Economia

Crise internacional do petróleo ameaça economia do Rio

Queda do petróleo, efeitos do coronavírus, novas regras para os royalties, negociações do Regime de Recuperação Fiscal afetam recuperação econômica do Rio

9 de março de 2020
Petroleiro da Petrobras: crise afetará economia do RJ (Petrobras)

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A instabilidade da economia internacional, causada pela disputa entre a Arábia Saudita e a Rússia em torno do petróleo e pelos efeitos do coronavírus na redução do comércio e do turismo, tiveram repercussão imediata no Brasil, afetando os negócios na Bolsa de Valores e a cotação do dólar. E em curto prazo vão afetar também as projeções de retomada do crescimento econômico do Estado do Rio.

No ano passado, a atividade econômica do Rio cresceu 1,5%, apresentando leve alta em relação a 2018 (1,2%) e ficando acima da variação do PIB do Brasil, 1,1%, em 2019. Porém o crescimento local foi fortemente puxado pelo setor extrativista, com 8,8%, que inclui a indústria do petróleo e gás.

As projeções de baixa nos preços do petróleo, em consequência do anúncio de aumento de produção da Arábia Saudita, derrubaram as ações da Petrobras, com perda de 30% de valor, na maior queda já registrada pela empresa. Ao longo do ano, os novos patamares de preços do petróleo devem impactar a atividade econômica do Rio, com reflexos na arrecadação e nas contas do Governo do Estado. Outra ameaça está nos reflexos da desaceleração do comércio mundial em consequência do coronavírus. No Rio e em outros Estados, já há falta de insumos chineses na indústria, o que deve afetar a produção e os preços de produtos.


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Segundo estudo recente da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), 2020 é “crucial para o Estado do Rio, que precisa negociar com o Governo Federal a renovação do Regime de Recuperação Fiscal (RRF), em um cenário onde ainda não houve cumprimento de todas as contrapartidas necessárias para sua continuidade”.

O estudo alerta que “sem o suporte financeiro da União, o atendimento das obrigações básicas do Estado estará ameaçado“. Além disso, ocorrerá no STF a votação sobre as regras de distribuição dos royalties e participações especiais, que pode representar ainda mais perdas para arrecadação do Rio.

Fora os temores causados pela queda do petróleo e pela indefinição sobre uma duração mais longa dos efeitos do coronavírus, há também os riscos de origem caseira que podem prejudicar a atividade econômica geral do Brasil e, em particular, do Rio. Entre eles, a dificuldade na aprovação das reformas tributária e administrativa em um cenário de desalinhamento entre Governo Federal, Congresso Nacional e futuras eleições municipais.