Petróleo e Gás

Crise do petróleo deixa o Rio sob ameaça do caos

Crise do petróleo ressuscita fantasma de 2016 no RJ, quando servidores ficaram sem receber, viaturas da polícia sem combustível e hospitais semiparalisados

9 de março de 2020
Queda do preço ameaça Petrobras e acende alerta de recessão no Rio (Foto: Fernando Frazão/Ag. Brasil)

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Ricardo Bruno

Por uma combinação cruel entre a imprudência atávica de seus governantes e a absoluta dependência de sua economia de uma commodity cujo preço tem alta volatilidade no mercado internacional, o Estado do Rio se vê novamente na antevéspera do colapso. O espetacular tombo na cotação do barril de petróleo no domingo (08/03), quando perdeu 30% no início dos mercados asiáticos, chegando a US$ 34, confirma a tendência de queda dos últimos meses. E sugere expressiva baixa na arrecadação de royalties no Estado do Rio de algo em torno de R$ 8 bilhões. Em 2019, com petróleo em média a US$ 60 , o Rio amealhou R$ 14 bilhões de royalties. A alta da moeda americana de R$ 4 para R$ 4,6 reduz a perda mas não a neutraliza.

– 0 governador precisa começar a trabalhar. Até aqui o Governo do Estado viveu do plano de recuperação formatado por Pezão. A situação, contudo, exige que se vá além. É necessário um amplo estudo das variáveis econômicas do Estado e das possibilidades de contingenciamento para não entrarmos novamente em colapso – alerta o presidente da Alerj, André Ceciliano.

A queda de braço entre a Opep e a Rússia trouxe ontem um pessimismo ao mercado, não observado desde a Guerra do Golfo em 1991. No rastro da apreensão dos analistas econômicos, admite-se a possibilidade de o barril chegar a US$ 20. Para se ter ideia do que isto pode representar para o Rio, lembremos de 2016, quando o petróleo chegou a US$ 28 dólares e o Governo do Estado arrecadou apenas R$ 3,4 bilhões de royalties. A máquina pública estadual quase parou: servidores ficaram sem receber, viaturas da polícia sem combustível, hospitais semiparalisados. Enfim, experimentamos o amargo fel do caos. Que hoje volta a nos ameaçar, para a desdita de cariocas e fluminenses.

Para entender a correlação entre os royalties e a saúde econômica do Estado do Rio, veja a série histórica dos últimos 5 anos: Em 2014, o Estado arrecadou R$ 8,7 bi; em 2015 ( quando a Lava jato implodiu a Petrobras concomitantemente com a queda de preços decorrente do xisto americano), R$ 5,2 bilhões; 2016 (quebra geral do Estado durante governo Pezão), R$ 3,4 bilhões; 2017, R% 7,1 bilhões; 2018, (elevação da produção do pré-sal) R$ 13,4 bilhões e 2019, R$ 14 bilhões.

De 1º de janeiro a ontem (09/03), o barril do petróleo caiu 47%. Estava em US$ 66 e agora gira em torno de US$ 35. Se aplicarmos o percentual ao valor arrecadado em 2019 pelo Governo do Estado, teríamos uma queda de R$ 6,5 bilhões. A instabilidade da commodity no mercado internacional não permite, contudo, projeção segura a respeito dos próximos meses. Com os dados de hoje, o Rio novamente pode estar na antevéspera de uma grave crise. Sem falar no julgamento do STF sobre a cota de participação dos estados produtores na divisão da arrecadação, que pode ser reduzida agravando de modo dramático a situação do Estado e dos municípios produtores. Mas se tudo correr muito bem no Supremo, ainda estaremos muito mal diante do tombo verificado na cotação internacional do produto. Cautela é hoje a palavra de ordem a ser repetida como mantra.