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Cônsul dos EUA: ‘Brasil deve se fortalecer com mais inclusão’

Para Scott Hamilton, os dois países têm os mesmos desafios para fortalecer democracias multirraciais e EUA vão ajudar o Brasil a enfrentar os problemas

22 de novembro de 2018
Cônsul (ao fundo) posa com representantes do Iphan, IDG, Prefeitura e movimento negro (Foto: Rosayne Macedo)

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Cônsul (ao fundo, de gravata verde) posa com representantes do Iphan, IDG, Prefeitura e movimento negro (Foto: Rosayne Macedo)

O Brasil e os Estados Unidos são “as duas maiores democracias multirraciais do Ocidente” e precisam juntar forças para lutar pela igualdade racial no mundo. Este foi o discurso do cônsul-geral americano no Rio de Janeiro, Scott Hamilton, durante o lançamento da pedra fundamental das obras de recuperação do Cais do Valongo, que serão financiadas pelo governo dos EUA.

Segundo ele, Brasil e EUA têm o mesmo desafio para fortalecer suas democracias. “Estamos tentando criar uma democracia multirracial forte e aqui vocês têm o mesmo desafio. Somos as duas maiores democracias multirraciais do hemisfério. Sempre temos problemas, sempre temos desafios. A importância da nossa democracia é que temos maneiras sempre de enfrentar os problemas e solucionar esses problemas”, disse.

Hamilton defendeu uma política de maior inclusão racial no Brasil. “Este país deve se fortalecer facilmente com mais inclusão, exatamente como estamos fazendo nos Estados Unidos. A intenção é criar um país forte, importante. Queremos reconhecer essa contribuição e tentar fazer o mais que pudermos para solucionar esses problemas”, afirmou.

Para o cônsul americano, a participação dos EUA no projeto do Cais do Valongo “é uma maneira de reconhecer uma parte importantíssima da cultura brasileira, que é a parte afrodescendente”. Hamilton destacou que os negros no Brasil têm “uma história impressionante em muitos sentidos – culturalmente, economicamente, turisticamente e socialmente”.

O projeto de conservação e manutenção do cais, desenvolvido em 2014 durante as obras de revitalização da Região Portuária, finalmente sairá do papel, graças ao governo americano. O patrocínio foi festejado por ativistas do movimento negro durante evento nesta quarta (21), durante a Semana da Consciência Negra. O Cais do Valongo será oficializado nesta sexta-feira (23) pela Unesco como patrimônio mundial da Humanidade, em cerimônia no MAR.

Confira o áudio da entrevista

 

 

Questionado sobre o possível apoio a novos projetos culturais no Brasil para 2019, com a entrada do novo presidente eleito Jair Bolsonaro – fã declarado do presidente americano Donald Trump – o cônsul desconversou. Disse que nada ainda está certo. “Ainda é um pouco cedo para decidir isso, mas é possível”, declarou.

O patrocínio de R$ 500 mil dólares (cerca de 2 milhões de reais) às obras do Valongo foi anunciado nesta quarta-feira (21), em cerimônia no local. Os recursos, segundo Hamilton, vêm do Fundo dos Embaixadores dos Estados Unidos para Preservação Cultural. Este é o segundo maior aporte realizado este ano pelo fundo fora do país – o primeiro não foi revelado.

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