Chorume em Niterói ameaça contaminar a Baía de Guanabara | Diário do Porto


Sustentabilidade

Chorume em Niterói ameaça contaminar a Baía de Guanabara

Movimento diz que lixão tem 118 milhões de litros de chorume não tratado, altamente poluente, tóxico e perigoso à Baía de Guanabara

6 de dezembro de 2019

Baía de Guanabara é poluída por chorume produzido em vários lixões (foto Alexandre Macieira/Riotur)

Compartilhe essa notícia:


O Movimento Baía Viva protocolou uma representação judicial na Procuradoria Geral da República (PGR) e no Ministério Público Estadual (MPE), contra o Lixão do Morro do Céu, situado no bairro do Caramujo, em Niterói. Segundo a denúncia, o local tem um volume 118 milhões de litros de chorume não tratado, altamente poluente, tóxico e perigoso à saúde humana e ao meio ambiente, com riscos de poluir a Baía de Guanabara.

Na petição, o movimento requer a responsabilização por Crime Ambiental e Crime de Improbidade Administrativa dos dirigentes da Companhia Municipal de Limpeza urbana (CLIN), do Instituto Estadual do Ambiente (INEA-RJ) e da concessionária privada Águas de Niterói S/A.

No ano passado, o Baía Viva já alertava para a existência de um grande volume de chorume não tratado no Estado do Rio, principalmente em lixões,  agravados pela falta do tratamento adequado do esgoto. Estima-se que 1 bilhão de litros do líquido poluente esteja sendo despejado por ano ilegalmente nas águas, manguezais e praias da Baía de Guanabara.

Problema antigo

Na semana passada, o Baía Viva já havia denunciado à PGR e ao Ministério Público que os lixões de Gramacho, em Duque de Caxias,  e do Gericinó, em  Bangu, contribuem com o despejo ilegal de 3,3 milhões de litros de chorume por dia, sendo que ambos despejam estes poluentes diretamente na bacia hidrográfica do Rio Sarapuí que deságua na Baía de Guanabara.

Há alguns meses, o movimento entrou com representações contra o Lixão de Itaóca, em São Gonçalo, e contra o despejo irregular pelo CTR Santa Rosa, aterro sanitário localizado em Seropédica, que recebe 9 mil toneladas por dia de lixo da cidade do Rio de Janeiro e produz 2 milhões de litros de chorume por dia.


LEIA MAIS:

Pesca ilegal de camarão ameaça Baía de Guanabara

Metais pesados na Baía põem em risco a saúde no Rio

Tudo sobre o 1º Fórum de Soluções para o Porto Maravilha, dia 9


Desde 2002, o Lixão do Morro do Céu, transporta precariamente e de forma insegura grande volume de chorume através de uma tubulação da rede coletora de esgotos até a Estação de Tratamento de Esgotos (ETE), em Icaraí.

Sérgio Ricardo, membro-fundador do Baía Viva, alerta que “há riscos potenciais de contaminação tanto dos corpos hídricos da região, nascente do rio Mata-Paca e poços artesianos que são utilizados pelas comunidades pobres do entorno do lixão. Além de comprometer a balneabilidade das praias litorâneas de Niterói e os usos balneários e a prática de esportes náuticos na Baía de Guanabara”.

O Baía Viva requer à PGR e ao MP Estadual que “por determinação administrativa ou por meio de uma Ação Civil Pública Ambiental, seja proibido em todo o Estado do Rio de Janeiro, a diluição (ou “co-tratamento”) de chorume em Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs) públicas (CEDAE) ou privadas, como vem ocorrendo atualmente na ETE Icaraí (Águas de Niterói).”

Em outubro, o DIÁRIO DO PORTO fez uma reportagem sobre a trajetória do biólogo Mário Moscatelli, que tem inspirado pessoas e alertado instituições em prol do meio ambiente do Rio de Janeiro. Em palestra do TED-X Talks, ele critica as falhas sequentes dos governantes, mas também dá seu recado direto à sociedade.

“A tragédia que vivemos no Rio de Janeiro, seja no ambiente, seja na educação, seja na saúde, é nossa culpa. Nós é que elegemos essa gente e somos nós que não exigimos dessa gente qualidade na prestação de serviços”, afirma o biólogo, que cobra de cada um atitudes para transformar a realidade.

 


/