Copo plástico não! A Baía de Guanabara agradece | Diário do Porto


Sustentabilidade

Copo plástico não! A Baía de Guanabara agradece

Body Tech e Ceat, em Santa Teresa, acabam com os copos plásticos. Movimento Baía Viva estima em R$ 50 bilhões por ano as perdas com a poluição

21 de março de 2019

Despoluição da Baía de Guanabara é ainda um sonho (Tânia Rego/Agência Brasil)

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Todo mundo é a favor de praias limpas e da despoluição da Baía de Guanabara, mas adora usar um copinho, um canudinho, um saquinho de plástico, certo? Errado: nem todo mundo. O avanço das informações e da consciência sobre causas e consequências está levando instituições e empresas a tomar a atitude corajosa e inovadora de abandonar hábitos que, como toda pessoa alfabetizada deveria saber, ameaçam o planeta.

A rede de academias Body Tech anunciou que, a partir de abril, deixará de oferecer copos de plástico ao pessoal da malhação. Todos serão estimulados a levar suas garrafas pessoais para as atividades físicas. A campanha “O meio ambiente dispensa copos descartáveis. A Bodytech também” entra em sintonia com a tendência universal de restringir o uso de plástico, evitar desperdícios e proteger a natureza.

A mobilização pelo planeta já é uma prática adotada em ambientes de ponta, como o Ceat (Centro Educacional Anísio Teixeira), escola progressista de Santa Teresa, na área central do Rio de Janeiro. A escola entrou também em campanha ecológica para que todos os alunos levem de casa os próprios copos. A recomendação reduziu o uso de copos plásticos de 400 por semana para apenas seis. Se cada aluno do Ceat convencer os pais e outros parentes, e assim por diante, sobre a importância da redução do uso de plástico, a natureza ganha uma chance e tanto. A humanidade também.

O tempo de decomposição de um copo descartável está entre 250 e 400 anos. No Brasil, no ano de 2018, um projeto de lei que previa a retirada do plástico da composição de pratos, copos, bandejas e talheres descartáveis foi aprovado pela Comissão de Meio Ambiente do Senado. A proposta é que o material seja substituído em até 10 anos por opções biodegradáveis.

 


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Os peixes e outros animais da Baía de Guanabara, que recebe grande parte da sujeira descartada por cariocas e fluminenses, agradecem os esforços no combate à poluição. Especialmente o boto cinza, presente no brasão da cidade, que está na rota da extinção. Nos anos 1990, existiam 800 Botos na Baía de Guanabara, e restam 34, segundo dados do Maqua, o Projeto Mamíferos Aquáticos da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).

Em 2015, a Uerj aprovou um projeto no Fundo Estadual de Conservação para monitorar os botos, mas a crise do estado parou tudo, segundo o oceanógrafo José Lailson, coordenador do Maqua.

O impacto da poluição é imenso também no desemprego e na perda de oportunidades grandiosas na indústria do turismo. A sujeira não afeta apenas o entorno da Baía de Guanabara, até porque não há uma barreira de contenção das porcarias nela jogadas. As praias de Niterói e da Zona Sul do Rio, região que concentra a maioria dos turistas internacionais que vêm à cidade, sofrem com o lixo plástico nas águas.

Descaso pode custar R$ 50 bi ao ano

O oceanógrafo David Zee disse ao G1, em uma inspeção nas praias do Rio esta semana, que assustou-se com o volume de plástico encontrado. E olhe que ele acompanha as pesquisas e os trabalhos dos ambientalistas há décadas. Por não reciclar o plástico, estima-se em R$ 420 milhões ao ano a perda do Estado do Rio de Janeiro com a imundície matando a vida marinha em baías, rios e lagoas.

Um estudo do Movimento Baía viva, elaborado entre 2017 e 2018, foi bem mais longe. A conclusão é de que o descaso com o meio ambiente causa prejuízos da ordem de R$ 50 bilhões por ano. O estudo leva em conta “o dinheiro que entraria com o turismo na área; os gastos da sobrecarga no sistema de saúde, que precisa tratar doenças causadas pela exposição às águas sujas e pela falta de saneamento adequado; a falta de mobilidade urbana da produção e dos trabalhadores; o excesso de queima de combustíveis; as doenças da poluição do ar”, segundo Sérgio Ricardo, do Baía Viva.

O oceano recebe cerca de 8 milhões de toneladas de plásticos por ano. Hoje, 90% das aves marinhas possuem fragmentos de plásticos no estômago. Até 2050, haverá mais peças de plástico do que peixes. Os microplásticos entraram na nossa cadeia alimentar e estão também no ar, na água e no solo, ressalta o Movimento Baía Viva.

Museu do Amanhã visita o Rio Carioca no Dia da Água

Para comemorar o Dia da Água, nesta sexta-feira 22 de março, o Museu do Amanhã promove um debate sobre os rios do Rio. Para isso, levará 20 jovens de escolas da região portuária para conhecer a nascente do Rio Carioca e seguir seu curso pela cidade. O Rio Carioca, primeiro curso d’água tombado no país pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC), é um dos muitos que, sem tratamento das águas, levam impurezas para a Baía de Guanabara.

O rio nasce na Fonte do Beijo, no Corcovado, e segue pelo Cosme Velho e Laranjeiras até chegar ao litoral, desaguando na Baía. À tarde, a partir das 15h, haverá uma visita, aberta ao público, ao interativo ”Baía de Todos Nós”, que trata dos desafios da Baía de Guanabara.

Quem se inscrever pelo site do Museu do Amanhã acessa o ”Jogo do Boto-Cinza” para conhecer um pouco mais a vida do animal símbolo do Rio. Haverá uma roda de conversa sobre a situação dos mais de 140 rios que deságuam na Baía de Guanabara.

Estarão presentes Silvana Gontijo, diretora do PlanetaPontoCom e idealizadora do projeto ”O rio do Rio”, Marcio Santa Rosa, consultor do interativo ”Baías de Todos Nós”, em cartaz no museu, e Emanuel Alencar, editor de conteúdo do Museu do Amanhã. Na próxima terça-feira, 26, às 15h, o Museu do Amanhã recebe a urbanista Cecília Herzog para a palestra ”Cidades Resilientes – Espaços Urbanos Conectados à Natureza”. Cecília preside o Inverde (Instituto de Pesquisas em Infraestrutura Verde e Ecologia Urbana), é urbanista e professora da PUC. Ela estuda e defende a “infraestrutura verde” para transformar o cinza das cidades em áreas vivas, aliando natureza, arte e cultura local.

 

SERVIÇO

Celebrações do Dia da Água e Dia da Floresta – Museu do Amanhã

22 de março (sexta-feira), às 9h

 

Visita de 20 estudantes à Nascente do Rio Carioca e passeio pelo seu curso

22 de março (sexta-feira), às 15h

 

Visita ao interativo ”Baía de Todos Nós”, seguida de roda de conversa sobre a situação dos mais de 140 rios que desaguam na Baía de Guanabara, com Silvana Gontijo, Marcio Santa Rosa e Emanuel Alencar.

26 de março (terça-feira), às 15h

 

Observatório do Amanhã

”Cidades Resilientes – Espaços Urbanos Conectados à Natureza”, com Cecília Herzog