Convento do Carmo vai se tornar centro cultural | Diário do Porto


História

Convento do Carmo vai se tornar centro cultural

Primeira exposição do novo Convento do Carmo mostrará tesouros arqueológicos da época da chegada da família Real Portuguesa ao Rio

27 de dezembro de 2021

Convento que hospedou a Rainha Maria I, a "Louca", vai se tornar centro cultural (divulgação/PGE RJ)

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Com mais de quatrocentos anos, o Convento do Carmo, na Praça XV, será transformado em um centro cultural. Construído por frades carmelitas, o edifício foi testemunha da história do Rio desde os tempos do Brasil Colônia e estava abandonado há décadas. O novo convento do Carmo terá também restaurante, biblioteca e salas de aula. O investimento, de quase R$ 30 milhões, é da Procuradoria-Geral do Estado (PGE).

“Em 2017, a PGE teve a ideia de recuperar o imóvel com seus recursos próprios. E agora a gente está tendo este momento feliz de devolvê-lo à sociedade do Rio de Janeiro. Nenhum centavo sequer do orçamento do Poder Executivo foi destinado para esta obra”, disse Bruno Dubeux, procurador-geral do Estado do Rio de Janeiro, em entrevista ao Jornal Nacional da TV Globo

A primeira exposição em 2022, ano em que se comemora o Bicentenário da Independência do Brasil, vai revelar tesouros arqueológicos encontrados durante as obras de restauração da época da chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil. São louças inglesas, francesas, garrafas de vinho, talheres de prata encontrados ao lado de cachimbos, búzios e fragmentos de cerâmica.

Por si só o prédio é um marco arqueológico, com paredes de pedras coladas com óleo de baleia, grades antigas e a estrutura reforçada por vigas de madeira, A reforma revelou decorações nas paredes e a pintura imitando madeira. Quanto a Corte de Portugal chegou ao Rio, em 1808, o convento foi requisitado para abrigar a rainha Maria I, conhecida como a “Louca”, mãe do Dom João VI. Antigos corredores ligando o convento ao Paço Imperial e à capela real estão registrados em fotos.

Rainha Maria I viveu seus últimos anos de vida no Convento do Carmo (reprodução/internet)

Vítima de depressão profunda após várias perdas na família em uma epidemia de varíola e por ter sido afastada do trono, a rainha tinha acessos de loucura. Vivia entre paredes, circulando apenas em passagens que não existem mais. Segundo relatos da época, quem passava no então Largo do Carmo, como era chamado à época, ouvia os gritos de Dona Maria. O único aposento de uma rainha europeia nas Américas foi restaurado, após um trabalho que recuperou o piso, a cor e as pinturas originais. No local, Dona Maria passou os últimos oito anos da sua vida, até morrer, em março de 1816, aos 81 anos de idade.


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