Crise hídrica afeta renda de 46% dos brasileiros | Diário do Porto


Crise Hídrica

Crise hídrica afeta renda de 46% dos brasileiros

Pesquisa do Ipec ouviu 2.002 pessoas em novembro e aponta que 22% diminuíram a compra de alimentos básicos para pagar a conta de luz

7 de janeiro de 2022

Crise hídrica impacta diretamente custo da energia elétrica (Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

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Recente pesquisa do Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria), contratada pelo iCS (Instituto Clima e Sociedade), mediu o impacto da crise hídrica, responsável pela queda do índice nos reservatórios e represas do País, no orçamento das famílias brasileiras. O estudo concluiu que o gasto com gás e energia elétrica já compromete metade ou mais da renda de 46% das famílias brasileiras. Destes, 10% comprometem quase toda a renda familiar com esses gastos, 12% mais da metade da renda familiar e 24% a metade da renda familiar.

O Ipec ouviu 2002 pessoas com 16 anos ou mais em todas as regiões do Brasil entre 11 e 17 de novembro. Para 90%, o atual valor da conta de luz está impactando “muito” ou “um pouco” o dia-a-dia das famílias, e para poder pagá-la quatro em cada dez brasileiros (40%) diminuíram ou deixaram de comprar roupas, sapatos e eletrodomésticos. Ainda, nada menos do que 22% diminuíram a compra de alimentos básicos para garantir a energia em suas casas, índice que chega a 28% entre os nordestinos. Além disso, 14% deixaram de pagar contas básicas como as de água e gás encanado.

O levantamento aponta também uma mudança de comportamento dos brasileiros para tentar diminuir o valor da conta de luz: metade (49%) afirma ter adotado ações como tomar banho mais rápido e desligar as lâmpadas, e 44% dizem ter deixado de usar ou ter reduzido o uso de eletrodomésticos que consomem muita energia. Muitos foram além: 42% substituíram lâmpadas por outras mais econômicas, e 23% passaram a evitar o consumo de muita energia nos horários de pico. Só 5% declaram usar fontes alternativas renováveis, como a solar, e 18% não mudaram seus hábitos.

Outro item que tem tirado o sono do brasileiro é o preço do gás de cozinha. Para 52% dos entrevistados, o aumento do botijão foi o que mais pesou no bolso, enquanto 42% apontam o da energia elétrica. Um em cada dez brasileiros passou a usar lenha para cozinhar, 6% passaram a usar carvão, e 4% o fogão elétrico.

O Governo Federal (47%) e os governos estaduais (43%) são apontados como os principais responsáveis por esse aumento, seguidos pelas empresas de energia (32%) e as usinas hidrelétricas (20%). Por outro lado, 71% afirmam não ter tomado conhecimento sobre as propostas do Governo Federal para a redução voluntária no consumo.

A falta de água preocupa a quase totalidade dos brasileiros: 78% dizem que se preocupam muito, 14% que se preocupam um pouco, e apenas 6% não se preocupam. Os mais preocupados são os mais escolarizados (84%), os que vivem no Nordeste (84%), nas periferias das grandes cidades (82%) e em municípios de porte médio (82%).

A grande maioria (70%) considera que houve descaso do Governo Federal no enfrentamento da crise hídrica. E pensando no futuro, a pesquisa revela que o país não está otimista em relação ao impacto das mudanças climáticas: nove em cada dez (88%) avaliam que as mudanças climáticas estão impactando o regime de chuvas no Brasil. Para 56% dos brasileiros, as mudanças no clima vão piorar o volume de chuvas no futuro.


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