Concessionária deixará a operação de túneis do Porto | Diário do Porto

Infraestrutura

Concessionária deixará a operação de túneis do Porto

Por falta de pagamento, a Concessionária Porto Novo vai transferir para a Cdurp as operações dos túneis Marcello Alencar e Rio450 a partir de 11/9

26 de agosto de 2019


Túnel 450: paralisação provocaria colapso na mobilidade do Rio (foto: túnel Rio450/divulgação)


Compartilhe essa notícia:


A partir de 11 de setembro, a Concessionária Porto Novo não mais se responsabilizará pelas operações dos túneis Marcello Alencar e Rio450, que cruzam os bairros do Centro, Gamboa, Saúde e Santo Cristo, no Porto Maravilha. Em nota oficial, a concessionária afirma que está transferindo os serviços para a Cdurp (Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro), empresa da Prefeitura.

A transferência ocorre porque a concessionária está sem receber há mais de um ano. Em junho de 2018, também por falta de pagamento, a Porto Novo já havia entregue outros serviços para a Cdurp, como os de limpeza e iluminação urbana, controle de tráfego, coleta de lixo domiciliar, manutenção e conservação de ruas, calçadas e monumentos, entre outros.

Os túneis Rio450 e Marcello Alencar foram inaugurados em 2015 e 2016, respectivamente, para viabilizar o tráfego de mais de 60 mil veículos por dia e possibilitar a remoção da Perimetral, via elevada que impedia a revitalização da região central da cidade.

Maior túnel do país

Com 3.382 metros na sua maior galeria, o Marcello Alencar é o maior túnel subterrâneo do país, atingindo 43 metros de profundidade, ao lado da Baía de Guanabara. Sua operação é altamente complexa.

O túnel tem um sistema para evitar que seja inundado, com uma cisterna que armazena 401 mil litros de água, o equivalente a 40 caminhões pipa (de 10 mil litros). Quatro bombas funcionam ininterruptamente para a drenagem, com capacidade total de retirar 534 mil litros de água por hora, o que corresponde a 53 caminhões pipa.


LEIA TAMBÉM:

Prefeitura quer R$ 13,6 milhões por terreno no Porto

Tarquínio Almeida é o novo presidente da Cdurp

Prefeito volta a defender cassinos no Rio


A transferência desse sistema para a Cdurp preocupa empresas que apostaram no Porto Maravilha nos últimos anos. Em recente reunião realizada com os principais investidores da região houve manifestação também de apreensão pelo fechamento do Museu do Amanhã e Museu de Arte do Rio, além da possível paralisação do VLT. Todas essas questões dependem de decisões da Prefeitura.

A Porto Novo afirma ter notificado a Cdurp em maio passado sobre sua decisão de operar os túneis até o próximo dia 11. Segundo a Concessionária, já houve diversas reuniões entre as duas partes “para que o processo de devolução seja realizado com eficiência e segurança”.

O papel da Caixa

Por trás da situação crítica entre a Concessionária e a Cdurp está a Caixa Econômica Federal, a quem compete a venda de títulos imobiliários da região do Porto para financiar novas obras e a manutenção de tudo o que já foi feito.

A Caixa deixou de fazer transferências para a Cdurp há dois anos, alegando que não há recursos nos fundos imobiliários do Porto que ela administra, o que teria sido causado pela recessão do país.

Essa situação foi agravada pelo pouco comprometimento de gestões passadas da Caixa com o sucesso do projeto de revitalização. O novo presidente da instituição, Pedro Guimarães, está revendo essa política e decidiu levar parte das operações da Caixa para o Porto, o que deve estimular novos negócios na região.