Crise fecha 90 mil pequenos negócios, diz Sebrae Rio | Diário do Porto

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Crise fecha 90 mil pequenos negócios, diz Sebrae Rio

Pesquisa do Sebrae Rio mostra que 63% das empresas menores estão endividadas ou inadimplentes. Na crise, pessoas buscam o empreendedorismo

16 de abril de 2021


Sebrae Rio mostra que abertura de novos negócios é impulsionada pela crise (foto: Agência Brasil / Fernando Frazão)


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Ao todo, 90,2 mil pequenos negócios fecharam as portas no Estado do Rio de Janeiro em 2020 por conta dos impactos da pandemia do novo coronavírus. O setor de serviços foi o que mais fechou empresas (39,1 mil), seguido por comércio (28,8 mil), indústria (14 mil), economia criativa (4,1 mil), turismo (3,5 mil) e agropecuária (470). Os dados são de uma pesquisa do Sebrae Rio, com base nos dados da Receita Federal.

As atividades voltadas para o comércio varejista de roupas e restaurantes foram as mais impactadas. Das microempresas que fecharam, 42% eram do setor de comércio. Cinquenta e nove por cento seguem com dificuldades para manter o seu negócio, 20% aproveitaram as mudanças implementadas para melhorias na empresa, 12% acreditam que o pior já passou, e 9% estão otimistas com as oportunidades que estão surgindo.

Outra pesquisa do Sebrae Rio revelou ainda que muitos empreendedores contraíram dívidas para a manutenção de suas empresas. O levantamento mostra que 36% dos pequenos negócios fluminenses encontram-se inadimplentes, 27% estão endividados, e 37% não possuem empréstimos.

Os empresários acreditam que a economia voltará ao normal apenas em agosto de 2022. A obtenção de crédito continua sendo um problema. No Rio, 62% dos pequenos negócios tiveram o crédito recusado, 27% conseguiram empréstimo, e 12% aguardam resposta.

Sebrae Rio aponta que cresce empreendedorismo por necessidade

O empreendedorismo se tornou a solução para que trabalhadores possam sobreviver e gerar renda. Em 2020, empreendedores fluminenses abriram mais de 307,8 mil pequenos negócios, com destaque para o setor de serviços, com quase 160 mil novas empresas.

Para a abertura de um novo negócio, salão de beleza (cabeleireiro, manicure e pedicure) e fornecimento de alimentos preparados para consumo domiciliar foram as principais atividades escolhidas pelos microempreendedores individuais (MEI).

Do total de empresas abertas no Estado do Rio, o setor de serviços abriu 159,9 mil, seguido pelo comércio, com 72,5 mil, indústria com 52,7 mil, economia criativa com 10,5 mil, turismo com 9,9 mil e agropecuária com 2,1 mil.

Ao observar o desempenho dos pequenos negócios por atividade, lideram: serviço de escritório e apoio administrativo, comércio varejista de roupas, serviço médico ambulatorial e restaurantes que mais abriram empresas.

“O empreendedorismo se tornou uma oportunidade para muita gente. Os pequenos negócios estão mantendo a economia. O setor de serviços cresceu muito. Das empresas abertas para esse tipo de atividade, no ano passado, os microempreendedores individuais representaram 88% do mercado. Um outro ponto que precisa ser destacado é que quando o negócio é formalizado, o empreendedor precisa ter conhecimento sobre os seus direitos, os benefícios e as suas obrigações”, explica Felipe Antunes, analista do Sebrae Rio.

Linhas de crédito podem minimizar efeitos da crise

Para os empreendedores, algumas medidas do governo podem compensar os efeitos da crise no negócio: 46% acreditam que a extensão das linhas de crédito, como o Pronampe, com condições especiais vão dar fôlego. Um terço dos empresários (31%) acha que a extensão do auxílio emergencial será fundamental para isso.

Já 11% consideram que o ideal é adiar o pagamento de dívidas moratórias (empréstimos, aluguel, água, luz e outros). Outros 7% esperam o adiamento dos pagamentos dos impostas, e 5% contam com um auxílio para redução e suspensão de contratos de trabalho.

“Os programas do governo contribuíram para a manutenção dos pequenos negócios. Essas medidas foram importantes para movimentar a economia. Algumas ações já estão sendo retomadas como o auxílio emergencial e o Pronampe. Para se ter uma ideia, 6% das micro e pequenas empresas no estado conseguiram empréstimo via Pronampe. Isso reforça a importância do empreendedor conseguir uma linha de crédito acessível e justa para a empresa”, ressalta Taniara Castro, coordenadora de Capitalização e Serviços Financeiros do Sebrae Rio.

 


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