam recursos para investimento em obras de prevenção às chuvas e conservação na cidade. Ele anunciou a inauguração de uma obra de R$ 300 milhões, realizada em sua gestão, para desviar o Rio Joana, na região da Grande Tijuca. O túnel vai canalizar o Rio até a Baía de Guanabara e ajudar a evitar enchentes.

Depois de mais de 18 horas no comando das ações de recuperação da cidade, Crivella informou que as equipes de conservação e drenagem de ralos e bueiros serão triplicadas até o ano que vem. “Durante esta semana, estive reunido com as seis empresas que fazem drenagem e conservação da cidade. Havia uma dívida da época do Eduardo Paes, em torno de R$ 27 milhões, que em sindicância estamos certificando. Nessa reunião determinamos que vamos triplicar este ano e no ano que vem as equipes de conservação e de drenagem”, declarou Crivella.

 


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O prefeito informou que 15 Vac-alls (caminhões de drenagem de água) e 20 reboques estão atuando na limpeza de pontos críticos da Zona Sul, da Barra da Tijuca e também na Avenida Brasil. A Prefeitura tem nas ruas quase dez mil homens de Comlurb, Rio-Águas, Rioluz, CET-Rio, Secretaria Municipal de Conservação e outros.

“Temos 750 mil ralos na cidade, e, a cada dois ralos, uma caixa coletora. Ou seja, são 350 mil caixas ao todo. Há diversos afundamentos. Há também o problema da Cedae, que joga esgoto na nossa rede pluvial, o que faz com que ela se rompa e tenhamos mais problemas na hora de chuva forte. Pode ter certeza de que estamos preocupados com isso. Não há absolutamente falta de recursos para conservação da cidade e prevenção contra as chuvas”, repetiu Crivella.

Segundo o prefeito, a cidade teve 785 pontos sem energia elétrica por causa da chuva. A Light informou que os bairros mais atingidos foram Jardim Botânico, Barra da Tijuca, Jacarepaguá e Campo Grande.