Coalizão Rio: comércio reage a medidas unilaterais de Paes | Diário do Porto


Empreendedorismo

Coalizão Rio: comércio reage a medidas unilaterais de Paes

Em encontro do Coalizão Rio, presidente da Fecomércio RJ pede mais diálogo ao prefeito Paes. Evento no Fairmont foi marcado por otimismo com o futuro do Rio

5 de março de 2021

Para Florêncio da Costa, reinauguração do Villarinko é um marco para revalorização do Centro (divulgação)

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É vigorosa a reação do setor empresarial às medidas de fechamento do comércio pelo prefeito Eduardo Paes. No encontro do grupo Coalizão Rio na manhã desta sexta-feira no Hotel Fairmont, em Copacabana, o presidente da Fecomércio RJ, Antonio Florencio de Queiroz Junior, vocalizou as reações e foi aplaudido ao cobrar do prefeito mais diálogo antes da tomada de decisões que afetam tanto o setor produtivo. Ao contrário do primeiro encontro, quando compareceu como prefeito eleito, Paes não estava no evento para ouvir o sermão de Queiróz, que foi elegante mas contundente. O prefeito foi representado pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Desburocratização, Chicão Bulhões.

 

Coalizão Rio
Coalizão Rio reuniu empresários e autoridades no Fairmont: otimismo com futuro

 

“Não há dúvida de que o momento é de gravidade, mas o que pedimos, secretário Bulhões, é que você transmita por favor ao prefeito para que ele nos ouça um pouco. Talvez as medidas pudessem ter sido aperfeiçoadas de forma a não causar impacto tão grande nos negócios”, disse Queiroz. Bares e Restaurantes receberam o anúncio do fechamento às 17h com indignação, em função dos estoques de comida comprados para o fim de semana, e consideram que as medidas são injustas apenas com as empresas formais, pois dificilmente haverá punição dos informais. Queiroz abordou o assunto no Coalizão Rio.

União para salvar vidas

“Cada medida dessas só atinge o formal e facilita a vida do informal. O restaurante vai fechar às 17h, mas o informal vai ficar ali na rua Dias Ferreira, no Leblon, vendendo a bebida dele, e as pessoas vão ficar na rua. Se não houver fiscalização para todos, é uma penalização só para quem gera empregos, impostos, quem traz a riqueza”, comparou o presidente da Fecomércio RJ. Ele defendeu também que as ideologias sejam deixadas de lado e o setor privado possa comprar vacinas porque “o momento é de união para salvar vidas”.

Luis Leão e Antonio Queiroz: união pelo Rio
Luis Leão e Antonio Queiroz: coalizão pelo Rio

O Coalizão Rio reuniu 160 pessoas em um auditório para 900, com medidas de proteção sanitária e apelos do presidente do Clube Empreendedor, Luís Cláudio Souza Leão, organizador do evento, para que os convidados não circulassem entre as mesas e não tirassem as máscaras. Apesar do desconforto do setor com as medidas de Paes, o tom do encontro foi de otimismo com a atuação conjunta da prefeitura e do governo estadual na simplificação tributária, na redução da burocracia e na atração de investimentos.

Chicão Bulhões elogiou a participação e o entusiasmo dos servidores municipais nas ações para reduzir a burocracia da Prefeitura. Ele defendeu a aprovação da Lei da Liberdade Econômica pela Câmara de Vereadores para destravar atividades de empresas de baixo impacto ambiental e disse que, com essas medidas, o Rio será o Estado mais ágil do país no licenciamento. “A gente quer passar São Paulo, quer ser o número um, o melhor lugar do Brasil para fazer negócios. Por que vamos aceitar o segundo lugar?” Com a racionalização dos processos e autodeclaração em 90% dos casos, segundo ele, “os processos vão voar”.

RJ com fôlego para 10 anos

O secretário da Casa Civil do governo estadual, Nicola Miccione, representando o governador Cláudio Castro, foi ainda mais otimista ao exibir números que animaram os empresários do Coalizão Rio. Em agosto do ano passado, segundo ele, o déficit orçamentário previsto era de R$ 6 bilhões, mas o estado terminou o ano com R$ 800 milhões em caixa. A aprovação do novo regime de recuperação fiscal, que está sendo regulamentado pelo Ministério da Economia, dará ao Rio de Janeiro um fôlego de 10 anos, com aumento de receita.

 


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Nicola também mostrou números grandiosos ao falar da concessão da Cedae, com leilão previsto para 30 de abril. Houve mais de mil visitas à estatal. O projeto prevê investimentos de R$ 110 bilhões em outorga e investimentos diretos em 16 municípios da Região Metropolitana. Em 25 anos, os benefícios são estimados em R$ 978 bilhões, “uma grande revolução sem endividamentos e com benefícios diretos para todo o setor de serviços, levando dignidade a 13 milhões de pessoas”. Em cobertura de saneamento básico, o Brasil está atrás de 100 países.

Despoluição da Baía

Há mais 300 leis fiscais soltas, muitas delas incoerentes entre si, segundo o secretário da Casa Civil, que atrapalham o planejamento das empresas. O governador quer consolidar tudo em 10 ou 15 projetos e conta com a aprovação da Assembleia Legislativa para atrair empresas que precisam de segurança para fazer seus planejamentos.

A despoluição da Baía de Guanabara também foi destaque no discurso de Luis Leão, anfitrião do evento junto com o diretor do Fairmont, Michael Nagy. Leão defendeu a inclusão no Plano Estratégico do Rio de Janeiro de uma visão maior de integração entre os municípios da Região Metropolitana, com mais atenção para a Baía de Guanabara, “principalmente se entendermos que a cidade tem uma vocação para o entretenimento, o turismo, o esporte e o lazer”. Leão defendeu a concentração de esforços na vacinação, citando uma frase do saudoso economista Carlos Lessa: “O carioca não tem medo de multidão. tem medo é de praça vazia.”

Rei da Noite faz 40+40

Ricardo Amaral, Chicão Bulhões e Nicola Miccione
Ricardo Amaral, Chicão Bulhões e Nicola Miccione (Cleonir Tavares/Diário do Rio)

O momento mais descontraído foi quando o diretor do Fairmont puxou a cantoria de “parabéns” para o empresário Ricardo Amaral, “o eterno rei da noite”. Amaral arrancou gargalhadas ao dizer que está completando “40+40” no próximo dia 11, mas que, nessa idade, não se comemora. “A gente vai à igreja pedir a Deus que nos dê um pouquinho mais, mas já está bom”, afirmou após exibir vitalidade ao discursar sobre projetos para o futuro.

Além dos representantes do governador e do prefeito, o Coalizão Rio contou com líderes empresariais e políticos de peso engajados nas articulações pelo desenvolvimento econômico do Rio de Janeiro, como o senador Carlos Portinho, os deputados Hugo Leal, Otavio Leite e Paulo Ganime, a presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro, Angela Costa, e o diretor da Sérgio Castro Imóveis, Cláudio André Castro, entre muitos outros.

O secretário estadual de Transporte, Delmo Pinho, fez uma palestra sobre os projetos de concessão de rodovias e ferrovias ligando o Rio de Janeiro a estados vizinhos. O Rio, segundo ele, será o estado com o maior percentual de estradas federais em regime de concessão nos próximos três anos. Pinho defendeu a concessão da Linha Vermelha, com a construção de um pedágio no trecho entre a Ilha do Governador e a Via Dutra. “Pagar R$ 2 em um pedágio é muito mais barato do que a gasolina que se gasta nos engarrafamentos de uma via no atual estado de abandono.

Jorge Lima, CEO do Projeto Custo Brasil, da Secretaria Especial do Ministério da Economia, abordou em sua palestra as ações do governo federal para reduzir o peso que os empreendedores hoje suportam para tocar seus negócios no Brasil.